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Existem diferenças em termos de benefícios e efeitos adversos entre as técnicas regionais de gestão da dor em mulheres submetidas a cirurgia do cancro da mama?

Mensagens-chave

  • De um modo geral, verificámos que os diferentes bloqueios analgésicos eram semelhantes na gestão da dor após cirurgia do cancro da mama.

  • As taxas de complicações foram baixas em todas as técnicas de bloqueio da dor.

O que é a analgesia regional e como funciona?

A analgesia regional é uma técnica de bloqueio da dor utilizada na cirurgia do cancro da mama. Envolve a injeção de medicamentos analgésicos perto de nervos específicos na área da mama para bloquear os sinais de dor durante e após a cirurgia. Ao contrário dos opioides, que afetam todo o corpo, a analgesia regional visa apenas os nervos. As diferentes técnicas de analgesia regional têm como alvo diferentes nervos, como se mostra de seguida.

  • Bloqueio paravertebral: junto à coluna vertebral

  • Bloqueio do plano do eretor da espinha: ao longo dos músculos das costas

  • Bloqueio do nervo peitoral: na zona do peito

  • Bloqueio do plano serratus anterior: na zona lateral do peito

Porque é que isto é importante para as mulheres que vão ser operadas ao cancro da mama?

A dor após cirurgia da mama pode causar problemas, levar a internamentos mais longos e até resultar em dor a longo prazo. Os opioides, normalmente utilizados para o alívio da dor, têm efeitos secundários como náuseas e vómitos. A analgesia regional é importante porque reduz eficazmente a dor, evitando os riscos associados aos opioides.

O que pretendíamos descobrir?

Esta revisão analisou a eficácia e a segurança das técnicas de analgesia regional. Comparámos diferentes tipos de bloqueios nervosos para ver os seus efeitos nos níveis de dor e possíveis complicações.

O que fizemos?

Procurámos por estudos médicos de alta qualidade que compararam diferentes tipos de bloqueios nervosos para cirurgia de cancro da mama. Analisámos os seus efeitos combinados na dor e nas complicações utilizando métodos estatísticos avançados. Avaliámos o bloqueio do plano eretor da espinha, o bloqueio do nervo peitoral e o bloqueio do plano serratus anterior em comparação com o bloqueio paravertebral.

O que descobrimos?

Incluímos 39 estudos que envolveram 2.348 mulheres. Os estudos foram efetuados entre 2013 e 2023. Os resultados dos parâmetros mais importantes são resumidos de seguida.

  • Para reduzir a dor em repouso duas horas após a cirurgia, o bloqueio do nervo peitoral é ligeiramente mais eficaz do que o bloqueio paravertebral, mas esta diferença não é clinicamente significativa. Em comparação com o bloqueio paravertebral, o bloqueio do plano do eretor da espinha é igualmente eficaz e o bloqueio do plano do serratus anterior tem provavelmente uma eficácia semelhante.

  • Para reduzir a dor durante a mobilização duas horas após a cirurgia, o bloqueio do nervo peitoral pode ser mais eficaz do que o bloqueio paravertebral. O bloqueio do plano eretor da espinha e o bloqueio paravertebral podem ser igualmente eficazes.

  • Para reduzir a dor em repouso 24 horas após a cirurgia, o bloqueio do nervo peitoral é ligeiramente mais eficaz do que o bloqueio paravertebral, mas esta diferença não é clinicamente significativa. Em comparação com o bloqueio paravertebral, o bloqueio do plano do eretor da espinha e o bloqueio do plano do serratus anterior são igualmente eficazes.

  • Para reduzir a dor durante a mobilização 24 horas após a cirurgia, em comparação com o bloqueio paravertebral, o bloqueio do plano eretor da espinha tem provavelmente uma eficácia semelhante, o bloqueio do nervo peitoral pode ter uma eficácia semelhante e o bloqueio do plano do serratus anterior pode ter uma eficácia semelhante, mas o último resultado é muito incerto.

  • Para reduzir a dor em repouso 48 horas após a cirurgia, um estudo relatou não haver diferença entre o bloqueio paravertebral e o bloqueio do plano eretor da espinha, mas o resultado é muito incerto.

  • Para reduzir a dor durante a mobilização 48 horas após a cirurgia, o bloqueio do nervo peitoral e o bloqueio do plano eretor da espinha podem ser igualmente eficazes em comparação com o bloqueio paravertebral, mas ambos os resultados são muito incertos.

  • Nos três estudos que registaram complicações da analgesia regional, não ocorreram complicações.

De um modo geral, verificámos que as diferentes técnicas de analgesia regional foram igualmente eficazes na gestão da dor e que todas apresentaram baixas taxas de complicações.

Quais são as limitações da evidência?

Alguns fatores reduziram a nossa confiança na evidência. Em primeiro lugar, algumas comparações incluíram poucos estudos e participantes, tornando os resultados menos fiáveis. Em segundo lugar, os estudos apresentaram por vezes resultados diferentes, o que torna mais difícil tirar conclusões claras. Em terceiro lugar, excluímos alguns estudos da nossa análise por considerarmos que os seus métodos não eram suficientemente robustos. Por último, nos casos em que os estudos não forneceram resultados, tivemos de os calcular nós próprios, o que pode ter acrescentado alguma incerteza.

Quão atualizada se encontra a evidência?

A revisão encontra-se atualizada até 6 de março de 2023.

Notas de tradução

Traduzido por Beatriz Leal, Serviço de Anestesiologia, Instituto Português de Oncologia de Lisboa, Lisboa, Portugal. Revisão final: Ricardo Manuel Delgado, Knowledge Translation Team, Cochrane Portugal.

Citation
Clephas PRD, Orbach-Zinger S, Gosteli-Peter MA, Hoshen M, Halpern S, Hilber ND, Leo C, Heesen M. Regional analgesia techniques for postoperative pain after breast cancer surgery: a network meta-analysis. Cochrane Database of Systematic Reviews 2025, Issue 6. Art. No.: CD014818. DOI: 10.1002/14651858.CD014818.pub2.

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