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Quais são os benefícios e os riscos da terapia com exercícios para o tratamento da confusão mental (delírio) na unidade de terapia intensiva?

Mensagens principais

  • Os benefícios e riscos da terapia com exercícios no tratamento do delírio, em comparação com nenhum tratamento ou com cuidados usuais, não são claros devido à falta de evidências robustas. A terapia com exercícios pode ajudar a reduzir a duração do delírio, encurtar as internações em unidades de terapia intensiva e pode não produzir efeitos colaterais prejudiciais. No entanto, são necessárias mais pesquisas nessa área.

  • Estudos futuros devem ter como objetivo confirmar esses resultados e investigar se a terapia com exercícios pode melhorar a qualidade de vida, diminuir a gravidade do delírio e impulsionar a função cognitiva (como uma pessoa aprende, se lembra e interpreta informações). Eles também devem comparar a terapia com exercícios a outros tratamentos, como medicamentos.

O que é delírio?

O delírio é uma condição comum apresentada por muitos pacientes em unidades de terapia intensiva. O motivo exato disso não está completamente claro. Os pacientes na unidade de terapia intensiva podem apresentar alterações em seu estado mental habitual, ter dificuldade de concentração, pensar de forma desorganizada ou ter níveis de consciência alterados. Normalmente, todos esses sintomas surgem horas ou dias após a admissão na UTI e mudam ou pioram rapidamente, sem nenhuma razão médica aparente. Para os pacientes, o delírio na unidade de terapia intensiva pode afetar seus tratamentos e sua recuperação. Para as famílias dos pacientes, o delírio na unidade de terapia intensiva pode causar ansiedade, medo, sentimentos de impotência ou perturbação, exigindo que recebam a garantia de que o delírio é uma ocorrência comum nesse ambiente e é apenas temporário.

Como é tratado o delírio na unidade de terapia intensiva?

Podemos tratar o delírio na unidade de terapia intensiva por meio de uma combinação de métodos não medicamentosos e com medicamentos. As abordagens não medicamentosas focam na criação de um ambiente de apoio que ajude os pacientes a se recuperarem de forma mais efetiva. Isso inclui garantir que eles saibam que horas são e onde estão, incentivar visitas da família, assegurar que durmam o suficiente, controlar qualquer dor que possam ter e promover movimentos suaves para ajudá-los a se manterem ativos e recuperar sua independência. É importante também evitar o uso de contenção física e limitar o uso de sedativos, pois estes podem agravar os sintomas. Quando os medicamentos são necessários, os médicos podem prescrever antipsicóticos para ajudar a controlar a agitação ou o sofrimento grave. No entanto, esses medicamentos são usados com cautela e somente quando necessários.

O que queríamos descobrir?

Queríamos descobrir se a terapia com exercícios é melhor do que o tratamento padrão, nenhum tratamento ou a medicação para melhorar os seguintes aspectos.

  • Quanto tempo o delírio dura em pessoas internadas em unidades de terapia intensiva.

  • A qualidade de vida de pacientes com delírio submetidos à terapia com exercícios.

  • Se ajuda a reduzir o tempo total de internação hospitalar, o tempo na unidade de terapia intensiva e as taxas de mortalidade.

  • Se havia algum efeito colateral negativo da terapia com exercícios.

O que fizemos?

Realizamos buscas por estudos que investigaram a terapia com exercícios versus o tratamento padrão, nenhum tratamento ou medicação em pessoas hospitalizadas na unidade de terapia intensiva que desenvolveram delírio.

Comparamos e resumimos os resultados dos estudos e classificamos nossa confiança nas evidência com base em fatores como métodos e tamanhos das amostras.

O que encontramos?

Encontramos quatro estudos envolvendo 491 pessoas com delírio que foram hospitalizadas em uma unidade de terapia intensiva. Esses estudos compararam os benefícios da terapia com exercícios versus o tratamento usual ou nenhum tratamento. Nenhum estudo comparou a terapia com exercícios com medicação.

A terapia com exercícios pode ajudar a reduzir a duração do delírio e provavelmente diminui o tempo de internação em unidades de terapia intensiva. A terapia com exercícios pode não produzir efeitos colaterais prejudiciais. No entanto, nenhum dos estudos investigou a qualidade de vida ou a gravidade do delírio. Nenhum dos estudos incluídos comparou a terapia com exercícios físicos com medicamentos.

Quais são as limitações das evidências?

Temos pouca confiança nas evidência sobre o uso da terapia com exercícios para reduzir a duração do delírio sem efeitos colaterais indesejáveis, porque nem todos os estudos forneceram dados sobre tudo o que nos interessava, é possível que as pessoas nos estudos soubessem qual tratamento estavam recebendo e as evidência são baseadas em poucos casos.

Nossa confiança nas evidência que apoiam o uso da terapia com exercícios para o tratamento do delírio com o objetivo de reduzir o tempo de internação em unidades de terapia intensiva é apenas moderada. Essa incerteza surge da preocupação de que as pessoas nos estudos pudessem saber qual tratamento estavam recebendo. Além disso, nem todos os estudos forneceram dados sobre todos os aspectos que nos interessavam.

Até quando as evidências incluídas estão atualizadas?

As evidências estão atualizadas até 12 de julho de 2024.

Objetivos

Avaliar os benefícios e os malefícios da terapia com exercícios para o tratamento do delírio em adultos gravemente enfermos na unidade de terapia intensiva, em comparação com nenhuma intervenção, cuidados usuais ou qualquer tratamento farmacológico.

Métodos de busca

Fizemos buscas no Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL), MEDLINE, Embase, Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature (CINAHL), PsycINFO e nos principais registros de estudo, além de buscas por citações, até 12 de julho de 2024.

Conclusão dos autores

Em adultos com diagnóstico de delírio após admissão na UTI, a terapia com exercícios pode reduzir a duração do delírio, provavelmente reduz o tempo de internação na UTI e pode não resultar em eventos adversos. Nenhum dos estudos incluídos relatou a qualidade de vida relacionada à saúde ou a gravidade do delírio, e nenhum estudo comparou a terapia com exercícios a qualquer tratamento farmacológico. A certeza da evidência foi de baixa a moderada.

Precisamos de mais estudos que avaliem os efeitos da terapia com exercícios no tratamento do delírio na UTI. Esses novos estudos devem abordar as limitações encontradas nos estudos incluídos nesta revisão, especialmente considerando tamanhos de amostra maiores. Estudos futuros também devem se concentrar na qualidade de vida relacionada à saúde, na gravidade do delírio e na função cognitiva. Eles também devem comparar a terapia com exercícios com tratamentos adicionais disponíveis no contexto clínico, como tratamentos farmacológicos amplamente difundidos, e focar em diferentes faixas etárias da população, subtipos de delírio e estado de demência pré-existente.

Financiamento

Esta revisão Cochrane não recebeu financiamento específico.

Registro do protocolo

Protocolo (2024): doi.org/10.1002/14651858.CD015830

Notas de tradução

Tradução do Cochrane Brazil (Tamara Silva de Sousa e Mayara Rodrigues Batista). Contato: tradutores.cochrane.br@gmail.com

Citation
Garegnani L, Ivaldi D, Burgos MA, Varela LB, Díaz Menai S, Rico S, Giménez ML, Escobar Liquitay CM, Franco JVA. Exercise therapy for the treatment of delirium in the intensive care unit. Cochrane Database of Systematic Reviews 2025, Issue 8. Art. No.: CD015830. DOI: 10.1002/14651858.CD015830.pub2.

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