Passar para o conteúdo principal

Quais são os efeitos da remoção de uma quantidade maior de linfonodos (remoção ampliada) em comparação com a remoção padrão em pessoas submetidas a retirada completa da bexiga por câncer de bexiga?

Mensagens principais

  • A remoção de um maior número de linfonodos (gânglios linfáticos) na região pélvica provavelmente reduz as mortes por câncer de bexiga, mas pode não alterar o risco de morte por qualquer causa nem o retorno do câncer (todos os desfechos avaliados em cinco anos).

  • A remoção de um maior número de linfonodos na região pélvica provavelmente aumenta o risco de complicações graves após a cirurgia, como necessidade de um novo procedimento, retorno ao centro cirúrgico ou internação em unidade de terapia intensiva.

  • São necessários mais estudos para compreender melhor como essas cirurgias afetam a qualidade de vida e a vida diária das pessoas.

O que é a remoção de linfonodos durante a cirurgia de remoção da bexiga?

Os linfonodos são pequenas estruturas do sistema imunológico que ajudam o corpo a combater infecções e doenças. Em alguns casos de câncer de bexiga, pode ser necessário remover toda a bexiga por meio de uma cirurgia chamada cistectomia radical. Durante essa cirurgia, os médicos também removem os linfonodos próximos a bexiga. Isso é feito para verificar se o câncer se espalhou e para ajudar a impedir que ele se espalhe ainda mais.

Nesta revisão, comparamos duas formas de realizar essa cirurgia.

  • Remoção padrão: os linfonodos são removidos até a região em que dois grandes vasos sanguíneos da pelve (as artérias ilíacas interna e externa) se dividem.

  • Remoção ampliada: uma área maior de linfonodos é retirada, alcançando uma região mais alta da parte inferior do abdômen, até um vaso sanguíneo chamado artéria mesentérica inferior.

Nas duas abordagens, os mesmos linfonodos são removidos na parte inferior da pelve. A diferença está em até onde essa remoção se estende para as regiões mais altas.

O que queríamos saber?

Queríamos saber se a remoção ampliada de linfonodos durante a cistectomia radical reduz o risco de morte por qualquer causa, morte por câncer de bexiga e retorno do câncer, em comparação com a remoção padrão de linfonodos. Também avaliamos se a remoção ampliada aumenta o risco de complicações após a cirurgia e como ela pode afetar a qualidade de vida das pessoas.

O que fizemos?

Buscamos estudos que compararam a remoção ampliada com a remoção padrão de linfonodos durante a cirurgia de remoção da bexiga. Em seguida, comparamos e resumimos os resultados desses estudos e avaliamos a certeza da evidência, levando em conta aspectos como os métodos utilizados e o número de participantes.

O que nós encontramos?

Encontramos dois estudos com um total de 993 participantes. A idade média dos participantes variou entre 67 e 69 anos, e o acompanhamento durou entre 58 e 73 meses.

Principais resultados

  • As pessoas submetidas a remoção ampliada de linfonodos viveram, em média, o mesmo tempo que aquelas submetidas a remoção padrão.

  • Em um dos estudos, menos pessoas morreram por câncer de bexiga no grupo submetido a remoção ampliada de linfonodos.

  • Não encontramos evidências claras de diferença no retorno do câncer entre os grupos.

  • As pessoas submetidas a remoção ampliada apresentaram mais complicações graves após a cirurgia, como necessidade de nova cirurgia, reinternação hospitalar ou internação em unidade de terapia intensiva (avaliadas até 90 dias após a cirurgia).

  • As complicações menos graves após a cirurgia, como infecção da ferida, problemas urinários temporários ou dor leve que exigiu medicação adicional, ocorreram com frequência semelhante nos dois grupos (avaliadas até 90 dias após a cirurgia).

  • Nenhum estudo avaliou os efeitos do tratamento na qualidade de vida ou no bem-estar das pessoas.

Quais são as limitações das evidências?

Os dois estudos utilizaram métodos de boa qualidade. No entanto, temos moderada a baixa certeza da evidência para os desfechos avaliados, sobretudo porque os estudos incluíram poucos participantes e os resultados foram diferentes entre eles. Além disso, não encontramos informações sobre qualidade de vida. Os efeitos reais da remoção ampliada de linfonodos podem ser diferentes dos observados nesta revisão. Portanto, são necessários mais estudos de alta qualidade.

Até quando as evidências incluídas estão atualizadas?

Estas evidências estão atualizadas até 24 de setembro de 2025.

Objetivos

Avaliar os efeitos da linfadenectomia pélvica estendida versus a linfadenectomia pélvica padrão em pacientes submetidos a cistectomia para tratamento de carcinoma urotelial da bexiga invasivo muscular (cT2 a cT4a) e não invasivo muscular (cT1 com ou sem carcinoma in situ) refratário ao tratamento.

Métodos de busca

Realizamos uma busca abrangente em múltiplas bases de dados (CENTRAL, PubMed, Embase, Web of Science e LILACS), além de registros de ensaios clínicos e anais de conferências, até 24 de setembro de 2025, sem restrições de idioma ou ano de publicação.

Conclusão dos autores

Esta revisão sistemática atualizada reuniu as evidências dos dois ensaios clínicos randomizados disponíveis sobre o tema. Observamos que a linfadenectomia pélvica estendida provavelmente melhora a sobrevida específica por câncer de bexiga. No entanto, ela pode resultar em pouca ou nenhuma diferença na sobrevida global ou na sobrevida livre de recorrência. Em comparação com a linfadenectomia pélvica padrão, a linfadenectomia pélvica estendida provavelmente aumenta o risco de complicações graves (grau ≥ 3 segundo a classificação de Clavien-Dindo), enquanto apresenta taxas semelhantes de complicações menores (grau ≤ 2) nos primeiros 90 dias após a cirurgia. Esses achados mostram um possível equilíbrio entre os benefícios oncológicos da linfadenectomia pélvica estendida e o aumento do risco de complicações graves em pacientes submetidos a cistectomia radical.

Financiamento

Nenhum.

Registro do protocolo

Protocolo (2018) disponível em https://www.crd.york.ac.uk/PROSPERO/view/CRD42018116290

Revisão original (2019) DOI: 10.1002/14651858.CD013336

Notas de tradução

Tradução do Centro Cochrane do Brasil (Obadias Machava e André Silva de Sousa). Contato: tradutores.cochrane.br@gmail.com

Esta revisão Cochrane foi originalmente criada em inglês. A responsabilidade pela precisão da tradução é da equipe de tradução que a produziu. A tradução de revisões é realizada com cuidado e segue processos padronizados para garantir o controle de qualidade. No entanto, em caso de divergências, traduções imprecisas ou inadequadas, prevalece a versão original em inglês.

Citation
Lee CH, Shepherd A, Sathianathen N, Hwang JE, Hwang EC, Kim MH, Narayan V, Jung JH, Dahm P. Extended versus standard lymph node dissection for urothelial carcinoma of the bladder in people undergoing radical cystectomy. Cochrane Database of Systematic Reviews 2026, Issue 4. Art. No.: CD013336. DOI: 10.1002/14651858.CD013336.pub2.

O nosso uso de cookies

Usamos cookies necessárias para fazer nosso site funcionar. Gostaríamos também de definir cookies analíticos opcionais para nos ajudar a melhorar nosso site. Não vamos definir cookies opcionais a menos que você as habilite. A utilização desta ferramenta irá colocar uma cookie no seu dispositivo para lembrar as suas preferências. Você sempre pode alterar suas preferências de cookies a qualquer momento clicando no link 'Configurações de cookies' no rodapé de cada página.
Para informações mais detalhadas sobre as cookies que utilizamos, consulte nossa Página das Cookies.

Aceitar todas
Configure