Mensagens-chave
- Não encontrámos evidência suficiente para apoiar a utilização de um regime de ciclo (abordagem) em detrimento de outro na preparação para a transferência de embriões congelados e descongelados (FET) em mulheres com ciclos ovulatórios regulares que têm dificuldade em engravidar (mulheres subférteis).
- São necessários estudos maiores e bem conduzidos, particularmente aqueles que investigam as abordagens mais simples ou mais baratas de transferência de embriões congelados-descongelados.
O que é a transferência de embriões congelados e descongelados (FET)?
Nas mulheres subférteis submetidas a tecnologias de reprodução assistida, os óvulos são recolhidos dos ovários e fertilizados por espermatozoides num laboratório (fertilização in vitro ou FIV). Alguns ou todos os embriões podem ser congelados, sendo descongelados e transferidos para o útero numa fase posterior. A isto chama-se transferência de embriões congelados e descongelados (FET).
Às mulheres com períodos espontâneos regulares (ciclos menstruais) pode ser proposto um conjunto de regimes de ciclos para preparar o revestimento do útero (o endométrio) para a FET. Em alternativa, a FET pode ser realizada após uma ovulação espontânea (libertação de um óvulo) num ciclo natural. A isto chama-se FET de ciclo natural.
As mulheres com ciclos irregulares não estão a ovular ou estão a ovular de forma aleatória. Por conseguinte, a FET de ciclo natural não é adequada para estas pessoas. A estas mulheres pode ser proposta a indução da ovulação com medicamentos para a fertilidade ou a terapia hormonal (TH) para as preparar para a FET.
Os regimes mais comuns para a FET são o ciclo natural com ou sem HCG (gonadrotofina coriónica humana) para desencadear a ovulação, ou a preparação endometrial com HT com ou sem um agonista da hormona libertadora de gonadotrofina (GnRHa) para suprimir temporariamente a função ovárica.
O que pretendíamos descobrir?
Realizámos esta revisão para descobrir se um determinado regime de FET é mais eficaz ou mais seguro do que outros. Os nossos principais resultados foram as taxas de nascimentos vivos e de abortos espontâneos por mulher.
O que fizemos?
Procurámos estudos que comparassem um tipo de regime de ciclo com outro em mulheres subférteis (incluindo mulheres com ovulação regular, ovulação irregular ou aleatória, ou sem ovulação). Comparámos e resumimos os resultados dos estudos, classificando a nossa confiança na evidência com base em fatores como os métodos e a dimensão dos estudos.
O que encontrámos?
Incluímos 32 estudos, que envolveram 6.352 mulheres. A maioria dos estudos incluiu mulheres com ciclos ovulatórios regulares. Forneciam pouca ou nenhuma informação sobre as mulheres com ciclos ovulatórios irregulares ou inexistentes. Os estudos foram realizados no Irão (11 estudos), Bélgica (quatro estudos), Itália (três estudos), mais dois estudos cada na China, França, Israel, Turquia e Reino Unido; e um estudo cada no Egito, Singapura, Espanha e Países Baixos.
Principais resultados
Esta revisão não encontrou evidência suficiente para apoiar a utilização de um regime de ciclo em detrimento de outro na preparação para FET em mulheres subférteis com ciclos ovulatórios regulares. As abordagens mais comuns para a FET são o ciclo natural com ou sem HCG para desencadear a ovulação ou a preparação endometrial com HT, com ou sem supressão de GnRHa. Identificámos seis comparações diretas entre estas duas abordagens e não havia evidência suficiente para apoiar a utilização de uma em detrimento da outra.
Quais são as limitações da evidência?
Temos pouca confiança na evidência porque os estudos incluídos eram pequenos e com poucos resultados relatados.
Quão atualizada se encontra esta evidência?
A evidência está atualizada até 19 de dezembro de 2022.
Tradução e revisão final por: Ricardo Manuel Delgado, Knowledge Translation Team, Cochrane Portugal.
Esta revisão Cochrane foi originalmente criada em inglês. A fidelidade da tradução é da responsabilidade da equipa de tradução que a produz. A tradução é produzida com cuidado e segue processos padronizados para assegurar o controlo de qualidade. Todavia, no caso de divergências, traduções imprecisas ou inapropriadas, prevalece o original em Inglês.