Qual é o objetivo desta revisão?
Os percursos clínicos (CPW) são ferramentas baseadas em documentos que estabelecem uma ligação entre as melhores evidências disponíveis e a prática clínica. Fornecem recomendações, processos e calendários para a gestão de condições ou intervenções médicas específicas. Esta atualização da revisão teve como objetivo resumir a evidência e avaliar o efeito dos percursos clínicos nos resultados dos doentes (mortalidade intra-hospitalar, mortalidade (até 6 meses), complicações intra-hospitalares e readmissões hospitalares (até 6 meses)), duração do internamento, custos e encargos hospitalares e prática profissional (ou seja, adesão dos profissionais de saúde às práticas recomendadas), em comparação com os cuidados hospitalares habituais. Além disso, identificámos e comparámos diferentes estratégias de implementação. Incluímos pacientes em hospitais que foram tratados de acordo com (1) as recomendações de um CPW, ou (2) um CPW que foi implementado juntamente com outras intervenções, como um gestor de caso ou iniciativas de melhoria da qualidade. Analisámos 58 estudos (24.841 pacientes e 2.027 profissionais de saúde), dos quais 27 foram incluídos numa revisão publicada anteriormente (Rotter 2010) e 31 foram recuperados para esta atualização. Esta é a primeira atualização da revisão anterior.
Mensagens-chave
Os CPWs podem ter o potencial de melhorar os resultados dos pacientes e podem reduzir a duração do internamento hospitalar, os custos hospitalares e melhorar a adesão às práticas recomendadas. Mas ainda precisamos de mais estudos de alta qualidade que informem sobre as estratégias de implementação utilizadas durante o desenvolvimento e a implementação do percurso.
O que foi estudado nesta revisão?
A tomada de decisões nos hospitais deixou de se basear em opiniões e passou a assentar em provas científicas sólidas (ou seja, na prática baseada em provas). Os hospitais incorporam as evidências nos percursos clínicos a seguir pelos profissionais de saúde. Foram implementados em todo o mundo, mas os dados sobre o seu impacto provenientes de ensaios individuais são contraditórios. A publicação permanente de novas evidências, combinada com as exigências da prática quotidiana, torna difícil para os profissionais de saúde manterem-se atualizados.
Os desenhos dos estudos incluídos foram estudos aleatórios individuais e por grupos, estudos não aleatórios, estudos controlados antes e depois (CBA) e estudos de séries temporais interrompidas (ITS). Em ensaios clínicos aleatórios individuais, os participantes do estudo foram alocados ao grupo CPW ou ao grupo de cuidados habituais por acaso, o que se designa por alocação aleatória. Os ensaios aleatorizados por clusters dividiram todos os participantes do estudo em grupos mais pequenos, conhecidos como clusters. Estes grupos foram depois distribuídos ao acaso pelo grupo CPW ou pelo grupo de cuidados habituais. Nos ensaios não aleatórios, os participantes foram distribuídos pelos investigadores em grupos diferentes de forma quase aleatória. A atribuição quase aleatória significa que os participantes no estudo foram atribuídos ao grupo CPW ou ao grupo de cuidados habituais com base em critérios como a sua data de nascimento ou o dia da semana. Os estudos CBA são estudos experimentais sem um processo de atribuição aleatório ou quase aleatório. Os dados foram recolhidos do grupo CPW e do grupo de cuidados habituais antes da implementação do CPW, tendo sido recolhidos outros dados após a introdução do CPW. Os estudos ITS representam um método robusto de medir o efeito de um CPW como uma tendência ao longo do tempo.
Todos os estudos incluídos testaram o impacto dos percursos clínicos utilizados nos hospitais sobre um ou mais dos resultados pré-especificados: mortalidade intra-hospitalar, mortalidade (até 6 meses), complicações intra-hospitalares, readmissões hospitalares (até 6 meses), duração do internamento, custos e encargos hospitalares e adesão às práticas recomendadas. Os estudos centraram-se na alteração das medidas de resultados após a implementação de um percurso clínico autónomo ou de um percurso clínico multifacetado combinado com outras intervenções, em comparação com os cuidados habituais.
Quais são os resultados principais desta revisão?
Encontrámos 58 estudos que mediram os efeitos dos percursos clínicos nos resultados incluídos. Os principais resultados são que, em comparação com os cuidados habituais, é incerto se a implementação de uma via clínica autónoma tem algum efeito na mortalidade intra-hospitalar e na mortalidade (até 6 meses) (baixa certeza). É provável que os CPW autónomos reduzam as complicações intra-hospitalares (certeza moderada), mas é muito incerto se fazem alguma diferença nas readmissões hospitalares (até 6 meses) (certeza muito baixa). Os CPW autónomos são suscetíveis de reduzir o tempo de internamento hospitalar (certeza moderada). Em nove dos dez estudos incluídos nesta comparação, os custos e as taxas foram geralmente mais baixos nos CPW (certeza muito baixa). Os CPW autónomos podem também aumentar ligeiramente a adesão às práticas recomendadas (baixo grau de certeza).
Relativamente aos percursos clínicos multifacetados comparados com os cuidados habituais, não é certo que haja uma redução da mortalidade intra-hospitalar (baixa certeza) e podem fazer pouca ou nenhuma diferença na mortalidade (até 6 meses) (baixa certeza). É incerto se os CPWs que foram combinados com outras intervenções reduzem as complicações intra-hospitalares (baixa certeza) ou as readmissões hospitalares (até 6 meses) (baixa certeza). Também não é certo que reduzam a duração do internamento hospitalar (baixo grau de certeza), os custos e encargos hospitalares (grau de certeza muito baixo) e a adesão às práticas recomendadas (baixo grau de certeza), em comparação com os cuidados habituais.
Quão atualizada se encontra esta revisão?
Esta atualização da revisão procurou por novos estudos até 26 de julho de 2024.
Tradução e revisão final por: Ricardo Manuel Delgado, Knowledge Translation Team, Cochrane Portugal.
Esta revisão Cochrane foi originalmente criada em inglês. A fidelidade da tradução é da responsabilidade da equipa de tradução que a produz. A tradução é produzida com cuidado e segue processos padronizados para assegurar o controlo de qualidade. Todavia, no caso de divergências, traduções imprecisas ou inapropriadas, prevalece o original em Inglês.