Mensagens-chave
-
Para pessoas com doença renal crónica (DRC) (danos a longo prazo nos rins que reduzem a sua capacidade de filtrar o sangue), ter também diabetes (uma doença crónica que faz com que o nível de açúcar no sangue se torne demasiado elevado) aumenta as probabilidades de morte precoce, ataque cardíaco, acidente vascular cerebral e reduz a qualidade de vida da pessoa.
-
Não é claro se as tiazolidinedionas (medicamentos que reduzem os níveis de açúcar no sangue) previnem a morte associada a um problema cardíaco ou a eventos hipoglicémicos graves (uma situação em que o nível de glicose no sangue desce demasiado, causando sintomas como tremores, tonturas e suores), ou se previnem complicações cardíacas ou renais em pessoas com DRC e diabetes tipo 2.
-
Não é claro se as tiazolidinedionas apresentam benefícios e riscos semelhantes aos de outros fármacos para a diabetes em pessoas com DRC e diabetes tipo 2.
Porquê tratar as pessoas com doença renal crónica e diabetes tipo 2 com tiazolidinedionas?
As tiazolidinedionas são medicamentos que reduzem os níveis de glicose no sangue e são atualmente utilizadas para ajudar as pessoas com doença renal crónica (DRC: definida como a lesão a longo prazo dos rins que reduz a sua capacidade de filtrar o sangue) e diabetes tipo 2.
O que pretendíamos descobrir?
Queríamos descobrir se as tiazolidinedionas ajudam a prevenir a morte, complicações cardíacas e renais em pessoas que têm DRC e diabetes tipo 2.
O que fizemos?
Analisámos se as tiazolidinedionas evitam que as pessoas sofram complicações como morte, ataque cardíaco, acidente vascular cerebral, eventos hipoglicémicos (situação em que o nível de glucose no sangue desce demasiado, causando sintomas como tremores, tonturas e suores), problemas renais ou outros problemas de circulação quando têm uma função renal baixa e diabetes tipo 2. Procurámos todos os ensaios clínicos aleatorizados disponíveis (estudos em que as pessoas são distribuídas aleatoriamente por diferentes opções de tratamento) para determinar se este tipo de medicação é eficaz na prevenção destas complicações. Avaliamos também a nossa confiança nos resultados dos estudos de investigação disponíveis.
O que descobrimos?
Encontrámos 85 estudos clínicos que envolveram 3.044 pessoas com uma doença renal e diabetes tipo 2. Os participantes nos estudos tomaram uma tiazolidinediona, um comprimido de açúcar (placebo), apenas os cuidados habituais, diferentes doses de tiazolidinedionas ou um medicamento diferente para a diabetes (por exemplo, insulina ou metformina). O tratamento que receberam foi decidido por acaso (tal como atirar uma moeda ao ar). Apenas um estudo envolveu crianças.
Combinando todos os estudos, concluímos que ainda não sabemos se o tratamento com tiazolidinedionas ajuda a reduzir as probabilidades de uma pessoa morrer diretamente devido a um problema cardíaco ou a eventos hipoglicémicos graves, definidos como níveis de açúcar no sangue (glicose) inferiores ao intervalo padrão que requerem assistência de terceiros. Não podemos ter a certeza se o tratamento previne a morte, ataques cardíacos, acidentes vasculares cerebrais, problemas com níveis muito baixos de açúcar no sangue ou problemas renais, porque não encontrámos informação nos estudos disponíveis que nos permita ter essa certeza. Também não podemos ter a certeza se as tiazolidinedionas são melhores ou piores do que outros tratamentos para a diabetes ou os efeitos de diferentes doses, uma vez que isto não foi extensivamente estudado em ensaios clínicos.
Quais são as limitações da evidência?
Alguma da informação contida nos estudos era difícil de utilizar ou fornecia dados de baixa qualidade e, como resultado, temos menos certezas sobre se o tratamento causa efeitos secundários. Foram comunicados dados insuficientes em pessoas com insuficiência renal avançada. De um modo geral, os efeitos das tiazolidinedionas em pessoas com DRC e diabetes tipo 2 foram insuficientes para permitir conclusões definitivas. Estudos futuros abordarão os benefícios e os riscos das tiazolidinedionas neste contexto, comunicando os principais resultados de acordo com as prioridades das partes interessadas, para melhor informar na tomada de decisões.
Quão atualizada se encontra esta evidência?
A evidência encontra-se atualizada até outubro de 2024.
Traduzido por: André Coelho dos Santos, Unidade Local de Saúde Lisboa Ocidental, Lisboa, Portugal. Revisão final: Ricardo Manuel Delgado, Cochrane Portugal.
Esta revisão Cochrane foi originalmente criada em inglês. A fidelidade da tradução é da responsabilidade da equipa de tradução que a produz. A tradução é produzida com cuidado e segue processos padronizados para assegurar o controlo de qualidade. Todavia, no caso de divergências, traduções imprecisas ou inapropriadas, prevalece o original em Inglês.