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Em comparação com um placebo (tratamento simulado ou inativo), os inibidores da bomba de protões reduzem provavelmente o desenvolvimento de novas úlceras. Diminuem também ligeiramente os sintomas de dispepsia (indigestão). Podem reduzir as complicações da úlcera e provavelmente melhorar ligeiramente a qualidade de vida. Podem ter poucos ou nenhuns efeitos nocivos, mas a evidência é muito incerta.
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Em comparação com os antagonistas dos recetores 2 da histamina (também conhecidos como bloqueadores H2; medicamentos que ajudam a reduzir o ácido do estômago), os inibidores da bomba de protões podem aumentar o desenvolvimento de novas úlceras. A evidência para esta comparação provem apenas de um estudo.
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Em comparação com o misoprostol (medicamento que ajuda a proteger o revestimento do estômago de danos), os inibidores da bomba de protões podem aumentar o desenvolvimento de novas úlceras e podem ter menos efeitos nocivos, mas a evidência é muito incerta. A evidência para esta comparação provem apenas de um estudo.
O que são os anti-inflamatórios não-esteroides, as úlceras, a dispepsia e os inibidores da bomba de protões?
Os anti-inflamatórios não-esteroides são medicamentos habitualmente utilizados para reduzir a dor e a inflamação (a resposta do organismo a uma lesão ou doença). A utilização de anti-inflamatórios não-esteroides durante muito tempo pode causar úlceras, que são lesões (feridas) no revestimento do estômago ou do intestino delgado que causam dor e complicações graves. Uma das complicações é a dispepsia (indigestão ou desconforto na parte superior do abdómen (barriga)). Os inibidores da bomba de protões são medicamentos que reduzem a produção de ácido no suco gástrico (que ajuda a digerir os alimentos), protegendo o estômago dos danos causados pelos anti-inflamatórios não-esteroides.
O que pretendíamos descobrir?
Queríamos determinar se os inibidores da bomba de protões são eficazes na prevenção da dispepsia e das úlceras em pessoas que utilizam anti-inflamatórios não-esteroides durante quatro semanas ou mais. Procurámos obter informações sobre a ocorrência de úlceras, sintomas de dispepsia, efeitos nocivos, complicações das úlceras e qualidade de vida.
O que fizemos?
Procurámos estudos até outubro de 2023. Incluímos estudos que compararam os inibidores da bomba de protões com placebo (tratamento fictício ou inativo), antagonistas dos recetores 2 da histamina (também conhecidos como bloqueadores H2; medicamentos que ajudam a reduzir o ácido do estômago), misoprostol (medicamento que ajuda a proteger o revestimento do estômago contra danos) ou sucralfato (medicamento que trata e previne úlceras no estômago e nos intestinos) em adultos e crianças que utilizaram anti-inflamatórios não-esteroides durante pelo menos quatro semanas.
O que encontrámos?
Encontrámos 12 estudos que envolveram 8.760 adultos que utilizavam anti-inflamatórios não-esteroides. O maior estudo incluiu 2.426 pessoas e o estudo menor 26 pessoas. As pessoas receberam um dos seguintes inibidores da bomba de protões por via oral: esomeprazol, lansoprazol, omeprazol e pantoprazol, mas a maioria dos estudos utilizou o esomeprazol. Dez estudos compararam inibidores da bomba de protões versus placebo, um estudo comparou inibidores da bomba de protões versus misoprostol versus placebo, e um estudo comparou inibidores da bomba de protões versus o bloqueador H2, famotidina. Os estudos duraram cerca de seis meses; apenas um durou 12 meses ou mais. Sete estudos foram financiados por empresas farmacêuticas.
Principais resultados
Em comparação com o placebo, os inibidores da bomba de protões reduzem ligeiramente os sintomas de dispepsia. Os inibidores da bomba de protões provavelmente reduzem o desenvolvimento de novas úlceras em comparação com o placebo (houve 36 novas úlceras por 1.000 pessoas com inibidores da bomba de protões e 119 novas úlceras por 1.000 pessoas com placebo). Os inibidores da bomba de protões podem reduzir as complicações da úlcera em comparação com o placebo (houve 4 complicações por 1.000 pessoas com inibidores da bomba de protões e 11 complicações por 1.000 pessoas com placebo). É provável que os inibidores da bomba de protões melhorem ligeiramente a qualidade de vida.
Os inibidores da bomba de protões podem aumentar o número de novas úlceras em comparação com os bloqueadores H2 (registaram-se 154 novas úlceras por 1.000 pessoas com inibidores da bomba de protões e 77 novas úlceras por 1.000 pessoas com bloqueadores H2).
Os inibidores da bomba de protões podem aumentar o número de novas úlceras em comparação com o misoprostol, mas a evidência é muito incerta. Os inibidores da bomba de protões podem ter menos efeitos nocivos em comparação com o misoprostol, mas a evidência é muito incerta.
Não encontrámos estudos que comparassem os inibidores da bomba de protões com o sucralfato.
Quais são as limitações da evidência?
Exceto no que diz respeito à comparação dos inibidores da bomba de protões versus placebo na formação de novas úlceras e na qualidade de vida, temos uma confiança moderada a reduzida na evidência. Os estudos eram muito pequenos, não apresentavam as medidas em que estávamos interessados, a comparação incluía apenas um estudo e os resultados variavam entre os estudos (alguns estudos encontraram benefícios, enquanto outros encontraram danos).
Quão atualizada se encontra esta revisão?
A evidência encontra-se atualizada até 23 de outubro de 2023.
Tradução e revisão final por: Ricardo Manuel Delgado, Knowledge Translation Team, Cochrane Portugal.
Esta revisão Cochrane foi originalmente criada em inglês. A fidelidade da tradução é da responsabilidade da equipa de tradução que a produz. A tradução é produzida com cuidado e segue processos padronizados para assegurar o controlo de qualidade. Todavia, no caso de divergências, traduções imprecisas ou inapropriadas, prevalece o original em Inglês.