Mensagens-chave
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Após seis meses de tratamento, os medicamentos chamados "biológicos" parecem funcionar melhor para eliminar as manchas elevadas de psoríase na pele.
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São necessários estudos mais longos para avaliar os benefícios e os potenciais efeitos indesejáveis de um tratamento mais longo com medicamentos injetáveis ou administrados por via oral para tratar a psoríase.
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São necessários mais estudos que comparem diretamente estes tipos de medicamentos entre si.
O que é a psoríase?
O sistema imunitário mantém os germes e outras substâncias estranhas fora do corpo e destrói as que entram. A psoríase é uma doença imunitária em que o sistema imunitário não funciona como deveria. A psoríase afeta a pele e, por vezes, as articulações. A psoríase acelera a produção de novas células da pele, que se acumulam para formar manchas elevadas na pele, conhecidas como "placas". As placas podem ser escamosas, com prurido e avermelhadas na pele branca e manchas mais escuras nos tons de pele mais escuros. A psoríase em placas é a forma mais comum de psoríase.
Como é que a psoríase é tratada?
Os tratamentos dependem da gravidade dos sintomas. Cerca de uma em cada 10 a duas em cada 10 pessoas com psoríase moderada ou grave terão de tomar medicamentos que afetam o sistema imunitário para ajudar a controlar a psoríase. Estes medicamentos são chamados tratamentos sistémicos, porque afetam todo o organismo. Estes são normalmente tomados por via oral ou injetados.
Porque é que fizemos esta revisão Cochrane?
Existem três tipos diferentes de medicamentos sistémicos para tratar a psoríase.
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"Biológicos" - proteínas, como os anticorpos, que têm como alvo as interleucinas e as citocinas (partes do sistema imunitário que afetam o comportamento das células).
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Tratamentos sintéticos direcionados - medicamentos produzidos por seres humanos que afetam as células imunitárias (por exemplo, apremilast).
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Medicamentos não direcionados - medicamentos utilizados há muito tempo no tratamento da psoríase, como o metotrexato, a ciclosporina e os retinoides.
Queríamos compreender os benefícios e os potenciais efeitos indesejáveis de tomar medicamentos sistémicos para tratar a psoríase, e ver se alguns medicamentos funcionam melhor do que outros.
O que fizemos?
Procurámos estudos que testaram medicamentos sistémicos em adultos com psoríase em placas moderada a grave.
O que encontrámos?
Encontrámos 204 estudos, incluindo 26 novos estudos desde a nossa última pesquisa em julho de 2024. Os estudos testaram 26 medicamentos diferentes, abrangendo 67.889 adultos com psoríase (idade média de 44,4 anos) e tiveram uma duração de dois a seis meses. Dos 177 estudos que indicaram a sua fonte de financiamento, 157 foram financiados por empresas farmacêuticas e 27 não indicaram a fonte de financiamento.
A maioria dos estudos compararam os medicamentos sistémicos com um placebo (um tratamento inativo que não contém qualquer medicamento, mas que parece idêntico ao medicamento que está a ser testado). Utilizaram uma escala de medição comum denominada Índice de Gravidade da Área de Psoríase para comparar a forma como cada medicamento eliminava as placas de psoríase da pele, procurando uma melhoria de 90%. Poucos estudos referiram o bem-estar das pessoas.
Comparámos todos os medicamentos entre si.
Quais são os principais resultados da nossa revisão?
Todos os medicamentos testados funcionaram melhor do que um placebo no tratamento da psoríase, quando medido como uma melhoria de 90% no Índice de Gravidade da Área de Psoríase.
Os medicamentos biológicos (que tinham como alvo moléculas denominadas interleucinas 17, 23, 12/23 e a citocina TNF-alfa) trataram a psoríase melhor do que os tratamentos sintéticos dirigidos e os medicamentos não dirigidos.
Em comparação com o placebo, cinco medicamentos biológicos funcionaram melhor no tratamento da psoríase, com poucas diferenças entre eles:
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infliximab (tem como alvo o TNF-alfa);
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ixekizumab, bimekizumab, xeligekimab (têm como alvo a interleucina-17); e
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risankizumab (tem como alvo a interleucina-23).
Não encontrámos evidência de uma diferença no número de acontecimentos indesejáveis graves para todos os medicamentos sistémicos testados quando comparados com um placebo. No entanto, os estudos não apresentaram de forma consistente resultados sobre danos, tais como acontecimentos indesejáveis graves. Por conseguinte, não temos certezas quanto a esta questão.
Limitações da evidência
Descobrimos que, em comparação com o placebo, os medicamentos biológicos infliximab, xeligekimab, bimekizumab, ixekizumab e risankizumab foram os tratamentos mais eficazes para alcançar uma melhoria de 90% no Índice de Gravidade da Área de Psoríase em pessoas com psoríase moderada a grave. Estamos confiantes nos nossos resultados para o bimekizumab e moderadamente confiantes nos nossos resultados para o infliximab, ixekizumab, xeligekimab e risankizumab.
Estamos menos confiantes nos nossos resultados relativamente aos acontecimentos indesejáveis graves, devido ao número reduzido de casos notificados.
Também estamos menos confiantes nos resultados relativos aos medicamentos não-alvo devido a preocupações sobre a forma como alguns dos estudos foram conduzidos. É provável que novos estudos venham a alterar estes resultados.
Não encontrámos muitos estudos para alguns dos 26 medicamentos incluídos na nossa revisão. As pessoas que participaram nos estudos tinham frequentemente psoríase grave no início do estudo, pelo que os nossos resultados podem não ser úteis para pessoas cuja psoríase é menos grave. Os nossos resultados referem-se apenas ao tratamento com medicamentos sistémicos durante um período máximo de seis meses.
Quão atualizada se encontra esta revisão?
Incluímos estudos até julho de 2024.
Nota editorial: esta é uma revisão sistemática viva. As revisões sistemáticas vivas oferecem uma nova abordagem à atualização de revisões, na qual a revisão é continuamente atualizada, incorporando evidência nova relevante à medida que a mesma se torna disponível.
Traduzido por: João Cruz Araújo, Unidade de Saúde Familiar São Salvador, Unidade Local de Saúde de Braga. Revisão final: Ricardo Manuel Delgado, Knowledge Translation Team, Cochrane Portugal.