Mensagens-chave
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Recém-nascidos que recebem sacarose (água com açúcar) durante procedimentos com agulha provavelmente sentem menos dor durante e logo após o procedimento do que aqueles que não recebem nada, recebem água ou recebem medidas padrão de conforto.
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A sacarose parece reduzir mais a dor do que o uso da chupeta. Não há evidência de boa qualidade sobre o efeito da sacarose em comparação com o contato pele a pele.
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Nenhum estudo relatou efeitos colaterais prejudiciais, como engasgo ou apneia (pausa temporária na respiração).
O que é analgesia com sacarose (alívio da dor)?
A sacarose é o açúcar de mesa. Quando diluída em água e usada em pequenas quantidades, pode servir como forma de alívio da dor em recém-nascidos. Os profissionais aplicam gotas de sacarose na língua do bebê cerca de dois minutos antes e/ou imediatamente antes da punção venosa (venopunção), que é a inserção de uma agulha em uma veia para coletar sangue ou administrar tratamento.
Por que o alívio da dor é importante para recém-nascidos hospitalizados?
Recém-nascidos prematuros (nascidos antes do tempo) e a termo (nascidos no tempo adequado) internados são submetidos a muitos procedimentos dolorosos para receber medicamentos e investigar problemas de saúde. A dor pode ter várias consequências nesses bebês. Ela pode prejudicar o crescimento físico e afetar o desenvolvimento do cérebro. Por isso, é fundamental reduzir ao máximo a dor para promover um desenvolvimento saudável.
O que queríamos saber?
Queríamos descobrir quais são os efeitos da sacarose no alívio da dor em recém-nascidos durante e logo após punções com agulha. Também comparamos a sacarose com outros métodos de alívio da dor, como sucção da chupeta, amamentação ou contato pele a pele com a mãe ou o pai. Além disso, investigamos se a sacarose causa efeitos negativos.
O que nós fizemos?
Buscamos estudos que avaliaram o efeito analgésico da sacarose em comparação com outros métodos (por exemplo, amamentação, chupeta e contato físico). Resumimos os resultados e avaliamos nossa confiança nas evidências com base em fatores como o número de recém-nascidos incluídos e a qualidade metodológica dos estudos.
O que encontramos?
Encontramos 29 estudos com 2.764 recém-nascidos. Os estudos utilizaram diferentes doses de sacarose e diferentes formas de administração. Esses estudos foram realizados em várias regiões do mundo, principalmente na Ásia, além de Europa, América do Norte e América do Sul. Todos os estudos foram ensaios clínicos randomizados, nos quais os bebês foram distribuídos aleatoriamente em dois ou mais grupos de tratamento. Esse tipo de estudo ajuda a garantir que os grupos sejam semelhantes e que pesquisadores e familiares não saibam qual tratamento cada bebê recebeu. Nenhum estudo foi financiado pela indústria farmacêutica.
Principais resultados
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A sacarose provavelmente reduz a dor durante e logo após (de 30 segundos a 1 minuto) a inserção da agulha, em comparação com nenhuma intervenção analgésica (como água).
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A sacarose pode fazer pouca ou nenhuma diferença na dor durante o procedimento quando comparada ao contato pele a pele.
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A sacarose provavelmente reduz a dor durante a inserção da agulha em comparação com a amamentação.
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A sacarose (associada à chupeta) provavelmente reduz a dor durante e logo após (de 30 segundos a 2 minutos) a inserção da agulha, em comparação com o uso isolado da chupeta.
Nenhum estudo relatou efeitos adversos em nenhuma das comparações avaliadas.
Quais são as limitações das evidências?
Sacarose versus nenhuma intervenção ou água
Temos moderada certeza da evidência de que a sacarose provavelmente reduz a dor em comparação com nenhuma intervenção. No entanto, é possível que as pessoas nos estudos soubessem qual tratamento estava sendo administrado, e os estudos incluíram poucos bebês.
Sacarose versus cuidados pele a pele
Não temos certeza de que a sacarose reduza a dor mais do que o contato pele a pele, pois os dois estudos apresentaram resultados muito diferentes. É provável que pesquisas futuras alterem esses resultados.
Sacarose versus amamentação
Temos moderada certeza da evidência de que a sacarose provavelmente reduz mais a dor do que a amamentação. No entanto, o estudo não descreveu claramente como foi conduzido.
Sacarose versus chupeta
Temos moderada certeza da evidência de que a sacarose associada à chupeta provavelmente reduz mais a dor do que o uso isolado da chupeta. Os estudos diferiram quanto à forma de uso da sacarose, incluindo dose, modo de administração e associação com chupeta.
Até quando as evidências incluídas estão atualizadas?
As evidências estão atualizadas até julho de 2024.
Ler o resumo científico
Objetivos
Avaliar os benefícios e os danos da administração oral de sacarose para alívio da dor durante punção venosa em neonatos pré-termo e a termo, em comparação com nenhuma intervenção, cuidados padrão e outros tipos de intervenções analgésicas.
Métodos de busca
Realizamos buscas nas bases de dados CENTRAL, MEDLINE, Ovid Embase e registros de ensaios clínicos em julho de 2025. Também pesquisamos China National Knowledge Infrastructure, VIP Chinese Science and Technology Periodicals e Wanfang Data em agosto de 2024. Além disso, verificamos as listas de referências dos estudos incluídos e de revisões sistemáticas relacionadas ao tema.
Conclusão dos autores
As evidências atuais sugerem que a sacarose provavelmente reduz a intensidade da dor durante e logo após a punção venosa, em comparação com nenhuma intervenção, água ou cuidados padrão. As evidências são muito incertas quanto ao efeito da sacarose em comparação com o contato pele a pele. Em comparação com a amamentação, a sacarose provavelmente reduz a dor durante a punção venosa, mas pode haver pouca ou nenhuma diferença dois minutos após o procedimento. As evidências sugerem que a sacarose associada à SNN provavelmente reduz a dor durante e após a punção venosa, em comparação com SNN isolada. A sacarose isolada provavelmente resulta em pouca ou nenhuma diferença na dor dois minutos após a punção venosa em comparação com SNN.
Financiamento
Esta revisão não recebeu financiamento específico.
Registro do protocolo
Protocolo disponível em doi/10.1002/14651858.CD015221.
Tradução do Cochrane Brazil (Elayne Rayane Diniz Melo e André Silva de Sousa). Contato: tradutores.cochrane.br@gmail.com
Esta revisão Cochrane foi originalmente criada em inglês. A responsabilidade pela precisão da tradução é da equipe de tradução que a produziu. A tradução de revisões é realizada com cuidado e segue processos padronizados para garantir o controle de qualidade. No entanto, em caso de divergências, traduções imprecisas ou inadequadas, prevalece a versão original em inglês.