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Os testes moleculares são melhores que as hemoculturas para detectar infecções no sangue de recém-nascidos?

Mensagens principais

– Os estudos incluídos nesta revisão sugerem que os testes (ou ensaios) moleculares (baseados em uma molécula que carrega as instruções genéticas usadas no crescimento, desenvolvimento, funcionamento e reprodução de bactérias) podem ser testes complementares muito úteis na detecção de infecção sanguínea (sepse) em bebês, porque fornecem resultados rápidos.

– O uso de testes moleculares pode nos ajudar a parar de usar antibióticos em bebês sem infecção sanguínea mais rapidamente, porque os resultados são mais rápidos do que as hemoculturas (um teste que verifica a presença de bactérias ou outros germes no sangue). Entretanto, mais pesquisas são necessárias para provar isso.

Por que é importante melhorar o diagnóstico de sepse em bebês?

O método atual de detecção de infecções (doenças causadas por germes) em recém-nascidos é obter sangue ou outros fluidos corporais (ou ambos) e cultivar as bactérias (germes) em um laboratório. No entanto, os métodos de cultura podem não detectar algumas infecções ou levarem muito tempo para produzir resultados (48 a 72 horas). Temos à disposição novos testes moleculares para detectar infecções. Os testes moleculares são rápidos e podem ser mais precisos na detecção de infecções em comparação aos métodos de cultura tradicionais.

O que é um teste molecular?

Um teste molecular é baseado na detecção de DNA (uma molécula que carrega as instruções genéticas usadas no crescimento, desenvolvimento, funcionamento e reprodução) de bactérias e outros organismos que causam infecções.

O que queríamos descobrir?

Queríamos descobrir se os testes moleculares detectam a infecção melhor do que os métodos de cultura padrão em recém-nascidos.

O que nós fizemos?

Buscamos estudos que investigassem a precisão de testes moleculares para detectar infecções em recém-nascidos. Analisamos e resumimos os resultados dos estudos, classificando nossa confiança nas evidências com base em critérios como métodos utilizados e tamanho de amostras.

O que nós encontramos?

Encontramos 74 estudos que compararam métodos moleculares com métodos de cultura. Pudemos usar apenas os dados de 68 estudos, que incluíram 14.309 bebês.

Os resultados desses estudos sugerem que os métodos moleculares podem ter precisão moderada na detecção de infecções em recém-nascidos. Testes moleculares podem ser testes complementares muito úteis no diagnóstico de infecções sanguíneas, pois fornecem resultados rápidos.

Embora tenha havido algumas limitações na seleção de recém-nascidos para esta revisão, no geral, os métodos usados ​​pelos estudos foram adequados.

Quais são as limitações das evidências?

Os estudos incluídos fizeram o diagnóstico de infecção usando cultura sanguínea convencional (chamado de padrão de referência), e não está claro se este padrão de referência detecta corretamente todos os recém-nascidos com infecções. Além disso, incluímos estudos realizados durante um longo período (1997 a 2022), e os métodos usados podem ter mudado, o que pode explicar por que os resultados foram diferentes entre os estudos. É possível que estudos com baixa precisão não tenham sido publicados.

Até que ponto essas evidências estão atualizadas?

A evidência está atualizada até agosto de 2023.

Fontes de financiamento dos estudos

Nenhum dos estudos recebeu financiamento.

Introdução

As culturas microbianas usadas para diagnóstico de sepse neonatal têm baixa sensibilidade e demora nos resultados. Por outro lado, os avanços em microbiologia molecular promoveram novos testes moleculares que são rápidos e podem melhorar desfechos neonatais.

Objetivos

Avaliar a precisão de diversos métodos moleculares para o diagnóstico de sepse bacteriana e fúngica com cultura positiva em recém-nascidos. Explorar a heterogeneidade entre os estudos, analisando subgrupos classificados por idade gestacional e tipo de início da sepse, e comparar os ensaios moleculares entre si.

Métodos de busca

Fizemos buscas nas bases de dados CENTRAL, MEDLINE e Embase, e em registros de estudos em agosto de 2023. Verificamos listas de referências de estudos incluídos e revisões sistemáticas cujo assunto estava relacionado à intervenção ou à população examinada nesta revisão.

Critério de seleção

Incluímos estudos prospectivos ou retrospectivos, de coorte ou transversais, que avaliaram testes moleculares (teste índice) em recém-nascidos com suspeita de sepse em comparação com culturas microbianas (padrão de referência).

Coleta dos dados e análises

Dois autores da revisão selecionaram os estudos de forma independente, extraíram dados e avaliaram a qualidade metodológica dos estudos. Realizamos meta-análises usando o modelo bivariado e inserimos os dados no Review Manager.

Principais resultados

74 estudos foram elegíveis para inclusão, dos quais 68 forneceram dados para metanálise. O número total de participantes foi de 14.309 (1.328 bebês com cultura positiva e 12.981 com cultura negativa), vindos dos 68 estudos que foram incluídos na metanálise. A estimativa resumo da sensibilidade foi de 0,91 (intervalo de confiança (IC) de 95% 0,85 a 0,95) e da especificidade foi de 0,88 (IC 95% 0,83 a 0,92) (baixa certeza da evidência). Exploramos a heterogeneidade por meio de análises de subgrupos de tipo de teste, idade gestacional, tipo de início da sepse e prevalência de sepse. Encontramos explicações insuficientes para a heterogeneidade (baixa a muito baixa certeza da evidência). As análises de sensibilidade incluíram estudos que analisaram amostras de sangue com boa metodologia e aqueles que não usaram múltiplas amostras do mesmo participante, e revelaram resultados semelhantes (baixa certeza da evidência).

Conclusão dos autores

Os ensaios moleculares têm a vantagem de produzir resultados rápidos e possuem precisão diagnóstica moderada. Testes moleculares podem prevenir o uso excessivo de antibióticos em recém-nascidos com suspeita de sepse. A eficácia e a relação custo-efetividade desses testes moleculares devem ser avaliadas por meio de ensaios clínicos randomizados comparando ensaios moleculares como teste complementar versus métodos convencionais sem teste complementar em recém-nascidos com suspeita de sepse.

Notas de tradução

Tradução do Cochrane Brazil (Ana Laura Afonso Garcia e Nitza Ferreira Muniz). Contato: tradutores.cochrane.br@gmail.com

Citation
Dierikx TH, Visser DH, de Meij T, Versalovic J, Leeflang MMG, Cooper C, Pammi M. Molecular assays for the diagnosis of sepsis in neonates: a diagnostic test accuracy review. Cochrane Database of Systematic Reviews 2025, Issue 3. Art. No.: CD011926. DOI: 10.1002/14651858.CD011926.pub3.

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