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A pironaridina-artesunato é eficaz no tratamento da malária não complicada causada pelo Plasmodium falciparum (uma forma menos grave de malária).
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A pironaridina-artesunato é geralmente segura, mas algumas pessoas que a recebem apresentam análises sanguíneas que revelam irritação hepática. Normalmente não dura muito tempo e não faz com que as pessoas se sintam doentes.
O que é a malária?
A malária é uma doença tropical grave que é transmitida aos seres humanos por mosquitos que estão infetados com um parasita chamado Plasmodium falciparum. A malária não complicada causada pelo Plasmodium falciparum é uma forma menos grave de malária que pode evoluir para malária grave se não for tratada.
O que é a pironaridina-artesunato para o tratamento da malária?
A pironaridina-artesunato é uma associação de medicamentos para o tratamento da malária não complicada e está incluída num grupo de medicamentos denominados terapias de associação à base de artemisinina. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o tratamento de pessoas com malária com terapias combinadas à base de artemisinina para ajudar a evitar que a malária se torne mais resistente ao tratamento (quando os medicamentos são menos ou já não são eficazes contra os parasitas).
O que pretendíamos descobrir?
Quisemos avaliar a evidência nova e previamente revista para descobrir se a pironaridina-artesunato é eficaz e segura no tratamento da malária não complicada causada pelo Plasmodium falciparum .
O que fizemos?
Nesta atualização da revisão, procurámos estudos que comparassem os benefícios da pironaridina-artesunato com outras terapias de combinação à base de artemisinina para avaliar a sua eficácia contra a malária por Plasmodium falciparum , e procurámos outros estudos que comparassem a pironaridina-artesunato e a pironaridina isolada com outros medicamentos para avaliar potenciais efeitos indesejáveis. Também procurámos obter informações sobre se os doentes aceitavam o medicamento (aceitabilidade) e se este podia ser utilizado facilmente e a baixo custo (viabilidade).
Quais são os resultados principais desta revisão?
Encontrámos 15 estudos com 7.295 pessoas que contribuíram para a nossa avaliação dos benefícios, efeitos indesejáveis, aceitabilidade e viabilidade. Cinco estudos compararam os benefícios e os efeitos indesejáveis da pironaridina-artesunato com a arteméter-lumefantrina em adultos e crianças de todas as idades em África e na Ásia. Um destes estudos também comparou os benefícios e os efeitos indesejáveis da pironaridina-artesunato com o artesunato-amodiaquina em adultos e crianças mais velhas em África, enquanto um outro estudo comparou os benefícios e os efeitos indesejáveis da pironaridina-artesunato com o artesunato-mefloquina em adultos e crianças mais velhas em África e na Ásia. Outros oito estudos relataram a segurança dos medicamentos, incluindo um estudo em mulheres grávidas. Um estudo relatou a aceitabilidade e a exequibilidade da pironaridina-artesunato.
Concluímos que a pironaridina-artesunato trata eficazmente a malária não complicada causada pelo Plasmodium falciparum e pode ser pelo menos tão boa ou melhor do que as terapias combinadas à base de artemisinina existentes, embora a evidência seja limitada para comparações com algumas terapias combinadas à base de artemisinina (estamos moderadamente confiantes nos resultados para a arteméter-lumefantrina e temos confiança baixa a moderada para o artesunato-amodiaquina e artesunato-mefloquina). Estamos confiantes de que a pironaridina-artesunato aumenta o risco de ter resultados anormais nas análises ao sangue, sugerindo um efeito no fígado. Não encontrámos qualquer evidência de que essa lesão hepática fosse grave ou irreversível. Não sabemos como a pironaridina-artesunato pode afetar as pessoas que já sofrem de danos no fígado.
Evidência limitada sugeriu que a pironaridina-artesunato foi considerada um tratamento aceitável, e a maioria das pessoas foi capaz de seguir o tratamento conforme recomendado. Não encontrámos evidência sobre a relação custo-eficácia do medicamento.
Quais são as limitações da evidência?
Uma limitação importante dos resultados da revisão foi a idade das pessoas, uma vez que os estudos incluídos recrutaram maioritariamente crianças mais velhas e adultos. Apenas 1.054/7.295 pessoas eram crianças com menos de cinco anos de idade.
Quão atualizada se encontra a evidência?
Procurámos estudos que tinham sido publicados até 31 de junho de 2024.
Tradução e revisão final por: Ricardo Manuel Delgado, Knowledge Translation Team, Cochrane Portugal.
Esta revisão Cochrane foi originalmente criada em inglês. A fidelidade da tradução é da responsabilidade da equipa de tradução que a produz. A tradução é produzida com cuidado e segue processos padronizados para assegurar o controlo de qualidade. Todavia, no caso de divergências, traduções imprecisas ou inapropriadas, prevalece o original em Inglês.