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Um estudo bem conduzido mostrou que a quimioterapia administrada por uma artéria, em comparação com a via venosa, provavelmente é melhor para evitar a remoção do olho. Além disso, provavelmente faz pouca ou nenhuma diferença na sobrevida. Também pode fazer pouca ou nenhuma diferença na recorrência do tumor ou no número de eventos adversos graves ou muito graves.
Outros estudos, com menor qualidade metodológica, mostraram que a quimioterapia combinando artéria e veia, em comparação com apenas artéria, pode fazer pouca ou nenhuma diferença na preservação do olho ou na sobrevida.
- Precisamos de estudos maiores e bem conduzidos. Além disso, é importante usar definições claras e padronizadas para os desfechos avaliados.
O que é retinoblastoma e como é tratado?
O retinoblastoma é o câncer ocular mais comum em crianças e, raramente, também pode ocorrer em adultos. Junto com outros tratamentos, a quimioterapia administrada por uma artéria ou por uma veia é uma das principais formas de tratamento. Ela ajuda a reduzir o tumor e a preservar o olho e a visão.
O que queríamos descobrir?
Quisemos avaliar os benefícios e os riscos da quimioterapia administrada por uma artéria em comparação com a via venosa em pessoas com retinoblastoma. Também analisamos a combinação de quimioterapia por artéria e veia em comparação com o uso apenas pela artéria. Focamos principalmente em: controle do tumor, preservação do olho (evitar sua remoção cirúrgica), sobrevida, aparecimento de novos cânceres após o primeiro, recorrência do tumor, disseminação do câncer para outras partes do corpo, e número de eventos adversos graves ou muito graves.
O que nós fizemos?
Buscamos estudos que compararam esses tratamentos. Em seguida, resumimos e avaliamos os resultados e analisamos o grau de confiança das evidências.
O que nós encontramos?
Incluímos seis estudos: três compararam quimioterapia pela artéria com a via venosa (210 participantes, 214 olhos) e três compararam a combinação de artéria e veia com a via arterial isolada (599 participantes, 681 olhos). Todos os participantes eram crianças.
Resultados principais
Os principais resultados consideram um acompanhamento de médio prazo, de até três anos.
Quimioterapia pela artéria em comparação com a veia
Um estudo distribuiu os participantes aleatoriamente em grupos (143 participantes). Nesse estudo, a quimioterapia pela artéria provavelmente foi melhor do que pela veia para evitar a remoção do olho. Além disso, provavelmente não houve diferença na sobrevida. A quimioterapia pela artéria pode resultar em pouca ou nenhuma diferença na recorrência do tumor e no número de eventos adversos graves ou muito graves.
Nos estudos que não distribuíram os participantes de forma aleatória (2 estudos, 67 participantes), temos muita incerteza sobre os efeitos da quimioterapia pela artéria em comparação com a veia no controle do tumor (evitar a remoção cirúrgica do olho) ou no uso de radioterapia para tratar o tumor. Os estudos não relataram o aparecimento de novos cânceres após o primeiro. A quimioterapia pode ter pouco ou nenhum efeito na disseminação do câncer para outras partes do corpo, mas a evidência é muito incerta.
Quimioterapia por artéria e veia em comparação com apenas artéria
A combinação de quimioterapia por artéria e veia, em comparação com apenas artéria (3 estudos, 599 participantes), pode ter pouco ou nenhum efeito no controle do tumor (evitar a remoção do olho) ou no uso de radioterapia para tratar o tumor. No entanto, a evidência é muito incerta. Essa combinação pode resultar em pouca ou nenhuma diferença na preservação do olho ou na sobrevida. Os estudos não relataram o aparecimento de novos cânceres após o primeiro. Não sabemos os efeitos sobre recorrência do tumor, disseminação do câncer ou número de eventos adversos graves ou muito graves, pois a evidência é muito incerta.
Quais são as limitações das evidências?
Quimioterapia pela artéria em comparação com a veia
No estudo que distribuiu os participantes aleatoriamente, temos confiança moderada nos resultados sobre preservação do olho e sobrevida. No entanto, reduzimos nossa confiança devido ao pequeno número de participantes. Temos baixa confiança nos resultados sobre recorrência do tumor e eventos adversos graves ou muito graves. Isso ocorre porque, além do número pequeno de participantes, pode haver dados ausentes, o que reduz a confiabilidade dos resultados.
Não confiamos nos resultados dos estudos que não usaram distribuição aleatória dos participantes. Além disso, esses estudos incluíram poucos participantes.
Quimioterapia por artéria e veia em comparação com apenas artéria
Temos baixa confiança nos resultados sobre preservação do olho e sobrevida, pois os estudos não distribuíram os participantes aleatoriamente. Também não confiamos nos resultados dos outros desfechos pelo mesmo motivo. Além disso, os estudos usaram definições diferentes para os desfechos e apresentaram tempos de acompanhamento variados entre os grupos.
Até quando as evidências incluídas estão atualizadas?
As evidências estão atualizadas até 10 de setembro de 2025.
Ler o resumo científico
A quimioterapia intra-arterial (QIA), a quimioterapia intravenosa (QIV) e a combinação de ambas (QIV + QIA) estão entre as principais opções de tratamento para o retinoblastoma, uma forma rara de câncer infantil. Estudos anteriores que avaliaram as taxas de sucesso desses métodos apresentaram resultados divergentes. Isso ocorreu devido a variação na qualidade das pesquisas, além das diferenças nos tipos de estudo, tamanhos de amostra e definições de desfechos.
Objetivos
Avaliar os benefícios e os riscos da QIA, da QIV e da combinação de ambas em pessoas com retinoblastoma.
Métodos de busca
Realizamos buscas nas bases CENTRAL, MEDLINE e Embase em setembro de 2025. Não utilizamos filtros de busca nem restrições quanto ao idioma ou ao ano de publicação.
Critério de seleção
Incluímos ensaios clínicos randomizados (ECRs) e estudos não randomizados de intervenções (NRSIs) que compararam QIA de primeira linha versus QIV ou QIV + QIA versus QIA em crianças e adultos com diagnóstico confirmado de retinoblastoma, independentemente da gravidade da doença, sexo ou etnia.
Coleta dos dados e análises
Seguimos a metodologia padrão da Cochrane. Avaliamos a certeza das evidências usando a abordagem GRADE.
Nossos principais desfechos foram controle tumoral com preservação do globo ocular, evitando enucleação ou radioterapia externa (EBRT), preservação do globo ocular (global), sobrevida global, neoplasias secundárias, recorrência tumoral, desenvolvimento de metástase e número de eventos adversos de grau 3 e grau 4 ao final do seguimento de curto prazo (< 1 ano), médio prazo (< 3 anos) e longo prazo (> 3 anos).
Principais resultados
Incluímos seis estudos. Três compararam QIA com QIV (um ECR e dois NRSIs) em 210 participantes e 214 olhos. Os outros três compararam QIV + QIA com QIA (três NRSIs) em 599 participantes e 681 olhos. Todos os participantes dos estudos incluídos eram crianças. Os principais resultados apresentados são referentes ao seguimento de médio prazo (até três anos).
QIA versus QIV
Resultados do ECR
A QIA, quando comparada à QIV, provavelmente aumenta a preservação do globo ocular (global) (hazard ratio (HR) 2,01; intervalo de confiança (IC) de 95% 1,17 a 3,45; QIV: 260 por 1000; QIA : 454 por 1000 ( IC 95% 297 a 646/1000); 1 ECR, 143 olhos; moderada certeza da evidência). A QIA, quando comparada à QIV, provavelmente resulta em pouca ou nenhuma diferença na sobrevida global (HR 0,97; IC 95% 0,20 a 4,80; QIV: 950 por 1000; QIA: 951 por 1000 ( IC 95% 769 a 989/1000); 1 ECR, 143 olhos; moderada certeza da evidência). A QIA, quando comparada à QIV, pode resultar em pouca ou nenhuma diferença na recorrência tumoral (RR 0,91; IC 95% 0,45 a 1,86; QIV: 180 per 1000; QIAV: 164 por 1000 ( IC 95% 81 a 335/1000); 1 ECR, 143 olhos; baixa certeza da evidência). A QIA, quando comparada à QIV, pode resultar em pouca ou nenhuma diferença no número de eventos adversos de grau 3 e grau 4 (1 ECR; 143 olhos; baixa certeza da evidência). As limitações das evidência incluem um alto risco de viés e séria imprecisão. Nenhum outro desfecho prioritário foi relatado no ECR.
Resultados do ECR
A evidência é muito incerta quanto ao efeito da QIA, em comparação à QIV, sobre o controle tumoral com preservação do globo ocular, evitando enucleação ou EBRT (1 NRSI; 23 olhos; muito baixa certeza da evidência). Neoplasias secundárias não foram relatadas. A QIA, em comparação à QIV, pode ter pouco ou nenhum efeito sobre o desenvolvimento de metástase, mas a evidência é muito incerta (1 NRSI; 19 participantes; muito baixa certeza da evidência). As limitações das evidências incluem avaliação de risco de viés grave e imprecisão grave. Desfechos adicionais são apresentados na seção de resultados.
QIV + QIA versus QIA
A QIV + QIA, quando comparada à QIA, pode ter pouco ou nenhum efeito sobre o controle tumoral com preservação do globo ocular, evitando enucleação ou EBRT, mas a evidência é muito incerta (1 NRSI; 98 olhos; muito baixa certeza da evidência). A QIV + QIA, quando comparada à QIA, pode resultar em pouca ou nenhuma diferença na preservação do globo ocular (global) (RR 0,96; IC 95% 0,89 a 1,03; QIA: 791 per 1000; QIV + QIA: 758 por 1000 ( IC 95% 703 a 814/1000); 3 NRSIs, 681 olhos; baixa certeza da evidência). A QIV + QIA, quando comparada à QIA, pode resultar em pouca ou nenhuma diferença na sobrevida global (RR 1,02; IC 95% 0,98 a 1,07; QIA: 925 per 1000;QIV + QIA: 944 por 1000 ( IC 95% 904 a 990/1000); 3 NRSIs, 599 participantes; baixa certeza da evidência). Neoplasias secundárias não foram relatadas. A evidência é muito incerta quanto ao efeito da QIV + QIA, em comparação à QIA, sobre a recorrência tumoral (3 NRSIs; 681 olhos; evidência de certeza muito baixa) e sobre o desenvolvimento de metástase (3 NRSIs; 599 participantes; muito baixa certeza da evidência). A evidência também é muito incerta quanto ao efeito da QIV + QIA, em comparação à QIA, sobre o número de eventos adversos de grau 3 e grau 4 (2 NRSIs; 386 participantes; muito baixa certeza da evidência). As limitações das evidências incluem risco de viés sério, inconsistência séria e imprecisão séria. Desfechos adicionais são apresentados na seção de resultados.
Conclusão dos autores
Devido à falta de estudos randomizados que comparem QIA de primeira linha com QIV e QIV + QIA com QIA, a maioria dos estudos incluídos não utilizou mascaramento (cegamento) e tem desenho retrospectivo, o que pode introduzir viés.
Quimioterapia intra-arterial versus Quimioterapia intravenosa
A QIA, quando comparada à QIV, provavelmente aumenta a preservação do globo ocular (global), provavelmente resulta em pouca ou nenhuma diferença na sobrevida global, pode resultar em pouca ou nenhuma diferença na recorrência tumoral e pode resultar em pouca ou nenhuma diferença no número de eventos adversos de grau 3 e grau 4.
Quimioterapia intravenosa + Quimioterapia intra-arterial versus Quimioterapia intra-arterial
A QIV + QIA, quando comparada à QIA, pode resultar em pouca ou nenhuma diferença na preservação do globo ocular (geral) e pode resultar em pouca ou nenhuma diferença na sobrevida global.
Resumo geral
Atualmente, a maioria das evidências sobre esse tema vem de estudos retrospectivos e não randomizados, com poucos estudos randomizados. São necessários mais estudos randomizados, com maior número de participantes e resultados de longo prazo comparáveis, para determinar o efeito da QIA em comparação à QIV, ou da QIV + QIA em comparação à QIA, em pessoas com retinoblastoma. Há uma necessidade urgente de desenvolver uma nomenclatura padronizada e válida internacionalmente para os desfechos, a fim de alcançar maior homogeneidade e resultados mais claros e comparáveis.
Translation notes CD013695.pub2Tradução do Centro Cochrane do Brasil (Obadias Machava e André Silva de Sousa). Contato: tradutores.cochrane.br@gmail.com
Esta revisão Cochrane foi originalmente criada em inglês. A responsabilidade pela precisão da tradução é da equipe de tradução que a produziu. A tradução de revisões é realizada com cuidado e segue processos padronizados para garantir o controle de qualidade. No entanto, em caso de divergências, traduções imprecisas ou inadequadas, prevalece a versão original em inglês.