Dispositivos automatizados de treino para melhorar a marcha de pessoas que tiveram um derrame

Pergunta da revisão

O treinamento assistido com máquinas e equipamentos robotizados melhora a marcha de pessoas que tiveram um derrame?

Introdução

Muitas pessoas que tiveram derrame têm dificuldades para andar. Portanto, a melhora da marcha é um dos principais objetivos da reabilitação. Os dispositivos automatizados de treino ajudam as pessoas a voltarem a andar.

Data da busca

A revisão está atualizada até agosto de 2016. Isso significa que ela incluiu todos os estudos publicados até essa data.

Características do estudo

Incluímos 36 estudos envolvendo um total de 1472 pessoas maiores de 18 anos que tiveram um acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico agudo, pós-agudo ou crônico, ou um AVC hemorrágico. A idade média das pessoas incluídas nos estudos variou de 48 a 76 anos. A maior parte dos estudos envolveu pacientes internados.

Principais resultados

Existe evidência de qualidade moderada de que o treinamento da marcha assistido por dispositivo eletromecânico combinado à fisioterapia, quando comparado à fisioterapia isolada, pode melhorar as chances de pessoas que tiveram um AVC voltarem a andar sem ajuda.

É necessário tratar sete pessoas com dispositivos eletromecânicos e assistidos por robô para evitar um caso de dependência para caminhar.

Os pacientes nos três primeiros meses após o AVC, e aqueles que não são capazes de andar parecem ser os que mais se beneficiam com este tipo de intervenção. A importância do tipo de dispositivo ainda não está clara. Novos estudos devem investigar qual são a frequência ou a duração do treino mais eficazes, e também qual é a duração desse benefício. Também não está claro como esses dispositivos devem ser usados na rotina de reabilitação.

Qualidade da evidência

A qualidade da evidência foi moderada para o uso dos dispositivos eletromecânicos automatizados e assistidos por robô para melhorar a marcha após o derrame. A qualidade da evidência foi baixa para velocidade da marcha, eventos adversos, e abandono do tratamento. A qualidade da evidência foi muito baixa para capacidade de caminhar.

Conclusão dos autores: 

Os pacientes que tiveram um derrame e que recebem treinamento eletromecânico assistido para marcha mais fisioterapia têm maior probabilidade de conseguir caminhar independentemente do que aqueles que recebem treinamento para caminhar sem esses dispositivos. É necessário tratar sete pacientes para prevenir um caso de dependência para caminhar. Os pacientes nos três primeiros meses após o AVC, e aqueles que não são capazes de andar, parecem ser os que mais se beneficiam com este tipo de intervenção. Ainda não está claro qual é o efeito do tipo de dispositivo. É necessário fazer mais pesquisas nessa área. Os novos estudos devem ser grandes ensaios clínicos pragmáticos de fase III para avaliar qual são a frequência e a duração mais efetivas do treinamento eletromecânico de marcha assistida. Esses novos estudos devem também avaliar a duração dos benefícios dessa intervenção.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

Os dispositivos eletromecânicos e robóticos de treino para marcha assistida são usados na reabilitação e podem ajudar a melhorar a marcha após derrame. Esta é uma atualização de uma revisão Cochrane publicada pela primeira vez em 2007.

Objetivos: 

Investigar os efeitos dos dispositivos eletromecânicos e automatizados de treinamento para melhorar a marcha após derrame.

Estratégia de busca: 

Fizemos buscas nas seguintes bases de dados: Cochrane Stroke Group Trials Register (última busca em 9 de agosto 2016), Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL) (Cochrane Library 2016, Issue 8), MEDLINE Ovid (1950 a 15 de agosto 2016), Embase (1980 a 15 de agosto 2016), CINAHL (1982 a 15 de agosto 2016), AMED (1985 a 15 de agosto 2016), Web of Science (1899 a 16 agosto 2016), SPORTDiscus (1949 a 15 setembro 2012), e Physiotherapy Evidence Database (PEDro) (pesquisada em 16 agosto 2016). Também fizemos buscas em duas bases de dados de engenharia: COMPENDEX (1972 a 16 de novembro 2012) e Inspec (1969 a 26 de agosto 2016). Fizemos buscas manuais em anais de conferências relevantes. Também fizemos buscas em plataformas de registros de ensaios clínicos, verificamos as listas de referências dos estudos, e contatamos autores para identificar outros estudos publicados, não publicados, e em andamento.

Critérios de seleção: 

Incluímos todos os ensaios clínicos controlados randomizados (ECRs), e os ensaios clínicos do tipo cross-over, envolvendo pessoas maiores de 18 anos diagnosticadas com AVC de qualquer gravidade, em qualquer estágio, ou qualquer ambiente. Os estudos deveriam comparar o treinamento da marcha com dispositivos eletromecânicos e robóticos versus cuidados habituais.

Coleta dos dados e análises: 

Dois autores da revisão, trabalhando de forma independente, selecionaram os estudos, extraíram os dados, e avaliaram a qualidade metodológica e os riscos de viés. O desfecho primário foi a proporção de participantes capazes de caminhar sem ajuda (marcha independente) no seguimento.

Resultados principais: 

Esta versão atualizada da revisão inclui 36 estudos envolvendo 1472 participantes. O treino da marcha assistida por aparato eletromecânico em combinação com a fisioterapia aumentou a probabilidade dos participantes se tornarem independentes para caminhar: razão de chances (OR) na metanálise de efeitos aleatórios 1,94, intervalo de confiança (IC) de 95% 1,39 a 2,71, P < 0,001, I² = 8%, evidência de qualidade moderada. Porém, a intervenção não aumentou significativamente a velocidade da caminhada (diferença média- MD 0,04 m/s, IC 95% 0,00 a 0,09, P = 0,08, I² = 65%, evidência de baixa qualidade) ou a capacidade de caminhada (MD 5,84 metros caminhados em 6 minutos, IC 95% -16.73 a 28.40, P = 0.61, I² = 53%, evidência de qualidade muito baixa). Os resultados devem ser interpretados com cautela, pois 1) alguns estudos investigaram pessoas que eram independentes para caminhar desde o início do estudo; 2) houve variações entre os estudos quanto aos dispositivos utilizados, duração e frequência do tratamento, e 3) alguns estudos incluíram dispositivos com estimulação elétrica funcional. Nossas análises de subgrupos sugerem que os pacientes na fase aguda poderiam se beneficiar, porém os pacientes na fase crônica podem não se beneficiar desse tipo de treinamento eletromecânico de marcha assistida. A análise post hoc mostrou que as pessoas que não deambulam no momento da intervenção podem se beneficiar, mas as pessoas que deambulam podem não se beneficiar desse tipo de treinamento. A análise post hoc não mostrou diferenças entre os tipos de dispositivos utilizados sobre a capacidade de caminhar. Porém houve diferenças significativas entre os dispositivos sobre a velocidade da marcha.

Notas de tradução: 

Tradução do Centro Afiliado Paraíba, Cochrane Brazil (Emanuel Nunes e Maria Regina Torloni). Contato: tradutores@centrocochranedobrasil.org.br

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