Passar para o conteúdo principal

Pode uma medicação antidemencial (memantina) ajudar pessoas com Perturbação do Espetro do Autismo?

Contexto
A perturbação do espetro do autismo (autismo) é uma doença que começa na infância. Os principais sintomas incluem dificuldades persistentes na comunicação social (por exemplo, dificuldades em conversas de ida e volta, comunicação sem palavras e no desenvolvimento e manutenção de relações) e interesses e comportamentos repetitivos e restritos (por exemplo, maneirismos repetitivos, interesses e comportamentos restritos, resistência à mudança e sensibilidades sensoriais). Cerca de 1% a 2% das crianças têm autismo. As pessoas autistas têm muitas vezes outras doenças, como a Perturbação de Hiperatividade/Défice de Atenção (PHDA), ansiedade, problemas de linguagem (por exemplo, dificuldades em compreender e utilizar a gramática) e deficiência intelectual. O autismo pode ter um impacto negativo na qualidade de vida, nos resultados escolares e nas relações sociais. A memantina é um medicamento tradicionalmente utilizado para tratar a demência, mas alguns estudos sugerem que pode diminuir os principais sintomas autistas. Se a memantina está a ser utilizada para alterar os principais sintomas do autismo, é importante avaliar se funciona e se é segura. Esta revisão combina as evidências de investigação sobre a utilização da memantina no autismo.

Questão da revisão
A memantina altera os principais sintomas do autismo e comportamentos relacionados?

Data de pesquisa
A evidência encontra-se atualizada até 14 de fevereiro de 2022.

Caraterísticas dos estudos
Encontrámos três estudos com 204 pessoas que tinham avaliado a eficácia da memantina no autismo. Todos os estudos foram ensaios controlados aleatorizados, o que significa que os participantes foram distribuídos aleatoriamente para receber o tratamento ou um comprimido falso (placebo). Este é o melhor modelo para avaliar a eficácia dos tratamentos. Os três estudos incluíram crianças diagnosticadas com perturbação do espetro do autismo, com uma idade média de 9,40 anos. Não encontrámos estudos em adultos. As crianças receberam memantina (durante 12 semanas em dois estudos e durante 24 semanas num estudo) e o seu comportamento foi avaliado antes do tratamento e imediatamente após o mesmo.

Fontes de financiamento dos estudos
Um estudo foi patrocinado e financiado por um laboratório que fabrica memantina (Forest). O promotor do estudo ajudou a conceber o estudo, a recolher informações, a analisar e a interpretar as informações e a tomar a decisão de publicar os resultados. Os autores dos outros dois estudos mais pequenos afirmaram não ter recebido qualquer financiamento, embora num destes estudos a Forest Pharmaceuticals tenha fornecido o medicamento gratuitamente.

Resultados-chave
Não é claro se a memantina faz alguma diferença nos sintomas principais do autismo. Além disso, pode não haver diferença entre a memantina e o placebo na ocorrência de efeitos secundários, na capacidade de linguagem, na memória, no comportamento adaptativo ou nos comportamentos relacionados com o autismo, como a hiperatividade e a irritabilidade.

Limitações da evidência
Não estamos confiantes em relação à evidência para os principais sintomas do autismo porque provém apenas de três pequenos estudos; porque os estudos incluíram diferentes tipos de pessoas e administraram o medicamento de formas diferentes; e porque os estudos nem sempre forneceram informações sobre tudo aquilo em que estávamos interessados. Além disso, temos pouca confiança nas evidências sobre os efeitos secundários e a linguagem, porque provêm apenas de dois pequenos estudos; e temos pouca confiança nas evidências sobre a inteligência, a memória, o comportamento adaptativo, a hiperatividade e a irritabilidade, porque provêm apenas de um pequeno estudo.

Notas de tradução

Tradução e revisão final por: Ricardo Manuel Delgado, Knowledge Translation Team, Cochrane Portugal.

Citation
Brignell A, Marraffa C, Williams K, May T. Memantine for autism spectrum disorder. Cochrane Database of Systematic Reviews 2022, Issue 8. Art. No.: CD013845. DOI: 10.1002/14651858.CD013845.pub2.

O nosso uso de cookies

Usamos cookies necessárias para fazer nosso site funcionar. Gostaríamos também de definir cookies analíticos opcionais para nos ajudar a melhorar nosso site. Não vamos definir cookies opcionais a menos que você as habilite. A utilização desta ferramenta irá colocar uma cookie no seu dispositivo para lembrar as suas preferências. Você sempre pode alterar suas preferências de cookies a qualquer momento clicando no link 'Configurações de cookies' no rodapé de cada página.
Para informações mais detalhadas sobre as cookies que utilizamos, consulte nossa Página das Cookies.

Aceitar todas
Configure