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Quais são os benefícios e os riscos da reabilitação cardíaca baseada em exercícios para insuficiência cardíaca?

Mensagens principais

- Em comparação com a ausência de exercício, não houve evidência de diferença nas mortes por qualquer causa em pacientes com insuficiência cardíaca. Participar de programas de reabilitação cardíaca baseados em exercícios provavelmente reduz o risco de internações hospitalares por qualquer causa e de internações relacionadas à insuficiência cardíaca, além de provavelmente resultar em melhorias importantes na qualidade de vida relacionada à saúde, avaliada pelo questionário "Minnesota Living with Heart Failure".

É importante destacar que esta revisão atualizada fornece evidência adicionais que apoiam o uso de modalidades alternativas de reabilitação cardíaca baseada em exercícios, incluindo programas domiciliares e com suporte digital.

- Estudos futuros devem recrutar pessoas que normalmente não estão representadas em estudos, como pacientes idosos e mulheres com insuficiência cardíaca, e pessoas com insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada.

O que é insuficiência cardíaca?

A insuficiência cardíaca ocorre quando o coração não consegue bombear sangue para o corpo tão bem quanto deveria. Pessoas com insuficiência cardíaca apresentam fadiga e falta de ar. Isso dificulta a realização de atividades cotidianas e pode afetar a qualidade de vida das pessoas. Pessoas com insuficiência cardíaca apresentam maior risco de internação hospitalar e morte.

O que é reabilitação cardíaca?

A reabilitação cardíaca tem como objetivo ajudar as pessoas a se recuperarem de problemas cardíacos, incluindo insuficiência cardíaca. Os programas de reabilitação cardíaca podem incluir treinamento físico e também podem fornecer educação sobre estilo de vida e gerenciamento de fatores de risco, além de aconselhamento e apoio psicológico.

O que queríamos descobrir?

Queríamos descobrir se a reabilitação baseada em exercícios era melhor do que a ausência de exercícios para melhorar:

- mortes;

- internações hospitalares;

- qualidade de vida relacionada à saúde;

O que fizemos?

Realizamos buscas por estudos que avaliaram os efeitos da reabilitação cardíaca baseada em exercícios em pessoas com insuficiência cardíaca. Comparamos e resumimos os resultados de estudos relevantes e classificamos nossa confiança nas evidências com base em fatores como métodos e tamanhos das amostras dos estudos.

O que encontramos?

Encontramos 60 estudos que envolveram 8728 pessoas com insuficiência cardíaca. Os estudos foram realizados em países de todo o mundo. Cerca de 40% das pessoas vieram de 2 grandes estudos. Todos os estudos duraram cerca de 6 meses ou mais.

Participação na reabilitação cardíaca baseada em exercícios:

• provavelmente reduz o risco de internações hospitalares por qualquer causa e por insuficiência cardíaca em até 12 meses a partir do início do estudo;
• provavelmente faz pouca ou nenhuma diferença no risco de morte por qualquer causa;
• provavelmente melhora a qualidade de vida relacionada à saúde, conforme medido pelo questionário Minnesota Living with Heart Failure.

Os efeitos da reabilitação cardíaca baseada em exercícios parecem ser consistentes:

• se forem realizadas em um hospital, centro médico, ou em casa;
• independentemente da quantidade de exercício ou se o programa também inclui outros componentes, como educação ou aconselhamento;
• independentemente do tipo de treinamento (apenas aeróbico ou aeróbico combinado com treino de resistência).

Quais são as limitações das evidências?

Nossa confiança nas evidência é limitada porque nem todos os estudos utilizaram métodos robustos. São necessários mais estudos para avaliar o impacto de modelos alternativos de reabilitação baseados em exercícios em comparação com os programas tradicionais realizados em centros, especialmente programas domiciliares e com suporte digital. Futuros estudos precisam considerar a generalização das populações dos estudos (mulheres, pessoas idosas e pessoas com insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada continuam sub-representadas nas populações dos estudos), a aplicação de intervenções para melhorar a manutenção a longo prazo do treinamento físico e desfechos, bem como os custos.

Até quando as evidências incluídas estão atualizadas?

Esta revisão atualiza nossa revisão anterior de 2018. A evidência está atualizada até dezembro de 2021.

Introdução

Pessoas com insuficiência cardíaca experimentam uma carga substancial da doença, que inclui baixa tolerância ao exercício, baixa qualidade de vida relacionada à saúde (QVRS), maior risco de mortalidade e internação hospitalar, além de altos custos com assistência médica. A revisão Cochrane anterior, de 2018, relatou que a reabilitação cardíaca baseada em exercícios (RCBE), em comparação com um grupo controle sem exercícios, demonstra melhora na QVRS e na internação hospitalar entre pessoas com insuficiência cardíaca, bem como possível redução na mortalidade a longo prazo, e que essas reduções parecem ser consistentes entre as características dos pacientes e dos programas. As limitações apontadas pelos autores desta revisão Cochrane anterior incluem o seguinte: (1) a maioria dos estudos foi realizada em pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (< 45%) (ICFER), e mulheres, pessoas idosas e aqueles com insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (≥ 45%) (ICFEP) foram sub-representados; e (2) a maioria dos estudos foram realizados em ambiente hospitalar ou em centros especializados.

Objetivos

Avaliar os efeitos da RCBE na mortalidade, internação hospitalar e qualidade de vida relacionada à saúde de adultos com insuficiência cardíaca.

Métodos de busca

Fizemos buscas nas bases de dados CENTRAL, MEDLINE, Embase, CINAHL, PsycINFO e Web of Science, sem restrição de idioma, em 13 de dezembro de 2021. Também consultamos as bibliografias dos estudos incluídos, identificamos revisões sistemáticas relevantes e dois registros de ensaios clínicos.

Critério de seleção

Incluímos ensaios clínicos randomizados (ECRs) que compararam intervenções de RCBE (exercício isolado ou exercício como parte de uma reabilitação cardíaca abrangente) com um acompanhamento de seis meses ou mais em comparação com um grupo controle sem exercício (por exemplo, cuidados médicos habituais). A população do estudo foi composta por adultos (≥ 18 anos) com insuficiência cardíaca - seja ICFER ou ICFEP.

Coleta dos dados e análises

Utilizamos as recomendações metodológicas da Cochrane. Nossos desfechos primários foram mortalidade por todas as causas, mortalidade por insuficiência cardíaca, internações hospitalares por todas as causas, internações hospitalares relacionadas à insuficiência cardíaca e QVRS. Os desfechos secundários foram custos e custo-efetividade. Utilizamos o GRADE para avaliar a certeza da evidência.

Principais resultados

Incluímos 60 estudos (8728 participantes) com uma mediana de seis meses de acompanhamento. Nesta última atualização, identificamos 16 novos estudos (2945 novos participantes), além dos 44 previamente identificados (5783 participantes existentes). Embora a base de evidência existente inclua predominantemente pacientes com ICFER, das classes II e III da New York Heart Association (NYHA), que recebem programas de RCBE em centros especializados, um número crescente de estudos inclui pacientes com ICFEP, com RCBE realizada em ambiente domiciliar. Todos os estudos incluídos utilizaram um grupo de comparação com cuidados habituais, sem intervenção formal de exercício, bem como uma ampla gama de comparadores ativos, como educação, intervenção psicológica ou tratamento médico. O risco geral de viés nos estudos incluídos foi baixo ou incerto, e, na maioria dos casos, rebaixamos a certeza da evidência dos desfechos com base na avaliação GRADE.

Não houve evidência de diferença a curto prazo (até 12 meses de acompanhamento) no risco combinado de mortalidade por todas as causas ao comparar RCBE com cuidados usuais (risco relativo (RR) 0,93, intervalo de confiança (IC) de 95% de 0,71 a 1,21; efeitos absolutos de 5,0% versus 5,8%; 34 estudos, 36 comparações, 3941 participantes; baixa certeza da evidência). Apenas alguns estudos relataram informações sobre se os participantes morreram devido à insuficiência cardíaca. A participação em RCBE em comparação com cuidados usuais provavelmente reduziu o risco de internações hospitalares por todas as causas (RR 0,69, IC 95% 0,56 a 0,86; efeitos absolutos de 15,9% versus 23,8%; 23 estudos, 24 comparações, 2283 participantes; moderada certeza da evidência) e de internações hospitalares relacionadas à insuficiência cardíaca (RR 0,82, IC 95% 0,49 a 1,35; efeitos absolutos de 5,6% versus 6,4%; 10 estudos; 10 comparações, 911 participantes; moderada certeza da evidência) a curto prazo. A participação em RCBE provavelmente melhorou a QVRS a curto prazo, conforme medido pelo questionário Minnesota Living with Heart Failure (MLWHF) (pontuações mais baixas indicam melhor QVRS e uma diferença de 5 pontos ou mais indica importância clínica; diferença média (DM) −7,39 pontos, IC 95% −10,30 a −4,77; 21 estudos, 22 comparações, 2699 participantes; moderada certeza da evidência). Ao reunir dados de QVRS medidos por qualquer questionário/escala, descobrimos que a RCBE pode melhorar a QVRS a curto prazo, mas as evidências são muito incertas (33 estudos, 37 comparações, 4769 participantes; diferença média padronizada (DMP) −0,52, IC 95% −0,70 a −0,34; muito baixa certeza da evidência).

Os efeitos da RCBE pareceram ser consistentes em diferentes modelos de aplicação da RCBE: baseados em centros versus em domicílio, dose de exercício, apenas exercício versus programas abrangentes e treinamento aeróbico isolado versus programas aeróbicos combinados com resistência.

Conclusão dos autores

Esta revisão Cochrane atualizada fornece evidências randomizadas adicionais (16 estudos) para apoiar as conclusões da versão anterior da revisão de 2018. Em comparação com um grupo controle sem exercícios, embora não tenha havido evidência de diferença na mortalidade por todas as causas em pessoas com insuficiência cardíaca, a participação em RCBE provavelmente reduz o risco de internações hospitalares por todas as causas e internações hospitalares relacionadas à insuficiência cardíaca, podendo resultar em melhorias importantes na QVRS. É importante destacar que esta revisão atualizada fornece evidência adicionais que apoiam o uso de modalidades alternativas de realização da RCBE, incluindo programas domiciliares e programas com suporte digital. Os futuros estudos de RCBE precisam se concentrar no recrutamento de grupos de pacientes com insuficiência cardíaca tradicionalmente menos representados, incluindo pacientes idosos, mulheres e aqueles com ICFEP.

Notas de tradução

Traduzido pelo Cochrane Brazil (Tamara Silva de Sousa e Mayara Rodrigues Batista). Contato: tradutores.cochrane.br@gmail.com

Citation
Molloy C, Long L, Mordi IR, Bridges C, Sagar VA, Davies EJ, Coats AJS, Dalal H, Rees K, Singh SJ, Taylor RS. Exercise-based cardiac rehabilitation for adults with heart failure. Cochrane Database of Systematic Reviews 2024, Issue 3. Art. No.: CD003331. DOI: 10.1002/14651858.CD003331.pub6.

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