Medicamentos para o tratamento da dependência de maconha

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Introdução

A maconha é a droga ilícita mais comum no mundo. A procura por tratamento pelos consumidores de maconha tem aumentado na maioria das regiões do mundo. Atualmente não há medicamentos específicos para o tratamento do consumo de maconha. Esta revisão procurou avaliar a eficácia e segurança dos medicamentos para o tratamento da dependência de maconha.

Data da busca

Nós buscamos na literatura científica em fevereiro e março de 2014.

Características dos estudos

Nós identificamos 14 estudos randomizados controlados(estudos clínicos onde pessoas foram alocadas randomicamente em um de dois ou mais grupos de tratamento) envolvendo 958 participantes dependentes de maconha. As principais características do uso de drogas dependentes são de uso compulsivo, perda de controle sobre o uso e os sintomas de abstinência quando dacessação do uso de drogas. Esta revisão incluiu estudos onde os participantes foram descritos como dependente ou eram susceptíveis de ser dependentse com base no consumo de maconha vários dias por semana, ou diariamente.

A idade média dos participantes foi de 33 anos, excluindo dois estudos que tiveram como alvo pessoas mais jovens. A maioria (80%) participantes do estudo eram do sexo masculino. A maioria (10) dos estudos foram realizados nos EUA, com três ocorrendo na Austrália e um em Israel. Os estudos envolveram uma ampla gama de medicamentos para reduzir os sintomas de abstinência de maconha e promover a cessação ou a redução do consumo de maconha.

Dois estudos receberam medicamentos do estudo da empresa de fabricação de produtos farmacêuticos, mas nenhum foi financiado por empresas farmacêuticas.

Resultados principais

Os efeitos de muitos dos medicamentos que avaliamos nesta revisão eram incertos. Com base nas evidências disponíveis, antidepressivos, bupropiona, buspirona e atomoxetina são, provavelmente, de pouco valor no tratamento de dependência de maconha. Preparações contendo tetra-hidrocanabinol (THC), o principal ingrediente psicoactivo da maconha, são de valor potencial no tratamento de dependência de maconha, mas limitações na evidência são tais que esta aplicação de preparações de THC deve ser considerado ainda em fase experimental. Os dados disponíveis sobre gabapentina e N-acetilcisteína sugerem que estes medicamentos pode valer a pena uma investigação mais aprofundada, mas neste momento não é possível avaliar a sua eficácia.

Qualidade da evidência

A qualidade da evidência para muitos dos resultados desta avaliação foi rebaixado porque cada medicamento foi investigada por apenas um ou dois estudos, cada estudo envolveu pequeno número de participantes, houve alguma inconsistência nos resultados, e um risco de viés devido ao abandono do tratamento por participantes do estudo.

Conclusão dos autores: 

Há evidências incompletas para todos as farmacoterapias investigadas, e para muitos dos resultados a qualidade foi rebaixado devido ao pequeno tamanho das amostras, inconsistência e risco de viés de atrito. As análises quantitativas que foram possíveis, combinadas com os resultados gerais dos estudos revisados, indicam que os antidepressivos SSRI, antidepressivos ação mista, antidepressivos atípicos (bupropiona), ansiolíticos (buspirona) e inibidores da recaptação de norepinefrina (atomoxetine) são provavelmente de pouco valor no tratamento da dependência de maconha. Preparações contendo tetra-hidrocanabinol (THC) são de valor potencial no tratamento de dependência de maconha, mas limitações na evidência são tais que esta aplicação de preparações de THC deve ser considerada ainda em fase experimental. Novos estudos devem comparar diferentes preparações de THC, dose e duração do tratamento, medicamentos e terapias adjuntas. A base de evidências para o anticonvulsivante gabapentina e o modulador glutamatérgico N-acetilcisteína é fraco, mas estes medicamentos também merecem uma investigação mais aprofundada.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

A maconha é a droga ilícita mais prevalente no mundo. A demanda por tratamento de transtornos por uso de maconha está a aumentar. Atualmente não há farmacoterapias aprovadas para o tratamento de transtornos por uso de cannabis.

Objetivos: 

Para acessar a eficácia e a segurança das farmacoterapias, comparando-se umas as outras, com placebo ou tratamento de suporte para reduzir os sintomas de abstinência de maconha e promover a cessação ou a redução do consumo de maconha.

Estratégia de busca: 

Nós procuramos o Cochrane Central Register de Ensaios Controlados (CENTRAL) (até 4 de Março de 2014), MEDLINE (até a terceira semana de fevereiro de 2014), EMBASE (até 3 de Março de 2014) e PsycINFO (até a quarta semana de fevereiro de 2014). Nós também procuramos nas listas de referências dos artigos, fontes eletrônicas de trabalhos em curso e anais de congressos, e contactamos os investigadores selecionados ativos na área.

Critérios de seleção: 

Estudos randomizados e quasi-randomizados controlados envolvendo o uso de medicamentos para reduzir os sinais e sintomas de abstinência de cannabis ou para promover a cessação ou a redução do consumo de cannabis, ou de ambos, em comparação com outros medicamentos, placebo ou nenhuma medicação (tratamento de suporte) em participantes diagnosticados como dependentes de maconha ou que eram susceptíveis de ser dependentes.

Coleta dos dados e análises: 

Nós utilizamos os procedimentos metodológicos padrão da Colaboração Cochrane. Dois autores avaliaram independentemente os ensaios clínicos para inclusão e extração dos dados. Todos os autores da revisão confirmaram as decisões de inclusão e todo o processo.

Resultados principais: 

Nós incluímos 14 estudos randomizados controlados envolvendo 958 participantes. Para 10 estudos, a idade média foi de 33 anos; dois estudos direcionados aos jovens; e dados de idade não estavam disponíveis para dois estudos. A maioria (80%) participantes do estudo eram do sexo masculino. Os estudos tiveram um baixo risco de viés de seleção,de desempenho e de resultado. Três estudos estavam em risco de viés de atrito.

Todos os estudos envolvidos compararam uso de medicação ativa e placebo. Os medicamentos incluíram preparações que continham tetrahidrocanabinol (THC) (dois estudos), inibidor da recaptação da serotonina (ISRS) antidepressivos (dois estudos), antidepressivos ação mista (três estudos), anticonvulsivantes e estabilizadores de humor (três estudos), um antidepressivo atípico (dois estudos ), um ansiolítico (um estudo), um inibidor da recaptação de norepinefrina (um estudo) e um modulador glutamatérgico (um estudo). Um estudo examinou mais de uma medicação. Diversidade nos medicamentos e os resultados relatados limitaram a extensão em que a análise foi possível. Os dados foram insuficientes para avaliar a utilidade da maior parte dos medicamentos para promover a abstinência de maconha no final do tratamento.

Houve evidência moderada de qualidade que a conclusão do tratamento era mais provável com preparações que contenham THC em comparação com placebo (RR 1,29, 95% CI 1,08 a 1,55; 2 estudos, 207 participantes, p = 0,006). Houve alguma evidência de que o tratamento com preparações que contenham THC foi associado a redução dos sintomas de abstinência de maconha e do desejo de uso, mas este último resultado não poderia ser quantificado. Para antidepressivos ação mista em comparação com placebo (2 estudos, 179 participantes) a qualidade de evidência sobre a probabilidade de abstinência de cannabis no final do follow-up (RR 0,82, 95% CI 0,12-5,41), e evidência de qualidade moderada sobre a probabilidade de conclusão do tratamento (RR 0,93, IC 95% 0,71-1,21). Por este mesmo resultado, foi muito baixa a qualidade da evidência para os efeitos dos antidepressivos ISRS (RR 0,82, IC 95% 0,44-1,53; 2 estudos, 122 participantes), anticonvulsivantes e estabilizadores de humor (RR 0,78, IC 95% 0,42-1,46; 2 estudos, 75 participantes), e antidepressivo atípico, bupropiona (RR 1,06, IC 95% 0,67-1,67; 2 estudos, 92 participantes). Os dados disponíveis sobre a gabapentina (anticonvulsivante) e N-acetilcisteína (modulador glutamatérgico) foram insuficientes para estimativas quantitativas da sua eficácia, mas estes medicamentos podem valer a pena uma investigação mais aprofundada.

Notas de tradução: 

Tradução da Unidade de Medicina Baseada em Evidências da Unesp, Brazil (Heber de Moraes Penna) Contato: portuguese.ebm.unit@gmail.com Translation notes: CD008940

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