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Quais são os benefícios e os danos de diferentes medicamentos antifúngicos para tratar infecções por fungos em bebês recém-nascidos?

Mensagens-chave

  • Às vezes, bebês recém-nascidos têm infecções causadas por fungos que entram na corrente sanguínea ou nos tecidos profundos do corpo (infecções fúngicas invasivas). Não está claro se um tipo de medicamento que mata os fungos ou impede seu crescimento (tratamento antifúngico) é melhor do que outro. Isso vale para o risco de morte, para a necessidade de interromper o tratamento por causa de efeitos colaterais indesejados e para o tempo que o bebê fica no hospital. No entanto, essa conclusão se baseia em poucos estudos pequenos.

  • São necessários estudos grandes e bem planejados para avaliar os benefícios e os possíveis danos dos medicamentos antifúngicos no tratamento da infecção fúngica invasiva em bebês recém-nascidos.

O que é infecção fúngica invasiva?

A infecção fúngica invasiva ocorre quando fungos entram na corrente sanguínea ou nos tecidos profundos do corpo do bebê. Essas infecções geralmente são causadas pela Candida, um tipo de fungo chamado levedura. As infecções fúngicas invasivas são graves. Elas são a principal causa de morte e de doença grave em bebês que nascem antes do tempo (prematuros).

Como as infecções fúngicas invasivas são tratadas?

Essas infecções costumam ser tratadas com diferentes medicamentos que matam os fungos ou impedem o seu crescimento (medicamentos antifúngicos), como:

  • polienos (por exemplo, anfotericina B);

  • azóis (por exemplo, fluconazol);

  • equinocandinas (por exemplo, micafungina e caspofungina); e

  • antimetabólitos (5-fluorocitosina).

O que queríamos saber?

Queríamos descobrir se algum medicamento antifúngico, ou alguma combinação desses medicamentos, trazia melhores resultados em relação a:

  • o risco de o bebê morrer (por qualquer causa) antes de receber alta do hospital;

  • o desenvolvimento do sistema nervoso do bebê (neurodesenvolvimento) até os dois anos de idade;

  • o risco de ser necessário aumentar a dose do antifúngico, ou acrescentar outro antifúngico, porque a infecção não melhorava ou piorava;

  • o tempo que os bebês ficaram internados no hospital; e

  • os efeitos indesejados ou prejudiciais dos antifúngicos (que obrigam a interromper o medicamento).

O que nós fizemos?

Buscamos estudos que investigaram medicamentos antifúngicos (ou combinações desses medicamentos) em bebês recém-nascidos, prematuros ou nascidos no tempo esperado (a termo). Comparamos e resumimos os resultados dos estudos e avaliamos o quanto era possível confiar nessas evidências. Para isso, consideramos o tamanho dos estudos e a forma como eles foram conduzidos.

O que nós encontramos?

Encontramos seis estudos com 229 recém-nascidos com infecções fúngicas invasivas. Um estudo incluiu apenas bebês prematuros, e os demais incluíram bebês prematuros e a termo. Um estudo comparou fluconazol com anfotericina B, dois compararam micafungina com anfotericina B, dois compararam caspofungina com anfotericina B e um comparou micafungina com fluconazol.

Principais resultados

Não está claro se algum tratamento antifúngico é melhor do que outro para reduzir o risco de o bebê morrer no hospital ou de ser necessário interromper o medicamento por causa de efeitos colaterais indesejados ou prejudiciai‍s.

Não está claro se o fluconazol ou a micafungina, em comparação com a anfotericina B, podem reduzir o número de dias que os recém-nascidos com infecção fúngica invasiva precisam ficar no hospital.

Quais são as limitações das evidências?

Não temos confiança nas evidências. Isso ocorre porque alguns estudos tiveram limitações na forma como foram conduzidos. Por exemplo, os pesquisadores tinham conhecimento do tratamento recebido pelos bebês, o que pode ter influenciado os resultados. Além disso, as evidências não abrangem todos os desfechos (resultados de saúde) que nos interessavam. Não houve estudos suficientes para termos certeza sobre os resultados, e os estudos eram muito pequenos.

Até quando as evidências incluídas estão atualizadas?

Esta revisão atualiza nossa revisão anterior, publicada pela primeira vez em 2004 e atualizada em 2012. As evidências estão atualizadas até novembro de 2025.

Objetivos

Avaliar os benefícios e os danos do tratamento com um medicamento antifúngico (ou com uma combinação ou preparação de antifúngicos) em comparação com outro, em relação à mortalidade e à morbidade em recém-nascidos com infecção fúngica invasiva suspeita ou confirmada.

Métodos de busca

Fizemos buscas nas seguintes bases de dados: CENTRAL, MEDLINE, Embase e Emcare, até 14 de novembro de 2025, e CINAHL, até junho de 2025. Também fizemos buscas em três registros de ensaios clínicos até 14 de novembro de 2025. Verificamos ainda as listas de referências de estudos e revisões.

Conclusão dos autores

As evidências são muito incertas quanto ao efeito do fluconazol ou da micafungina, em comparação com a anfotericina B, na morte antes da alta hospitalar, nas reações adversas atribuídas ao agente antifúngico que resultam na interrupção do tratamento e no tempo de internação hospitalar.

As evidências são muito incertas quanto ao efeito da caspofungina, em comparação com a anfotericina B, na morte antes da alta hospitalar e nas reações adversas atribuídas ao agente antifúngico que resultam na interrupção do tratamento.

As evidências são muito incertas quanto ao efeito da micafungina, em comparação com o fluconazol, na morte antes da alta hospitalar e nas reações adversas atribuídas ao agente antifúngico que resultam na interrupção do tratamento.

São necessários ensaios clínicos randomizados grandes e com baixo risco de viés para comparar medicamentos, preparações ou combinações de antifúngicos no tratamento de recém-nascidos com infecção fúngica invasiva. Os futuros estudos devem estratificar os participantes por idade gestacional. Também devem medir a resistência aos antifúngicos e os desfechos do neurodesenvolvimento a longo prazo.

Financiamento

Esta revisão Cochrane não teve financiamento específico.

Registro do protocolo

Protocolo (2002) DOI: 10.1002/14651858.CD003953

Revisão original (2004) DOI: 10.1002/14651858.CD003953.pub2

Atualização da revisão (2012) DOI: 10.1002/14651858.CD003953.pub3

Notas de tradução

Tradução do Cochrane Brazil (Jânio Luiz Correia Júnior). Contato: tradutores.cochrane.br@gmail.com

Esta revisão Cochrane foi originalmente criada em inglês. A responsabilidade pela precisão da tradução é da equipe de tradução que a produziu. A tradução de revisões é realizada com cuidado e segue processos padronizados para garantir o controle de qualidade. No entanto, em caso de divergências, traduções imprecisas ou inadequadas, prevalece a versão original em inglês.

Citation
Prasad R, Sk MH, Saha B, Sahoo J, Kumar A, Fiander M, Cracknell J, McGuire W, supported by the Cochrane Neonatal Review Group. Antifungal therapy for newborn infants with invasive fungal infection. Cochrane Database of Systematic Reviews 2026, Issue 9. Art. No.: CD003953. DOI: 10.1002/14651858.CD003953.pub4.

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