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Pergunta da revisão

Qual é a eficácia das intervenções baseadas no microbioma intestinal para a gestão do excesso de peso ou da obesidade em crianças e adolescentes em toda a sua diversidade, com idades compreendidas entre os 0 e os 19 anos?

Mensagens-chave

- Não é claro se as intervenções baseadas no microbioma intestinal (intervenções nutricionais que visam os micróbios intestinais) têm um efeito no índice de massa corporal (IMC), peso corporal, tamanho da cintura, percentagem de gordura corporal, medidas da pressão arterial e eventos adversos em crianças e adolescentes com excesso de peso e obesidade.

- É necessária mais investigação, incluindo ensaios de maior dimensão, para compreender os efeitos das intervenções baseadas no microbioma intestinal para a gestão do excesso de peso e da obesidade em crianças e adolescentes.

O que é o excesso de peso ou a obesidade?

O excesso de peso é uma condição de depósitos excessivos de gordura, e a obesidade é uma doença crónica caracterizada por depósitos excessivos de gordura que podem afetar a maioria dos sistemas do corpo, prejudicar a qualidade de vida e reduzir a esperança de vida. O IMC, calculado dividindo o peso de uma pessoa em quilogramas pela sua altura em metros, ao quadrado, é frequentemente utilizado para definir o excesso de peso e a obesidade.

Como se controla o excesso de peso ou a obesidade?

O excesso de peso ou a obesidade podem ser tratados através de alterações na dieta, aconselhamento comportamental para modificar o estilo de vida, medicamentos ou cirurgia. Apesar destas abordagens, esta epidemia mundial afeta mais de 390 milhões de crianças e adolescentes com idades compreendidas entre os 5 e os 19 anos e 37 milhões de crianças com menos de cinco anos de idade em 2022. O excesso de peso ou a obesidade estão associados a um metabolismo anormal e a um desequilíbrio do microbioma intestinal. Trabalhos publicados demonstraram que as intervenções nutricionais que visam o "microbioma intestinal" podem ter efeitos benéficos no peso corporal e na percentagem de gordura corporal. O microbioma intestinal é a comunidade de bactérias inofensivas e outros microorganismos no intestino humano necessários para uma saúde ótima.

O que pretendíamos descobrir?

Queríamos descobrir o efeito de várias intervenções nutricionais dirigidas à comunidade microbiana intestinal sobre o IMC, o peso corporal, o perímetro da cintura, a percentagem total de gordura corporal, a pressão arterial e os eventos adversos associados às intervenções entre crianças e adolescentes em toda a sua diversidade, com idades compreendidas entre os 0 e os 19 anos.

O que fizemos?

Procurámos estudos que examinaram os efeitos de intervenções baseadas no microbioma intestinal, incluindo prebióticos (ingredientes alimentares que promovem micróbios benéficos no intestino), probióticos (micróbios vivos que são bons para a saúde), simbióticos (uma combinação de prebióticos e probióticos), ácidos gordos de cadeia curta (ou seja pequenas moléculas de gordura produzidas por bactérias intestinais através da fermentação de fibras alimentares e hidratos de carbono não digeríveis) e transplante de microbiota fecal (ou seja, uma cápsula contendo micróbios das fezes de um dador saudável), em comparação com os cuidados habituais, placebo, controlo ou nenhuma intervenção em crianças e adolescentes até aos 19 anos de idade. Comparámos e resumimos os resultados dos estudos e classificámos a nossa confiança na evidência com base em fatores como métodos e tamanhos dos estudos.

O que encontrámos?

Encontrámos 17 estudos que envolviam 838 crianças e adolescentes com excesso de peso e obesidade. Os estudos foram realizados em diferentes países, incluindo Espanha, China, Taiwan, Canadá, México, Itália, Polónia, Turquia, Irão, Tailândia, Dinamarca, Nova Zelândia e EUA.

Adolescentes dos 10 aos 19 anos

As intervenções nutricionais dirigidas aos micróbios intestinais podem ter pouco ou nenhum efeito sobre o IMC, o peso corporal, o tamanho da cintura, a percentagem de gordura corporal, a pressão arterial e os acontecimentos adversos, mas a evidência é muito incerta.

Crianças e adolescentes dos 0 aos 19 anos

Não é claro se os prebióticos têm um efeito no tamanho da cintura, na percentagem de gordura corporal, na pressão arterial e nos eventos adversos, em comparação com um tratamento simulado. Um estudo concluiu que os prebióticos, quando comparados com um tratamento simulado (ou seja, uma intervenção que não contém qualquer medicamento, mas que tem um aspeto ou sabor idêntico ao da intervenção que está a ser testada), podem resultar numa pequena redução do IMC e do peso corporal, mas a evidência é muito incerta.

Os probióticos comparados com um tratamento simulado podem ter pouco ou nenhum efeito no IMC, peso corporal, tamanho da cintura, percentagem de gordura corporal, pressão arterial e eventos adversos, mas a evidência é muito incerta.

Não é claro se os simbióticos têm um efeito no IMC, peso corporal, tamanho da cintura, percentagem de gordura corporal, pressão arterial diastólica e eventos adversos em comparação com um tratamento simulado. Um estudo concluiu que os simbióticos podem resultar numa redução da pressão arterial sistólica, mas a evidência é muito incerta.

Não é claro se os ácidos gordos de cadeia curta têm um efeito sobre o peso corporal, a percentagem de gordura corporal, a pressão arterial e os efeitos adversos em comparação com um tratamento simulado. Um estudo concluiu que os ácidos gordos de cadeia curta podem resultar numa redução do IMC e do perímetro da cintura, mas a evidência é muito incerta.

Os efeitos secundários das intervenções não foram, em geral, relatados nos estudos incluídos, mas um estudo observou potenciais efeitos secundários, como cólicas abdominais, desconforto abdominal, dor abdominal, diarreia, vómitos e enxaqueca no grupo dos prebióticos; no entanto, a ocorrência foi muito baixa. Náuseas e dores de cabeça foram notificadas noutro estudo no grupo dos ácidos gordos de cadeia curta, mas foram mínimas.

Quais são as limitações da evidência?

As conclusões da revisão são limitadas pelo pequeno número de participantes, pelo reduzido número de estudos disponíveis para cada uma das comparações, pela falta de dados a longo prazo e pela insuficiente notificação de efeitos adversos.

Quão atualizada se encontra a evidência?

A evidência inclui estudos publicados até janeiro de 2025.

Notas de tradução

Tradução e revisão final por: Ricardo Manuel Delgado, Knowledge Translation Team, Cochrane Portugal.

Esta revisão Cochrane foi originalmente criada em inglês. A fidelidade da tradução é da responsabilidade da equipa de tradução que a produz. A tradução é produzida com cuidado e segue processos padronizados para assegurar o controlo de qualidade. Todavia, no caso de divergências, traduções imprecisas ou inapropriadas, prevalece o original em Inglês.

Citation
Fahim SM, Huey SL, Palma Molina XE, Agarwal N, Ridwan P, Ji N, Kibbee M, Kuriyan R, Finkelstein JL, Mehta S. Gut microbiome-based interventions for the management of obesity in children and adolescents aged up to 19 years. Cochrane Database of Systematic Reviews 2025, Issue 7. Art. No.: CD015875. DOI: 10.1002/14651858.CD015875.

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