A utilização de contracetivos hormonais aumenta o risco de uma mulher contrair o VIH?
Mensagens-chave
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As injeções de DMPA (acetato de medroxiprogesterona depot) provavelmente resultam em pouca ou nenhuma diferença no risco de contrair o VIH em comparação com o dispositivo intrauterino (DIU) de cobre.
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O implante de levonorgestrel (LNG) provavelmente resulta em pouca ou nenhuma diferença no risco de contrair o VIH em comparação com o DIU de cobre.
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É provável que as injeções de DMPA aumentem ligeiramente o risco de contrair o VIH em comparação com os implantes de LNG.
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Não temos a certeza sobre o efeito do DMPA comparado com o enantato de noretisterona (NET-EN) na aquisição do VIH.
O que é o VIH?
O VIH é um vírus que afeta o sistema imunitário do organismo e enfraquece a capacidade de combater as infeções e doenças do dia a dia. O vírus encontra-se nos fluidos corporais de uma pessoa infetada. O vírus é mais frequentemente transmitido de uma pessoa para outra através de relações sexuais não protegidas. As pessoas também podem contrair o vírus através da partilha de agulhas ou seringas. Os bebés podem ser infetados durante a gravidez, o parto ou a amamentação.
Embora não haja cura para o VIH, o tratamento é altamente eficaz e pode melhorar a esperança de vida e a qualidade de vida.
O que é a contraceção?
Os métodos contracetivos são métodos de controlo da natalidade. O objetivo da utilização de contracetivos é evitar uma gravidez não desejada. Existem muitos métodos contracetivos diferentes. Alguns contracetivos contêm hormonas, enquanto outros não. Os métodos modernos mais comuns incluem injeções, implantes, pílulas e dispositivos intra-uterinos (DIUs, que se situam dentro do útero). O DMPA é uma injeção administrada de três em três meses. O implante LNG é colocado sob a pele da parte superior do braço e pode manter-se eficaz durante um período máximo de cinco anos. NET-EN é uma injeção administrada de dois em dois meses, que contém progesterona (um tipo de hormona).
O que pretendíamos descobrir?
Queríamos descobrir se a utilização de contracetivos hormonais coloca as mulheres em maior risco de contrair o VIH do que se utilizassem outros métodos contracetivos.
O que fizemos?
Procurámos todos os estudos que analisaram os efeitos da utilização de contracetivos hormonais em mulheres que vivem em zonas onde existe um risco elevado de serem infetadas pelo VIH. Comparámos e resumimos os resultados destes estudos e classificámos a nossa confiança nas evidências, com base em fatores como os métodos e tamanhos dos estudos.
O que encontrámos?
Encontrámos quatro estudos que envolveram 9.726 mulheres seronegativas. Estávamos interessados no risco de as mulheres contraírem o VIH e no risco de engravidarem.
A revisão concluiu que a utilização de injeções de DMPA provavelmente resulta em pouca ou nenhuma diferença na probabilidade de contrair o VIH quando a comparamos com a utilização de um DIU de cobre.
É provável que a utilização de um implante LNG resulte em pouca ou nenhuma diferença na probabilidade de contrair VIH em comparação com o DIU de cobre.
A utilização de injeções de DMPA ou de implantes de LNG reduz provavelmente o risco de gravidez em comparação com os DIU de cobre, mas este efeito pode dever-se ao ambiente controlado de um estudo que incentiva as mulheres a continuarem a utilizar os seus métodos contracetivos.
Também descobrimos que a utilização de DMPA provavelmente aumenta ligeiramente o risco de infeção pelo VIH quando comparada com a utilização do implante LNG, mas o DMPA provavelmente resulta em pouca ou nenhuma diferença no risco de gravidez em comparação com o LNG.
As evidências são muito incertas quanto ao efeito do DMPA comparado com o NET-EN sobre as probabilidades de contrair o VIH ou de engravidar.
Quais são as limitações da evidência?
Nenhum dos ensaios comparou o risco das mulheres que usam contraceção com o das mulheres que não usam contraceção, por isso não podemos ter a certeza de qual é o risco de uma mulher contrair o VIH se não usar contraceção. Os ensaios analisaram apenas alguns métodos contracetivos específicos e não todos os métodos disponíveis no mercado.
Quão atualizada se encontra esta evidência?
Esta revisão atualiza a revisão anterior. A evidência encontra-se atualizada até 13 de setembro de 2023.
Tradução e revisão final por: Ricardo Manuel Delgado, Knowledge Translation Team, Cochrane Portugal.
Esta revisão Cochrane foi originalmente criada em inglês. A fidelidade da tradução é da responsabilidade da equipa de tradução que a produz. A tradução é produzida com cuidado e segue processos padronizados para assegurar o controlo de qualidade. Todavia, no caso de divergências, traduções imprecisas ou inapropriadas, prevalece o original em Inglês.