Mensagens‐chave
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Pode haver pouca ou nenhuma diferença entre os cuidados prestados por um enfermeiro e os cuidados prestados por um médico.
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Embora as evidência sejam incertas, em um pequeno número de casos, os desfechos clínicos (função física e psicológica, controle do diabetes e do eczema) e o desempenho relativo do profissional (avaliação do paciente/precisão da avaliação, seguimento das recomendações da prática, gerenciamento da medicação, identificação de pólipos e tempo decorrido até o início de um procedimento) podem ser melhorados.
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Estudos futuros que utilizem métodos aleatórios para alocar pessoas aos grupos de tratamento são necessários em países de baixa e média renda.
O que queremos dizer com cuidados prestados por um enfermeiro em vez de um médico?
O cuidado prestado por um enfermeiro em vez de um médico refere-se à situação em que tarefas ou funções normalmente desempenhadas por um médico são realizadas por um enfermeiro. Essas ações podem incluir: coletar o histórico do paciente e realizar um exame físico, solicitar exames, prescrever medicamentos e fornecer orientações ao paciente, entre outras. A enfermeira é responsável por prestar os mesmos cuidados ao paciente. Os enfermeiros podem assumir essas funções independentemente do médico ou exercê-las sob a supervisão médica.
Os serviços de saúde enfrentam uma pressão significativa devido ao envelhecimento da população, doenças crônicas, alta carga de trabalho, tratamentos dispendiosos e escassez de médicos. Para oferecer atendimento de alta qualidade, alguns países estão substituindo médicos por enfermeiros devidamente treinados, permitindo assim um melhor acesso aos cuidados e, ao mesmo tempo, controlando os custos da prestação desses cuidados.
O que queríamos descobrir?
Queríamos descobrir se:
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Os cuidados prestados por um enfermeiro diferiram dos cuidados prestados por um médico em relação ao paciente, ao processo de atendimento e aos desfechos econômicos no ambiente hospitalar;
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Os desfechos dos cuidados prestados por um enfermeiro em substituição de um médico variaram de acordo com: o ambiente de saúde, o tipo de paciente, a doença do paciente, o tipo de intervenção, a categoria profissional do enfermeiro, o treinamento adicional fornecido, o nível de responsabilidade do enfermeiro e o método de substituição.
O que fizemos?
Buscamos estudos que comparassem o atendimento prestado por um enfermeiro em vez de um médico em ambientes hospitalares. Incluímos estudos que examinaram os desfechos para o paciente (óbito, eventos de segurança do paciente, desfechos clínicos, qualidade de vida e autoeficácia), os desfechos do processo de atendimento (desempenho relativo do profissional) e os desfechos econômicos (custos diretos).
O que nós encontramos?
Incluímos 82 estudos realizados em todo o mundo, a maioria dos quais foram conduzidos no Reino Unido (32 estudos). Os estudos incluíram um total de 28.041 participantes, com tamanhos variando de 7 a 1.907 participantes. A maioria dos estudos durou 12 meses, com dois estudos durando até cinco anos. Diversos estudos foram finalizados com a alta do paciente ou após o procedimento.
Principais resultados
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Constatamos que a substituição de médicos por enfermeiros provavelmente resulta em pouca ou nenhuma diferença na taxa de mortalidade; pode resultar em pouca ou nenhuma diferença em eventos relacionados à segurança do paciente; e pode resultar em uma ligeira melhora em alguns desfechos clínicos (função física e psicológica, diabetes e controle do eczema). Substituir médicos por enfermeiros provavelmente resulta em pouca ou nenhuma diferença na qualidade de vida e na autoeficácia, podendo levar a uma ligeira melhoria em algumas medidas de desempenho relativo dos profissionais (avaliação do paciente/precisão da avaliação, seguimento das recomendações da clínica, gestão da medicação, identificação de pólipos e tempo decorrido até o início de um procedimento). Não está claro se a substituição de médicos por enfermeiros tem algum efeito sobre os custos diretos.
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Em alguns casos, a qualidade de vida pode ser melhor quando enfermeiros substituem médicos em países de baixa e média renda, mas o desempenho relativo dos profissionais pode ser melhor em países de alta renda.
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Ao considerarmos as diferenças de acordo com o tipo de doença, descobrimos que pode haver algumas melhorias no desempenho relativo dos profissionais de saúde para pacientes com doenças cardiovasculares que frequentam clínicas lideradas por enfermeiros.
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Ao analisarmos diferentes tipos de substituição de médicos por enfermeiros, descobrimos que os desfechos clínicos podem ser melhores quando o atendimento é prestado por um enfermeiro em vez de um médico, tanto em clínicas lideradas por enfermeiros quanto em internações hospitalares. Não foram encontradas diferenças em relação a óbitos, eventos adversos relacionados à segurança do paciente, qualidade de vida ou autoeficácia. Não está claro se existem diferenças no desempenho relativo dos profissionais.
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Ao analisarmos a categoria profissional dos enfermeiros, constatamos que houve menos eventos adversos relacionados à segurança do paciente quando o atendimento foi prestado por enfermeiros especialistas. Não houve diferença entre as categorias de enfermeiros em relação a óbitos, desfechos clínicos, qualidade de vida e autoeficácia.
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Menos ensaios clínicos proporcionaram treinamento adicional para enfermeiros especialistas ou de prática avançada do que para enfermeiros registrados. Não foram encontradas diferenças quando consideramos o treinamento adicional e o nível de responsabilidade para nenhum dos nossos desfechos.
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Em relação ao modo de substituição, os resultados mostraram um melhor desempenho relativo do profissional de saúde, tanto para o atendimento padrão quanto para o atendimento aprimorado, quando enfermeiros substituíram médicos.
Quais são as limitações das evidências?
Temos apenas uma confiança moderada a baixa nas evidência devido às diferenças nos participantes, nas intervenções e na medição dos desfechos. Além disso, apenas um pequeno número de estudos foi realizado em países de baixa e média renda.
Até que ponto estas evidências estão atualizadas?
As evidências estão atualizadas até 25 de junho de 2024.
Ler o resumo científico
Objetivos
O principal objetivo desta revisão foi verificar o impacto da substituição de médicos por enfermeiros no ambiente hospitalar (unidades de internação e clínicas ambulatoriais) nos desfechos dos pacientes, nos desfechos do processo de atendimento e nos desfechos econômicos.
Os objetivos secundários desta revisão foram avaliar se os efeitos da substituição de médicos por enfermeiros diferem de acordo com o contexto de saúde (países de baixa e média renda (incluindo países de baixa renda, renda média-baixa e renda média-alta) versus países de alta renda), tipo de paciente, doença do paciente, tipo de intervenção (cuidado hospitalar, clínicas lideradas por enfermeiros, substituição de função e substituição de tarefa), nível hierárquico do enfermeiro, treinamento adicional, nível de responsabilidade e modo de substituição para clínicas lideradas por enfermeiros (telefone/telessaúde, substituição parcial, substituição aprimorada e substituição total).
Métodos de busca
Realizamos buscas nas bases de dados CENTRAL, MEDLINE, Embase, NHSEED, CINAHL, ProQuest, em dois índices de citações e em dois registros de estudo. Realizamos também buscas manuais, verificação de referências e contatamos os autores dos estudos para identificar estudos elegíveis. Realizamos buscas em cinco bases de dados de literatura cinzenta e contatamos especialistas relevantes para a área da revisão. As evidências estão atualizadas até 25 de junho de 2024.
Conclusão dos autores
Em nossa análise, encontramos pouca ou nenhuma diferença entre a substituição de médicos por enfermeiros e o atendimento liderado por médicos. Embora a substituição de médicos por enfermeiros possa resultar em melhores desfechos em certos casos, as evidência são incertas. Ao considerarmos a substituição de médicos por enfermeiros como uma solução para a escassez de médicos, também precisamos levar em conta o seu impacto na força de trabalho de enfermagem.
Financiamento
Não foi recebido nenhum apoio financeiro.
Registro do protocolo
Protocol (2020) DOI:10.1002/14651858.CD013616
Tradução do Cochrane Brazil (Seu Nome). Contato: tradutores.cochrane.br@gmail.com
Esta revisão Cochrane foi originalmente criada em inglês. A responsabilidade pela precisão da tradução é da equipe de tradução que a produziu. A tradução de revisões é realizada com cuidado e segue processos padronizados para garantir o controle de qualidade. No entanto, em caso de divergências, traduções imprecisas ou inadequadas, prevalece a versão original em inglês.