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Em que medida é que o Inventário de Ansiedade Traço-Estado (STAI) identifica as perturbações de ansiedade?

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As provas disponíveis não apoiam claramente a utilização do STAI como ferramenta de rastreio porque:

  • o STAI não foi desenvolvido especificamente para fins de rastreio e não existem pontos de corte geralmente aceites (pontuações limite);

  • tende a identificar indivíduos com perturbações de ansiedade, mas pode também rotular incorretamente muitas pessoas que não sofrem de ansiedade;

  • os estudos incluídos variavam em termos de qualidade e, na sua maioria, envolviam pessoas de diferentes situações hospitalares, o que torna a generalização incerta.

Tendo em conta estas limitações, atualmente parece fazer mais sentido utilizar questionários mais curtos, especialmente desenvolvidos para o rastreio da ansiedade, em vez do STAI.

Porque é que a deteção precoce das perturbações de ansiedade é importante?
As perturbações de ansiedade são comuns, mas muitas vezes não são diagnosticadas, o que pode atrasar o tratamento e reduzir a qualidade de vida. O rastreio pode ajudar a identificar precocemente a ansiedade, especialmente em pessoas que podem não se aperceber que a têm. No entanto, os testes não são perfeitos: se não detetarem ansiedade numa pessoa que a tem (um "falso negativo"), podem perder a oportunidade de um tratamento atempado. Apesar de um teste de despistagem precisar de ser confirmado novamente antes de ser feito um diagnóstico, rotular alguém como tendo suspeita de ansiedade quando não tem (um "falso positivo") pode levar a preocupações desnecessárias ou a visitas extra aos cuidados de saúde com mais testes.

O que é o Inventário de Ansiedade Traço-Estado (STAI)?
O STAI é um questionário amplamente utilizado para medir a ansiedade e tem duas subescalas: uma para a ansiedade de estado, que se refere a sentimentos temporários de ansiedade em resposta a uma situação, e outra para a ansiedade de traço, que se refere à tendência geral de uma pessoa para sentir ansiedade ao longo do tempo e das situações. Cada parte tem 20 perguntas. Pontuações mais elevadas indicam níveis de ansiedade mais elevados. Quando utilizado para rastreio, é aplicado um limiar (denominado "cut-off"): as pessoas que obtêm uma pontuação igual ou superior a esse nível podem ser encaminhadas para uma avaliação mais aprofundada de uma possível ansiedade. O STAI foi investigado como instrumento de rastreio em vários estudos, embora não tenha sido concebido para este fim. Não existem valores de corte geralmente aceites, mas estudos individuais recomendaram 40 para a ansiedade de estado e 44 para a ansiedade de traço.

O que pretendíamos descobrir?
Até agora, o desempenho do STAI como instrumento de rastreio não tinha sido analisado numa revisão sistemática. Queríamos ver com que precisão o STAI deteta perturbações de ansiedade em adultos.

O que fizemos?
Procurámos todos os estudos que analisaram a precisão do STAI na deteção de perturbações de ansiedade em adultos. Para serem elegíveis, os estudos tinham de comparar as pontuações do STAI com os resultados de uma entrevista clínica estruturada, o método mais preciso disponível para diagnosticar a ansiedade. Em seguida, combinámos os resultados para avaliar a precisão global do IDATE, considerando todos os pontos de corte possíveis para ambas as subescalas (IDATE-S e IDATE-T).

O que encontrámos?
Incluímos 12 estudos de 11 países, com 2.525 participantes (475 tinham uma perturbação de ansiedade). A maioria dos estudos incluiu pessoas com uma variedade de condições médicas pré-existentes específicas. Um estudo incluiu pessoas sem problemas de saúde (os parceiros de doentes com cancro).

Os resultados combinados mostraram que se o STAI for administrado a um grupo de 1.000 indivíduos, e 153 deles tiverem uma perturbação de ansiedade não detetada:

  • STAI-S ≥ 40: de 508 pessoas com pontuação igual ou superior à pontuação total, 127 seriam corretamente identificadas como tendo ansiedade ("verdadeiros positivos") e beneficiariam potencialmente de tratamento adicional. No entanto, os restantes 381 seriam falsamente classificados como tendo potencialmente ansiedade ("falsos positivos") e seriam provavelmente encaminhados para uma avaliação mais aprofundada para mais tarde esclarecer que não precisam de ser diagnosticados com ansiedade. Embora isso possa ser benéfico para alguns (por exemplo, para explorar outras causas), pode ser desnecessário para outros. Por outro lado, das 492 pontuações abaixo do limiar, 26 pessoas com ansiedade e potencialmente a necessitar de tratamento não seriam detetadas ("falsos negativos"). Os restantes 466 seriam corretamente atribuídos como não tendo ansiedade ("verdadeiros negativos").

  • STAI-T ≥ 44: de 463 pessoas com pontuação igual ou superior ao limiar, 124 seriam "verdadeiros positivos" e 339 "falsos positivos". Entre os 537 que obtiveram uma pontuação abaixo do limiar, 29 pessoas com ansiedade não seriam detetadas ("falsos negativos") e 508 seriam "verdadeiros negativos".

Quais são as limitações da evidência?
Os estudos variaram em termos de qualidade e foram realizados, na sua maioria, em situações semelhantes às dos hospitais, o que limita a nossa compreensão do desempenho do STAI noutros grupos, como o público. Além disso, como o STAI não foi desenvolvido especificamente para o rastreio, a interpretação dos resultados para este fim é um desafio.

O que significam estes resultados?
A evidência atual não responde claramente se o STAI é uma ferramenta de rastreio fiável para detetar perturbações de ansiedade. Os resultados refletem principalmente o desempenho em contextos clínicos especializados, sendo incerto se o STAI funcionaria da mesma forma noutros grupos. Dada a evidência ambígua e limitada identificada, pode valer a pena considerar ferramentas mais curtas que tenham sido desenvolvidas especificamente para o rastreio da ansiedade.

Quão atualizada se encontra a evidência?
A evidência encontra-se atualizada até maio de 2024, com estudos incluídos publicados de 2008 a 2023.

Notas de tradução

Tradução e revisão final por: Ricardo Manuel Delgado, Knowledge Translation Team, Cochrane Portugal.

Esta revisão Cochrane foi originalmente criada em inglês. A fidelidade da tradução é da responsabilidade da equipa de tradução que a produz. A tradução é produzida com cuidado e segue processos padronizados para assegurar o controlo de qualidade. Todavia, no caso de divergências, traduções imprecisas ou inapropriadas, prevalece o original em Inglês.

Citation
Dümmler D, Eck S, Hapfelmeier A, Fomenko A, Aktürk Z, Teusen C, von Schrottenberg V, Dawson S, Linde K, Schneider A. State-Trait Anxiety Inventory (STAI) for detecting anxiety disorders in adults. Cochrane Database of Systematic Reviews 2025, Issue 12. Art. No.: CD015458. DOI: 10.1002/14651858.CD015458.

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