Mensagens-chave
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Dizer às pessoas qual tratamento elas vão receber, em vez de não dizer, melhora o recrutamento.
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Telefonar para pessoas que não respondem a um convite inicial enviado pelo correio melhora o recrutamento quando a taxa inicial de recrutamento é baixa.
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Folhetos informativos adaptados e testados com o público-alvo, o envio de cartas sobre a importância da pesquisa ou o fornecimento de um link para vídeos fazem pouca ou nenhuma diferença no recrutamento.
O que são ensaios clínicos?
Os ensaios clínicos comparam diferentes abordagens, como tratamentos, programas ou formas de oferecer serviços. Na área da saúde, os ensaios clínicos são essenciais para testar novos medicamentos e dispositivos em voluntários (“participantes do ensaio clínico”) e garantir que eles sejam seguros e eficazes. No entanto, encontrar participantes e mantê-los no ensaio clínico é um desafio. Cerca de metade dos ensaios clínicos não consegue recrutar, no prazo previsto, o número de pessoas de que precisa. As estratégias para aumentar o recrutamento incluem mudanças nos métodos de ensaio clínico e melhorias nas informações para os potenciais participantes e na forma como eles são convidados a participar.
O que queríamos saber?
Queríamos descobrir quais estratégias incentivavam mais pessoas a participar de ensaios clínicos e se essas estratégias:
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ofereciam boa relação custo-benefício (custo-efetividade);
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faziam alguma diferença na permanência das pessoas no ensaio clínico até o final (retenção); e
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tinham algum efeito sobre a diversidade das pessoas e dos locais envolvidos.
O que nós fizemos?
Buscamos estudos que testaram diferentes estratégias de recrutamento inseridas em ensaios clínicos. Os estudos sortearam os potenciais participantes para receber diferentes abordagens de recrutamento e mediram quantas pessoas entraram no ensaio clínico.
Comparamos e resumimos os resultados dos estudos e avaliamos nossa confiança nas evidências, com base em fatores como métodos e número de participantes.
O que nós encontramos?
Encontramos 91 estudos. Cada estudo envolveu entre 37 e 30.000 participantes. A maioria foi realizada no Reino Unido (46 estudos) e nos Estados Unidos (23 estudos). Todos os estudos foram realizados em ensaios clínicos da área da saúde. Quase todos (99%) foram realizados em países de alta renda. A maioria dos estudos forneceu poucas informações sobre as pessoas recrutadas.
Os estudos testaram 65 estratégias de recrutamento diferentes. Essas estratégias variaram desde mudanças nos métodos dos ensaios clínicos até a forma como as pessoas eram abordadas e informadas sobre a participação. Os participantes tinham diferentes problemas de saúde (por exemplo, câncer, cirurgia).
Temos confiança nas evidências de apenas 5 das 65 estratégias investigadas. Apresentamos essas cinco estratégias a seguir.
Principais resultados
Procedimentos de ensaio clínico
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Os potenciais participantes tiveram maior probabilidade de participar de um ensaio clínico “aberto”, no qual sabiam qual tratamento receberiam, do que de um ensaio clínico “cego”, no qual não sabiam qual tratamento receberiam (3 estudos, 9.004 participantes).
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Para cada 100 pessoas convidadas, o ensaio clínico aberto recrutou 10 participantes a mais.
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Os estudos envolveram principalmente mulheres no Reino Unido e na Estônia.
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Não houve informações sobre custo-efetividade nem sobre retenção.
Lembretes telefônicos
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Telefonar para pessoas que não responderam a um convite enviado pelo correio melhorou o recrutamento (2 estudos, 1.450 pessoas).
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Para cada 100 pessoas que receberam a ligação, seis pessoas a mais participaram.
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Os participantes tinham, em média, 58 anos de idade e moravam no Canadá e na Noruega.
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Não houve informações sobre custo-efetividade nem sobre retenção.
Cartas sobre a importância da pesquisa
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O envio de cartas sobre a importância da pesquisa antes do convite para o ensaio clínico praticamente não melhorou o recrutamento (2 estudos, 5.376 participantes).
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Para cada 100 pessoas que receberam a carta, uma pessoa a mais participou.
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Esse pequeno ganho não teve boa relação custo-benefício: custou 2,08 libras esterlinas (GBP) por participante adicional recrutado.
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Os estudos envolveram principalmente pessoas mais velhas e brancas no Reino Unido e na Irlanda.
Código QR ou link para vídeos junto com folhetos informativos impressos
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O fornecimento de um código QR ou um link para vídeos junto com o folheto informativo impresso não fez diferença no recrutamento (7 estudos, 11.612 participantes) nem na retenção (5 estudos, 7.403 participantes).
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A cada 100 pessoas, o número de participantes não mudou.
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Essa estratégia não teve boa relação custo-benefício (custo adicional de GBP 0,78).
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Os estudos envolveram pessoas no Reino Unido.
Folhetos informativos
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Os folhetos informativos desenvolvidos com a colaboração de pessoas semelhantes às que seriam recrutadas não fizeram diferença em comparação com folhetos padrão (6 estudos, 27.805 participantes).
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Com os dois tipos de folhetos, 7 em cada 100 pessoas entraram no ensaio clínico.
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Os estudos envolveram pessoas no Reino Unido. Em um dos estudos, a maioria dos participantes era composta por mulheres mais velhas.
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Não houve informações sobre custo-efetividade nem sobre retenção.
Quais são as limitações das evidências?
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Nossa confiança nas evidências sobre as demais estratégias (todas, exceto as cinco descritas acima) é limitada. Isso ocorre porque essas estratégias foram testadas em apenas um estudo, os estudos que as testaram tinham problemas nos métodos ou os resultados foram muito incertos.
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Encontramos informações sobre custos para apenas 8 estratégias e informações sobre retenção para apenas 15 estudos.
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Poucos estudos relataram informações sobre idade, sexo, gênero, escolaridade e renda dos participantes. Por isso, não temos certeza de quão efetivas as estratégias seriam para pessoas diferentes.
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A maioria dos estudos (75%) foi realizada no Reino Unido ou nos Estados Unidos. Por isso, nossos achados podem não se aplicar aos sistemas de saúde de outras partes do mundo. Avaliamos todos os estudos publicados em idiomas diferentes do inglês, mas nenhum era elegível.
Até quando as evidências incluídas estão atualizadas?
Esta revisão atualiza nossa revisão de 2018. As evidências estão atualizadas até fevereiro de 2023.
Ler o resumo científico
Introdução
Recrutar participantes para ensaios clínicos randomizados (ECRs) é um desafio. Identificar estratégias de recrutamento efetivas beneficiaria a pesquisa em saúde: o baixo recrutamento leva a ensaios clínicos com poder estatístico insuficiente. Isso reduz a confiabilidade dos achados e aumenta o risco de desperdício de recursos, de problemas éticos e de fracasso do ensaio clínico. Cada vez mais, os estudos dentro de um ensaio clínico (Studies Within A Trial, SWATs) geram evidências para orientar as estratégias de recrutamento. Os SWATs são estudos metodológicos inseridos em ECRs principais. Esta revisão atualiza a versão publicada em 2018.
Objetivos
Primário: quantificar os efeitos de estratégias para melhorar o recrutamento de participantes para ECRs.
Secundários: avaliar a custo-efetividade das estratégias de recrutamento, seu impacto na retenção e as características de equidade, diversidade e inclusão (EDI) dos participantes recrutados.
Métodos de busca
Fizemos buscas nas seguintes bases de dados: MEDLINE, Embase e outras seis bases, para identificar os estudos incluídos na revisão. Também buscamos SWATs de recrutamento não publicados por meio de redes sociais e do envio direcionado de e-mails a redes de pesquisa em metodologia de ensaios clínicos. Fizemos a busca mais recente em 16 de fevereiro de 2023.
Critério de seleção
Incluímos SWATs randomizados que avaliavam estratégias de recrutamento e que estavam inseridos em ensaios clínicos da área da saúde ou de outras áreas. Excluímos estudos quase-randomizados (não randomizados), estudos hipotéticos, estudos baseados apenas em questionários, estudos que avaliaram apenas a retenção e estudos sobre incentivos para profissionais de saúde.
Coleta dos dados e análises
Desfecho primário: proporção de participantes ou centros elegíveis recrutados.
Desfechos secundários: custo-efetividade, taxas de retenção e características de EDI dos participantes incluídos.
Realizamos metanálise de efeitos aleatórios para as estratégias avaliadas em pelo menos dois estudos. Para as demais, sintetizamos os resultados de forma narrativa. Relatamos os efeitos como diferenças de risco (DR) com intervalos de confiança (IC) de 95% e avaliamos a heterogeneidade entre os estudos. Utilizamos o sistema GRADE para avaliar a certeza da evidência para o desfecho primário. Expressamos a custo-efetividade como o custo incremental por participante adicional recrutado, em libras esterlinas (GBP).
Principais resultados
Identificamos 91 estudos elegíveis (53 novos nesta atualização), que forneceram 94 comparações e envolveram pelo menos 176.747 participantes. Oitenta e um estudos avaliaram estratégias direcionadas aos participantes dos ensaios clínicos, e 10 avaliaram estratégias direcionadas aos recrutadores. Todos os estudos foram realizados na área da saúde.
Encontramos 65 estratégias de recrutamento. Dessas, 49 foram avaliadas em um único estudo. Tivemos alta certeza na evidência, segundo os critérios GRADE, para apenas cinco estratégias. O resumo a seguir se concentra nessas cinco estratégias.
Ensaios clínicos abertos (open-label) versus ensaios clínicos cegos e controlados por placebo . Os ensaios clínicos abertos recrutaram mais participantes do que os ensaios clínicos cegos (DR 10%, IC 95% 8% a 12%; 3 estudos, 9.004 participantes). Isso corresponde a aproximadamente 10 participantes a mais para cada 100 pessoas abordadas. Os estudos envolveram principalmente mulheres no Reino Unido e na Estônia. Os estudos não relataram dados de custo nem de retenção.
Lembrete por telefone versus nenhum lembrete por telefone. Os lembretes por telefone para pessoas que não responderam a um convite inicial pelo correio aumentaram o recrutamento em 6% (IC 95% 3% a 9%; 2 estudos, 1.450 participantes) em ensaios clínicos com baixa taxa de recrutamento basal. Temos menos certeza quanto aos ensaios clínicos com taxa de recrutamento acima de 10%. Os estudos envolveram pessoas com média de idade de 58 anos no Canadá e na Noruega. Os estudos não relataram dados de custo nem de retenção.
Carta de pré-recrutamento versus nenhuma carta . As cartas e folhetos de pré-recrutamento, elaborados para incentivar a participação, fizeram pouca ou nenhuma diferença no recrutamento (melhora absoluta de 1%, IC 95% −1% a 2%; 2 estudos, 5.376 participantes) e aumentaram os custos em comparação com o não envio da carta (custo incremental: GBP 2,08). Os estudos envolveram principalmente pessoas mais velhas e brancas no Reino Unido e na Irlanda.
Informações multimídia por meio de link digital ou código QR junto com folheto informativo impresso para o participante versus apenas folheto informativo impresso . Essa estratégia fez pouca ou nenhuma diferença no recrutamento (melhora absoluta de 0%, IC 95% −1% a 1%; 7 estudos, 11.612 participantes) e na retenção (melhora absoluta de 0%, IC 95% −2% a 3%; 5 estudos, 7.403 participantes), e aumentou os custos em comparação com a não inclusão de informações multimídia (custo incremental: GBP 0,78). Os estudos envolveram pessoas no Reino Unido.
Folheto informativo otimizado e testado com o público-alvo versus folheto informativo padrão . A otimização dos folhetos informativos para os participantes fez pouca ou nenhuma diferença no recrutamento. Um exemplo de otimização é testar o folheto com a população-alvo para definir seu conteúdo, formato e aparência. A melhora absoluta foi de 0% (IC 95% 0% a 1%; 6 estudos, 27.805 participantes). Os estudos envolveram pessoas no Reino Unido. Apenas um estudo relatou dados de EDI, e a maioria dos participantes desse estudo era composta por mulheres mais velhas. Os estudos não relataram dados de custo nem de retenção.
Tivemos moderada certeza na evidência para outras 13 estratégias. Nossa confiança foi reduzida, muitas vezes, porque os resultados vieram de estudos únicos. Sete estratégias envolveram mudanças na forma como os potenciais participantes recebiam as informações. Quatro envolveram mudanças na condução do ensaio clínico, uma foi direcionada ao recrutador ou ao local de recrutamento, e uma testou incentivos não monetários.
Tivemos muito menos confiança nas outras 47 comparações, porque os estudos tinham falhas de delineamento, eram estudos únicos ou apresentaram resultados muito incertos.
Apenas 17 dos 91 estudos relataram custos. Quinze estudos relataram o impacto das estratégias na retenção. Todos os estudos, exceto um (99%), foram realizados em países de alta renda. As características demográficas mais relatadas foram idade (49 estudos), sexo (32 estudos), gênero (27 estudos) e escolaridade (16 estudos).
Conclusão dos autores
As evidências sobre estratégias para melhorar o recrutamento em ensaios clínicos continuam amplas, mas pouco aprofundadas. Das 65 estratégias avaliadas, apenas cinco tiveram alta certeza na evidência. O delineamento de ensaio clínico aberto e os lembretes por telefone para pessoas que não responderam ao convite aumentaram o recrutamento. Por outro lado, os folhetos informativos otimizados, as cartas de pré-recrutamento e as informações multimídia fornecidas junto com o folheto informativo impresso tiveram pouco ou nenhum efeito. O relato das características dos participantes foi precário, o que limitou a avaliação da equidade, da diversidade e da inclusão na maioria dos estudos.
As evidências estão fortemente concentradas em países de alta renda. As pesquisas futuras devem priorizar avaliações em contextos de baixa e média renda e relatar de forma consistente os desfechos de custo, retenção e equidade, diversidade e inclusão.
Recomendamos enfaticamente que a comunidade de pesquisa em metodologia fortaleça a base de evidências e priorize a replicação de estratégias existentes, em vez do desenvolvimento e do teste de novas estratégias.
Financiamento
National Institute for Health and Care Research (Advanced Fellowship, Adwoa Parker, referência: NIHR302256).
Health Research Board, República da Irlanda, Evidence Synthesis Ireland (financiamento ESI-2021-001).
Registro do protocolo
Esta revisão atualiza uma revisão Cochrane anterior, publicada pela primeira vez em 2002 e atualizada em 2007, 2010 e 2018. As versões anteriores da revisão e seus protocolos estão disponíveis em:
https://doi.org/10.1002/14651858.MR000013.pub2
https://doi.org/10.1002/14651858.MR000013.pub3
https://doi.org/10.1002/14651858.MR000013.pub4
https://doi.org/10.1002/14651858.MR000013.pub5
https://doi.org/10.1002/14651858.MR000013.pub6
Tradução do Cochrane Brazil (Jânio Luiz Correia Júnior). Contato: tradutores.cochrane.br@gmail.com
Esta revisão Cochrane foi originalmente criada em inglês. A responsabilidade pela precisão da tradução é da equipe de tradução que a produziu. A tradução de revisões é realizada com cuidado e segue processos padronizados para garantir o controle de qualidade. No entanto, em caso de divergências, traduções imprecisas ou inadequadas, prevalece a versão original em inglês.




