Mensagens-chave
-
O aconselhamento, o aconselhamento breve, a vareniclina e a terapia de substituição da nicotina podem ser formas eficazes de ajudar as pessoas a deixarem de consumir tabaco sem combustão.
-
Precisamos de mais investigação em países do Sul e do Sudeste Asiático, onde o tabaco sem combustão é mais utilizado e onde existem mais tipos diferentes de tabaco sem combustão.
O que é o tabaco sem combustão?
O tabaco sem combustão é o tabaco que, em vez de ser fumado num cigarro ou cachimbo, é utilizado mastigando, cheirando ou segurando na boca. Mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo consomem tabaco sem combustão, sendo mais comum no Sul e Sudeste Asiático. Existem muitos tipos diferentes de tabaco sem combustão, que assumem uma variedade de formas (por exemplo, pastilhas, folhas soltas, pós). São frequentemente combinados com uma série de ingredientes adicionais, como a folha de betel, a noz de areca, a cal apagada e aromatizantes. Isto significa que alguns tipos de tabaco sem combustão são provavelmente mais nocivos ou causam mais dependência do que outros.
O que pode ajudar as pessoas a deixarem de consumir tabaco sem combustão?
Há uma série de potenciais auxiliares para deixar de fumar com o tabaco sem combustão, e a maioria já é utilizada para ajudar as pessoas a deixar de fumar. Incluem medicamentos como a terapia de substituição da nicotina (que pode assumir a forma de pastilhas, adesivos ou pastilhas), a vareniclina, o bupropiom e a citisina. Outros apoios para deixar de fumar que não envolvam medicamentos podem incluir aconselhamento, folhetos de autoajuda ou conselhos de um profissional de saúde. Nesta revisão, analisamos qualquer tipo de apoio para deixar de fumar tabaco sem fumo.
O que pretendíamos descobrir?
Ao contrário do tabagismo, existem menos evidências disponíveis sobre as melhores formas de deixar de consumir tabaco sem combustão. Por isso, quisemos reunir informações atualizadas para ver que formas de apoio para deixar de fumar podem ajudar as pessoas a deixar de consumir tabaco sem combustão. Devido à grande variedade de tipos de tabaco sem combustão, também quisemos verificar se existem diferenças na eficácia das ajudas à desabituação para os diferentes tipos de tabaco sem combustão.
O que fizemos?
Procurámos estudos que analisassem qualquer forma de ajudar as pessoas a deixarem de usar tabaco sem fumo. Queríamos saber quantas pessoas deixaram de consumir qualquer tipo de tabaco pelo menos seis meses após o início do estudo, e só incluímos estudos em que os tratamentos que as pessoas receberam foram decididos ao acaso. Esse tipo de estudo fornece evidências mais confiáveis sobre os efeitos dos tratamentos.
O que encontrámos?
Encontrámos 43 estudos com 20.346 pessoas que testaram formas de ajudar as pessoas a deixar de usar tabaco sem fumo. Trinta e três estudos foram realizados na América do Norte, dois na Escandinávia, cinco na Índia, um no Paquistão e um na Turquia. Um estudo foi realizado em três países: Bangladesh, Índia e Paquistão. Os estudos testaram os seguintes tipos diferentes de auxiliares para deixar de fumar.
-
Terapia de substituição da nicotina, vareniclina e bupropiom (todos os medicamentos frequentemente utilizados para ajudar as pessoas a deixar de fumar).
-
Aconselhamento, em que um profissional de saúde ou um conselheiro formado discute as razões e a forma como uma pessoa deve deixar de consumir tabaco.
-
Aconselhamento breve, em que alguém dá um conselho curto (menos de 15 minutos) sobre os perigos do tabaco e porque é que deixar de fumar é uma boa ideia.
Quais são os resultados desta revisão?
-
O aconselhamento ajuda provavelmente mais pessoas a deixar de consumir tabaco sem combustão do que um apoio mínimo ou nenhum apoio. Por cada 100 pessoas que recebem aconselhamento, 23 a 34 podem conseguir parar, em comparação com 16 pessoas que recebem um apoio mínimo ou nenhum apoio.
-
É provável que um breve conselho sobre como deixar de fumar ajude mais pessoas a deixar de consumir tabaco sem combustão do que nenhum apoio. Por cada 100 pessoas que recebem um breve aconselhamento, 15 a 22 poderão parar de fumar com êxito, em comparação com 15 pessoas que não recebem qualquer apoio.
-
A vareniclina ajuda provavelmente mais pessoas a deixar de consumir tabaco sem combustão do que um placebo (tratamento simulado) ou nenhum medicamento. Por cada 100 pessoas que tomam vareniclina, 36 a 56 podem parar com sucesso, em comparação com 33 pessoas que tomam placebo.
-
A terapia de substituição da nicotina pode ajudar mais pessoas a deixar de consumir tabaco sem combustão do que um placebo ou nenhum medicamento. Por cada 100 pessoas que recebem terapia de substituição da nicotina, 29 a 36 podem parar com sucesso, em comparação com 27 pessoas que recebem placebo ou nenhum medicamento.
-
O bupropiom pode ou não ajudar mais pessoas a deixar de consumir tabaco sem fumo do que o placebo ou nenhum medicamento. Por cada 100 pessoas que recebem bupropiom, 10 a 28 podem parar com sucesso, em comparação com 19 pessoas que recebem placebo.
Não encontrámos estudos suficientes sobre os diferentes tipos de tabaco sem combustão para saber se estes afetam a eficácia dos diferentes auxiliares de desabituação.
Quais são as limitações da evidência?
As provas encontradas suscitaram algumas preocupações, o que significa que devemos ser cautelosos na interpretação dos nossos resultados. Alguns dos estudos utilizaram métodos que podem afetar os seus resultados, tornando-os menos fiáveis, e verificámos que, para alguns auxiliares de desistência, não dispúnhamos de informações suficientes para excluir a possibilidade de funcionarem mais ou menos do que o constatado na nossa análise.
Quão atualizada se encontra a evidência?
Incluímos evidência publicada até 16 de fevereiro de 2024.
Tradução e revisão final por: Ricardo Manuel Delgado, Knowledge Translation Team, Cochrane Portugal. NOTA DO TRADUTOR: o termo original smokeless tobacco apresenta várias traduções possíveis: tabaco sem fumo, tabaco sem combustão e, em vários círculos, um dos seus subtipos é conhecido por snus. Respeitando as regras de tradução da COCHRANE CENTRAL, optámos pela sua tradução pelas duas primeiras opções.
Esta revisão Cochrane foi originalmente criada em inglês. A fidelidade da tradução é da responsabilidade da equipa de tradução que a produz. A tradução é produzida com cuidado e segue processos padronizados para assegurar o controlo de qualidade. Todavia, no caso de divergências, traduções imprecisas ou inapropriadas, prevalece o original em Inglês.