Vacinas para prevenir herpes zoster (cobreiro) nos idosos

Pergunta de revisão

Nosso objetivo foi avaliar a eficácia e a segurança de diferentes vacinas para prevenir herpes zoster em pessoas saudáveis com mais idade.

Introdução

O vírus da varicela zoster causa varicela e pode permanecer inativo nas células nervosas por muitos anos. O vírus pode então “acordar”, viajar através do trajeto do nervo e produzir bolhas na pele nesse trajeto. Esta condição é chamada de cobreiro (herpes zoster), e afeta principalmente pessoas com baixa imunidade, como pessoas mais velhas. Antes das bolhas aparecerem, os sintomas podem incluir prurido, dormência, formigamento, , ou dor local. O herpes zoster causa inflamação nos nervos e dores graves que podem afetar a qualidade de vida das pessoas afetadas. A incidência do herpes zoster varia de 2,08 casos a 6,20 casos por 1000 pessoas-ano (ou seja, esse é o número de novos casos por população em risco, em um determinado período de tempo). Este número está aumentando, em parte devido ao fato das pessoas viverem por mais tempo.

Esta é uma atualização de uma revisão Cochrane publicada pela última vez em 2016.

Data de busca

31 de janeiro de 2019.

Características do estudo

Incluímos 11 novos estudos envolvendo 18.615 participantes nesta atualização. A revisão agora inclui evidência proveniente de 24 estudos envolvendo 88.531 participantes. A maioria dos estudos foi realizada em países de alta renda na Europa e América do Norte, e dois estudos foram realizados no Japão. Os participantes dos estudos eram adultos saudáveis, com 60 anos ou mais, sem problemas para combater infecções. A maioria era mulheres caucasianas (brancas). O seguimento variou de 28 dias a 7 anos. Todos os estudos foram publicados em inglês.

Fontes de financiamento dos estudos

A maioria dos estudos foi financiada por empresas farmacêuticas; um estudo recebeu financiamento de uma fundação de pesquisa universitária.

Principais resultados

Um grande estudo de alta qualidade, incluindo 38.546 participantes com idade igual ou superior a 60 anos, comparou a vacina LZV contra uma vacina falsa (placebo) dada como injeção subcutânea (sob a pele) e concluiu que a vacina ativa pode prevenir herpes zoster por até três anos. Os efeitos colaterais da vacina (sintomas sistêmicos e reações no local da injeção) foram em sua maioria leves a moderados.

A RZV é uma nova vacina que contém uma pequena parte do vírus da varicela zoster mais uma substância adjuvante. Um adjuvante é uma substância que melhora a resposta do corpo contra um estímulo (bactérias, vírus e substâncias que parecem estranhas e nocivas) para o corpo se defender. Esta vacina requer um total de duas doses intramusculares, com dois a seis meses de intervalo. Dois estudos (29.311 participantes para a avaliação da segurança e 22.022 participantes para a avaliação da eficácia) compararam RZV versus placebo. Eles relataram que pessoas que receberam o RZV tiveram menos episódios de herpes zoster, mas mais sintomas sistêmicos e reações no local da injeção. A maioria dos participantes relatou que esses efeitos adversos eram de intensidade leve a moderada. É importante notar que o número de participantes que não receberam a segunda dose foi maior no grupo da vacina do que no grupo do placebo.

Qualidade da evidência

Avaliamos a qualidade geral da evidência como moderada porque os estudos incluíram muitos participantes.

Conclusão dos autores: 

As vacinas LZV e RZV são eficazes na prevenção do herpes zoster clínico por até três anos (os principais estudos não acompanharam os participantes por mais de três anos). Até o momento não existem dados que recomendem a revacinação após a pessoa ter recebido as doses básicas preconizadas de cada tipo de vacina. As duas vacinas produzem eventos adversos sistêmicos e no local da injeção de intensidade leve a moderada.

Leia o resumo na íntegra...
Introdução: 

O herpes zoster, popularmente conhecido como cobreiro, é uma doença neuro-cutânea causada pela reativação do vírus que causa a varicela. Após a resolução do episódio da varicela, o vírus pode permanecer latente nos gânglios dorsais sensitivos da medula espinhal. Anos mais tarde, com a diminuição da imunidade, o vírus da varicela zoster (VZV) pode reativar e causar o herpes zoster, uma condição extremamente dolorosa que pode durar muitas semanas ou meses e comprometer significativamente a qualidade de vida da pessoa afetada. A maior predisposição dos idosos ao herpes zoster se deve à redução da imunidade celular que ocorre naturalmente junto com o processo natural de envelhecimento. A vacinação com uma forma atenuada do VVZ estimula a produção de linfócitos T específicos o que evita a reativação viral. O Food and Drug Administration (FDA) norte-americano aprovou a vacina de herpes zoster com vírus vivo atenuado (LZV) para uso clínico nos adultos mais velhos e essa vacina foi testada em grandes populações. Uma nova vacina de VVZ com uma subunidade zoster adjuvante recombinante (RZV) também foi aprovada. Ela consiste de uma glicoproteína E recombinante do VVZ e de um sistema AS01B adjuvante à base de lipossomas.

Esta é uma atualização de uma revisão Cochrane publicada pela última vez em 2016.

Objetivos: 

Avaliar a efetividade e a segurança das vacinas para prevenir o herpes zoster em idosos.

Métodos de busca: 

Para esta atualização de 2019, fizemos buscas nas seguintes bases eletrônicas: Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL, Issue 1, janeiro 2019), MEDLINE (1948 a janeiro 2019), Embase (2010 a janeiro 2019), CINAHL (1981 a janeiro 2019), LILACS (1982 a janeiro 2019), WHO ICTRP (em 31 de janeiro 2019) e ClinicalTrials.gov (em 31 de janeiro 2019).

Critério de seleção: 

Incluímos ensaios randomizados controlados (ECR) ou quase ECR que compararam a vacina zoster (qualquer dose e potência) versus qualquer outro tipo de intervenção (por exemplo, vacina contra varicela, medicação antiviral), placebo, ou nenhuma intervenção (nenhuma vacina). Os desfechos foram incidência de herpes zoster, eventos adversos (morte, eventos adversos graves, reações sistêmicas ou reação local em qualquer momento após a vacinação), e desistências.

Coleta dos dados e análises: 

Adotamos os procedimentos metodológicos padronizados esperados pela Cochrane.

Principais resultados: 

Nesta atualização adicionamos 11 estudos novos envolvendo 18,615 participantes. Portanto, a revisão inclui agora um total de 24 estudos envolvendo 88.531 participantes. Apenas três estudos avaliaram a incidência de herpes zoster em grupos que receberam vacinas versus placebo. A maioria dos estudos foi realizada em países de alta renda na Europa e América do Norte e incluiu caucasianos saudáveis (participantes brancos) com 60 anos ou mais, sem comorbidades imunossupressoras. Dois estudos foram realizados no Japão. Quinze estudos usaram LZV. Nove estudos testaram um RZV.

A qualidade geral da evidência foi moderada. A maioria dos dados para o desfecho primário (incidência de herpes zoster) e para os desfechos secundários (eventos adversos e desistências) veio de estudos que tinham um baixo risco de viés e incluíam um grande número de participantes.

No maior estudo, que incluiu 38.546 participantes, a incidência de herpes zoster em até três anos de seguimento foi menor nos indivíduos que receberam LZV (uma dose subcutânea) do que naqueles que receberam placebo: razão de risco (RR) 0,49, intervalo de confiança (IC) de 95% 0.43% a 0,56, diferença de risco (DR) 2%, número necessário tratar para se obter benefício (NNTB) 50, evidência de qualidade moderada. Não houve diferenças entre os grupos vacinados versus placebo para eventos adversos graves (RR 1,08, IC 95% 0,95 a 1,21) ou mortes (RR 1,01, IC 95% 0,92 a 1,11; evidência de qualidade moderada). O grupo vacinado teve maior incidência de um ou mais eventos adversos (RR 1,71, IC 95% 1,38 a 2,11; RD 23%; número necessário tratar para um desfecho prejudicial adicional (NNTH) 4,3) e eventos adversos no local da injeção (RR 3,73, IC 95% 1,93 a 7,21; RD 28%; NNTH 3,6) de intensidade leve a moderada (evidência de qualidade moderada). Estes dados vieram de quatro estudos com 6980 participantes com idade igual ou superior a 60 anos.

Dois estudos (29.311 participantes para avaliação da segurança e 22.022 participantes para avaliação da eficácia) compararam o RZV (duas doses intramusculares, com dois meses de intervalo) versus placebo. Os participantes que receberam a nova vacina tiveram menor incidência de herpes zoster aos 3,2 anos de seguimento (RR 0,08, IC 95% 0,03 a 0,23; RD 3%; NNTB 33; evidência de qualidade moderada). Não houve diferença entre os grupos vacinados versus placebo para eventos adversos graves (RR 0,97, IC 95% 0,91 a 1,03) ou mortes (RR 0,94, IC 95% 0,84 a 1,04; evidência de qualidade moderada). O grupo vacinado teve maior incidência de eventos adversos, qualquer sintoma sistêmico (RR 2,23, IC 95% 2,12 a 2,34; RD 33%; NNTH 3,0), e qualquer sintoma local (RR 6,89, IC 95% 6,37 a 7,45; RD 67%; NNTH 1,5). Embora a maioria dos participantes tenha relatado que tinha sintomas de intensidade leve a moderada, o risco de desistência (participantes não retornando para a segunda dose, dois meses após a primeira dose) foi maior no grupo vacinado do que no grupo placebo (RR 1,25, IC 95% 1,13 a 1,39; RD 1%; NNTH 100, evidência de qualidade moderada).

Apenas um estudo relatou financiamento de uma fonte não-comercial (uma fundação de pesquisa universitária). Todos os outros estudos receberam financiamento de empresas farmacêuticas.

Não realizamos análises de subgrupos e de sensibilidade

Notas de tradução: 

Tradução do Cochrane Brazil (Maria Regina Torloni). Contato: tradutores@centrocochranedobrasil.org.br

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