Atendimento em grupo versus atendimento convencional no cuidado pré-natal de gestantes.

Cuidado pré-natal é um dos mais importantes serviços de atenção à saúde fornecido para gestantes ao redor do mundo. Na maioria dos países ocidentais, os cuidados de saúde durante a gravidez tradicionalmente envolvem um cronograma de visitas individuais com uma parteira, um obstetra ou um médico generalista em um hospital ou clínica. Um modo diferente de fornecer cuidado à gestação envolve utilizar o modelo de grupo do que a abordagem individual. Grupo de pré-natal ou cuidados na gestação tem sido desenvolvido nos EUA em um modelo conhecido como "CenteringPregnancy". O cuidado é fornecido por uma parteira ou um obstetra para grupos de oito a doze mulheres de idade gestacional semelhante. Os grupos se reúnem de oito a dez vezes durante a gestação em visitas agendadas habitualmente, com sessões durando de 90 a 120 minutos. Todos os cuidados da gestação são fornecidos neste ambiente de grupo, integrando a avaliação costumeira da saúde da gestação, com informação, educação e apoio dos colegas.

Realizamos uma revisão sistemática de estudos que compararam os efeitos de cuidados em grupo durante a gestação versus os cuidados convencionais e individual sobre os desfechos psicossociais, fisiológicos, de trabalho de parto e nascimento para as mulheres e seus bebês, bem como na satisfação do prestador de cuidados. Quatro ensaios clínicos controlados randomizados (envolvendo 2350 mulheres) foram incluídos: dois realizados nos EUA, um na Suécia e um no Irã. Não encontramos diferenças entre as mulheres que receberam o cuidado pré-natal em grupo e aquelas que tiveram o atendimento individual em termos de desfechos importantes na gestação, como prematuridade, peso ao nascimento ou morte do bebê. As mulheres que receberam atendimento gestacional em grupo não eram mais propensas a iniciar a amamentação do que aqueles que receberam o atendimento padrão. Em um ensaio clínico, mulheres que receberam o atendimento na gestação em grupo tiveram taxas de satisfação similar a aquelas mulheres que receberam cuidado individual.

As principais diferenças entre os ensaios foram anotadas. Um ensaio clínico direcionou-se para mulheres jovens de 14 a 25 anos de idade em um ambiente com muitas mulheres afro-americanas que tinham recursos financeiros limitados. O principal objetivo foi reduzir o comportamento de risco para o vírus da imunodeficiência humana (HIV) e as doenças transmitidas sexualmente. Outro ensaio clínico estava observando principalmente a prontidão da família em um ambiente militar, e outro focado na satisfação das mulheres e os aspectos emocionais de seus cuidados.

Esta revisão é limitada devido ao pequeno número de estudos e mulheres, com um estudo contribuindo com 42% das mulheres. Mais pesquisas são necessárias para determinar se o cuidado em grupo durante a gestação é associado com benefícios significantes.

Conclusão dos autores: 

A evidência disponível sugere que grupo de cuidados pré-natal é aceitável para as mulheres e está associado a nenhum resultado adverso para elas ou para os seus bebês. Nenhuma diferença na taxa de prematuridade foi reportada quando mulheres receberam cuidado pré-natal em grupo. Esta revisão é limitada devido ao pequeno número de estudos e mulheres, e dado que um estudo contribuiu com 42% das mulheres. A maioria das análises foi baseada em um único estudo. Pesquisas adicionais são necessárias para determinar se o cuidado pré-natal em grupo é associado com benefício significativo em termos de prematuridade ou peso ao nascer.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

Cuidado pré-natal é uma das chaves dos serviços de saúde preventivos ao redor do mundo. Na maioria dos países ocidentais, o cuidado pré-natal tradicionalmente envolve um agendamento de vistas individuais com um prestador de cuidados. Uma forma diferente de prestação de cuidados pré-natal envolve a utilização de um modelo grupal.

Objetivos: 

1. Comparar os efeitos do cuidado pré-natal em grupo versus o cuido pré-natal convencional nos desfechos psicossociais, fisiológicos, trabalho de parto e nascimento para mulheres e seus bebês.

2. Comparar os efeitos do cuidado pré-natal em grupo versus o cuidado pré-natal convencional sobre a satisfação do prestador de cuidados.

Estratégia de busca: 

Buscamos no Cochrane Pregnancy and Childbirth Group's Trials Register (31 de Outubro de 2014), contactado especialistas na área e revisão das listas de referência de estudos recuperados.

Critérios de seleção: 

Todos ensaios clínicos controlados randomizados e quasi-randomizado identificados, publicados, não-publicados e em andamento, comparando grupo de cuidados pré-natais com o pré-natal convencional foram incluídos. Ensaios clínicos randomizados por cluster foram elegíveis, e um foi incluído. Estudos cross-over não foram elegíveis.

Coleta dos dados e análises: 

Dois revisores avaliaram independentemente os ensaios clínicos para inclusão e risco de viés e extração dos dados; todos os autores da revisão verificaram os dados para acurácia.

Resultados principais: 

Incluímos quatro estudos (2350 mulheres). O risco global de viés para os estudos incluídos foi avaliado como aceitável em dois estudos e bom em dois estudos. Não foram observadas diferenças estatisticamente significantes entre as mulheres que receberam cuidados pré-natais em grupo e aqueles que receberam cuidados pré-natais individual para o desfecho primário de nascimento prematuro (razão de risco (RR) 0,75, intervalo de confiança de 95% (IC) 0,57 a 1,00; três ensaios clínicos; N = 1888). A proporção de bebês com baixo peso ao nascer (menos do que 2500g) foi similar entre os grupos (RR 0,92, IC 95% 0,68 a 1,23; três ensaios clínicos; N = 1935). Também não se observaram diferenças entre os grupos para os resultados primários: pequeno para a idade gestacional (RR 0,92, IC 95% 0,68 a 1,24; dois ensaios, n = 1.473) e mortalidade perinatal (RR 0,63, IC 95% 0,32-1,25; três ensaios clínicos; N = 1943).

A satisfação foi avaliado ligeiramente superior entre as mulheres que foram alocadas aos cuidados pré-natais em grupo, mas esta diferença de 5 pontos não é clinicamente significativa na escala utilizada (diferença média 4,90, IC 95% 3,10 a 6,70; um estudo; N = 993). Nenhuma diferença na admissão do cuidado neonatal intensivo, início do aleitamento ou nascimento vaginal espontâneo foi observada entre os grupos. Vários desfechos relacionados com stress e depressão foram relatados em um ensaio. Nenhuma diferença entre os grupos foi observada para nenhum destes desfechos.

Não existiam dados disponíveis sobre os efeitos de cuidados pré-natais em grupo sobre a satisfação do prestador de cuidados.

Utilizou-se abordagem GRADE (Graus de Recomendação, Avaliação, Desenvolvimento e Avaliação) para avaliar a evidência para sete desfechos pré-estabelecidos; resultados variaram de baixa qualidade (mortalidade perinatal) à moderada qualidade (parto prematuro, baixo peso ao nascer, admissão à UTI neonatal, início da amamentação) à alta qualidade (satisfação com os cuidados pré-natais, parto vaginal espontâneo).

Notas de tradução: 

Tradução da Unidade de Medicina Baseada em Evidências da Unesp, Brazil (Caroline de Barros Gomes) Contato: portuguese.ebm.unit@gmail.com Translation notes:CD007622

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