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Quais são os benefícios e os riscos do uso de antissépticos no coto umbilical de recém-nascidos para prevenir sepse (reação grave a uma infecção) e morte neonatal?

Mensagens principais

  • A aplicação do antisséptico clorexidina no cordão umbilical de recém-nascidos provavelmente reduz o risco de infecção e pode reduzir o risco de morte em países de baixa e média renda. A clorexidina também provavelmente atrasa a queda do cordão umbilical em um ou dois dias.

  • As evidências sobre outros antissépticos, como álcool, sulfadiazina de prata e povidona, são limitadas e inconclusivas em países de baixa e média renda.

  • Em países de alta renda, não há benefício claro do uso de antissépticos em comparação com os cuidados com o cordão umbilical seco e limpo. Os antissépticos provavelmente atrasam a queda do cordão umbilical.

Por que os cuidados com o cordão umbilical são importantes?

Após o nascimento, o cordão umbilical é cortado, deixando um pequeno coto. Em geral, ele seca e cai sozinho entre cinco e 15 dias. Durante esse período, bactérias da pele do bebê ou do ambiente podem colonizar facilmente a região. Como o coto contém tecido morto, essas bactérias podem se multiplicar e causar infecção na pele ao redor do umbigo, chamada onfalite . Em alguns casos, as bactérias podem entrar na corrente sanguínea e causar uma infecção grave em todo o corpo, conhecida como sepse . Essa condição pode ser fatal, especialmente em locais com condições precárias de higiene e acesso limitado aos serviços de saúde.

O que queríamos descobrir?

Queríamos saber se a aplicação de antissépticos (substâncias que impedem o crescimento de bactérias) no cordão umbilical poderia reduzir o risco de:

  • Morte;

  • Infecção do cordão umbilical;

  • Alterações no tempo necessário para o desprendimento do cordão umbilical (tempo de separação do cordão) podem gerar preocupação entre os profissionais de saúde e influenciar as práticas de cuidado adotadas. No entanto, essas alterações geralmente não causam prejuízos ao recém-nascido.

Além disso, queríamos saber se os efeitos eram diferentes entre países de baixa e média renda e países de alta renda.

O que fizemos?

Analisamos evidências de ensaios clínicos randomizados que compararam diferentes antissépticos, como clorexidina, álcool a 70%, sulfadiazina de prata e povidona, com cuidados secos do cordão umbilical (manter o coto limpo e seco) ou com a ausência de aplicação do antisséptico.

Avaliamos os efeitos desses tratamentos sobre:

  • Mortalidade neonatal (morte nos primeiros 28 dias de vida);

  • Infecção do cordão umbilical (onfalite);

  • Tempo para a queda do cordão umbilical.

Também avaliamos a qualidade dos estudos e combinamos os resultados de estudos semelhantes em uma meta-análise. Além disso, analisamos separadamente os estudos realizados em países de baixa e média renda e em países de alta renda, porque o risco de infecção varia entre esses contextos.

O que descobrimos?

Incluímos 18 estudos nesta revisão, nove a mais do que na versão anterior, publicada em 2013. Os estudos foram realizados em países de baixa e alta renda e incluíram 143.150 recém-nascidos.

Em países de baixa e média renda, a clorexidina:

  • pode reduzir o risco de mortalidade neonatal, de 18 para 15 por 1000 nascidos vivos, mas temos baixa certeza da evidência;

  • provavelmente reduz as infecções do cordão umbilical, de 87 para 62 por 1000 nascidos vivos;

  • provavelmente aumenta o tempo médio para a queda do coto umbilical em cerca de 1,85 dias.

Em países de alta renda, a clorexidina:

  • Não foi estudada para prevenir mortalidade neonatal;

  • Não sabemos se previne infecções do cordão umbilical ou se altera o tempo de separação do cordão, porque as evidências são muito incertas.

Em países de baixa e média renda, o álcool a 70%:

  • Não foi estudada para prevenir mortalidade neonatal;

  • Não sabemos se previne infecções do cordão umbilical, porque as evidências são muito incertas;

  • Não sabemos se altera o tempo para a queda do cordão umbilical, porque as evidências são muito incertas.

Em países de alta renda, o álcool a 70%:

  • Não foi estudado para prevenir mortalidade neonatal nem infecções do cordão umbilical;

  • Provavelmente aumenta o tempo médio para a queda do coto umbilical em cerca de 1,6 dias.

Quais são as limitações das evidências?

  • Temos moderada certeza da evidência de que a clorexidina reduz infecções do cordão umbilical em países de baixa e média renda. Reduzimos nossa confiança nos resultados porque os profissionais responsáveis pelas intervenções sabiam qual tratamento estava sendo administrado e porque os estudos foram conduzidos em diferentes contextos. Temos baixa certeza da evidência de que a clorexidina reduz a mortalidade neonatal. Os resultados variaram entre os estudos, e o efeito pode variar desde um pequeno benefício até ausência de diferença clara. Também temos moderada certeza da evidência de que a clorexidina atrasa um pouco a queda do cordão umbilical.

  • As evidências sobre o uso de clorexidina em países de alta renda têm muito baixa certeza, porque apenas um estudo pequeno estava disponível.

  • Em relação ao álcool a 70% em países de baixa e média renda, temos muito baixa certeza da evidência. Poucos recém-nascidos foram avaliados, e os resultados foram muito incertos. Portanto, não sabemos se o álcool influencia a infecção do cordão umbilical ou o tempo de separação do cordão.

  • Em países de alta renda, temos moderada certeza da evidência de que o álcool faz o cordão umbilical cair um pouco mais tarde. No entanto, não sabemos se ele previne infecções do cordão umbilical ou reduz a mortalidade neonatal, porque esses desfechos não foram estudados.

Até quando as evidências incluídas estão atualizadas?

Este resumo baseia-se em evidências disponíveis até dezembro de 2025 e atualiza a versão anterior da revisão, publicada em 2013.

Objetivos

Avaliar os benefícios e os malefícios da aplicação de antissépticos no cordão umbilical de recém-nascidos, em comparação com a ausência de antissépticos, para a prevenção de morbidade e mortalidade infantil em países de baixa e média renda (PBMR) e em países de alta renda (PAR).

Métodos de busca

Realizamos buscas nas bases de dados CENTRAL, MEDLINE, Embase, LILACS e em registros de ensaios clínicos em dezembro de 2025. Também verificamos as listas de referências dos estudos incluídos e/ou de estudos e revisões sistemáticas relacionados à intervenção ou à população avaliada nesta revisão.

Conclusão dos autores

A aplicação tópica de clorexidina a 4,0% no cordão umbilical provavelmente reduz o risco de infecção do cordão e pode reduzir a mortalidade neonatal em países de baixa e média renda, embora provavelmente atrase a separação do cordão em cerca de dois dias. Em países de alta renda, a evidência sobre clorexidina é muito incerta.

Para o álcool a 70%, a evidência proveniente de países de baixa e média renda é muito incerta quanto à prevenção de infecção, e seu uso pode resultar em pouca ou nenhuma diferença no tempo de separação do cordão umbilical. Em países de alta renda, evidências de moderada certeza sugerem que o álcool provavelmente retarda levemente a separação do cordão umbilical.

Financiamento

Esta revisão Cochrane não recebeu financiamento específico.

Registro do protocolo

Protocolo de 2010 disponível em doi.org/10.1002/14651858.CD008635

Revisão publicada em 2013 disponível em doi.org/10.1002/14651858.CD008635.pub2

Notas de tradução

Tradução do Cochrane Brazil (André Silva de Sousa). Contato: tradutores.cochrane.br@gmail.com

Esta revisão Cochrane foi originalmente criada em inglês. A responsabilidade pela precisão da tradução é da equipe de tradução que a produziu. A tradução de revisões é realizada com cuidado e segue processos padronizados para garantir o controle de qualidade. No entanto, em caso de divergências, traduções imprecisas ou inadequadas, prevalece a versão original em inglês.

Citation
Imdad A, Medina M, Cooper C, Bhutta ZA, supported by the Cochrane Neonatal Review Group. Umbilical cord antiseptics for preventing sepsis and death among newborns. Cochrane Database of Systematic Reviews 2026, Issue 3. Art. No.: CD008635. DOI: 10.1002/14651858.CD008635.pub3.

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