Qual a precisão da ecografia torácica quando comparada com a radiografia de tórax em supinação no diagnóstico de pneumotórax traumático na sala de emergência?

Porque é importante melhorar o diagnóstico de pneumotórax traumático?

O ar que se acumula entre o pulmão e a parede torácica é descrito como pneumotórax. O pneumotórax pode levar ao colapso do pulmão, alterando a posição do coração e das restantes estruturas do tórax, levando à redução do fluxo sanguíneo que retorna ao coração, causando choque com risco de vida. Os médicos podem realizar uma drenagem torácica - um procedimento com risco de complicações como hemorragia, lesão de órgão e infecção - para evacuar o ar retido. A ausência de reconhecimento de um pneumotórax (falso negativo (FN)) pode causar insuficiência cardíaca e pulmonar, levando à morte. Um diagnóstico incorreto de pneumotórax (falso positivo (FP)) pode levar à colocação inadequada de um dreno torácico.

Qual é o objetivo desta revisão?

Determinar a precisão da ecografia torácica (CUS) em comparação com a radiografia de tórax (CXR) no diagnóstico de pneumotórax em doentes de trauma, no serviço de emergência (ED). Os autores incluíram 13 estudos para responder a esta pergunta.

O que foi estudado nesta revisão?

Comparámos a precisão do diagnóstico de dois testes, CUS e CXR. De seguida, comparámos os dois testes com a tomografia computadorizada (TC) e, se clinicamente necessário, com a drenagem torácica como procedimento de referência.

Quais são os principais resultados desta revisão?

A análise incluiu resultados de 1271 doentes de trauma, dos quais 410 tiveram um pneumotórax traumático.

Os resultados destes estudos indicam que, em teoria, se a ecografia (CUS) fosse usada num grupo de 100 doentes, dos quais 30 (30%) têm pneumotórax traumático, estima-se que 28 teriam um resultado positivo para pneumotórax. Destes, um (3,6%) seria diagnosticado incorretamente com pneumotórax (FP). Dos 72 doentes com resultado negativo para pneumotórax, três (4,2%) teriam realmente um pneumotórax (FN).

Em teoria, se a radiografia fosse usada num grupo de 100 doentes, dos quais 30 (30%) têm pneumotórax traumático, estima-se que 14 teriam um resultado positivo na CXR para pneumotórax e, nenhum destes seria um falso diagnóstico (0% de FP). Dos 86 doentes com resultado negativo para pneumotórax, 16 (18.6%) teriam na verdade um pneumotórax (FN).

Quão fidedignos são os resultados dos estudos desta revisão?

Os números reportados nos resultados são médias obtidas a partir de todos os estudos da revisão. Enquanto os resultados da CUS foram bastante consistentes, os resultados do CXR variam bastante; portanto, não podemos ter certeza de que o CXR irá produz sempre os mesmos resultados. Nos estudos incluídos, o diagnóstico de pneumotórax traumático foi confirmado por TC ou drenagem torácica. Embora tenha havido alguns problemas com a forma como alguns dos estudos foram conduzidos, os seus resultados não diferiram dos resultados dos estudos mais confiáveis.

A quem se aplicam os resultados desta revisão?

Os resultados podem não ser representativos de doentes em contextos diferentes ou com pneumotórax de diferentes etiologias. Os estudos incluídos nesta revisão concentraram-se apenas no diagnóstico de pneumotórax traumático na sala de emergência, conduzidos em três continentes. A prevalência média de pneumotórax traumático foi de 30% e variou entre 21% e 52%.

Quais são as implicações desta revisão?

Os estudos nesta revisão mostram que a CUS é mais precisa que o CXR no diagnóstico de pneumotórax em doentes de trauma na sala de emergência, o que pode levar à colocação mais atempada da drenagem torácica, reduzindo as complicações relacionadas com o pneumotórax e melhorando os resultados. O risco de falhar o diagnóstico com CUS é baixo (apenas 4,2% dos pneumotórax não têm ecografia compatível), sugerindo que apenas alguns doentes podem não ser drenados imediatamente. O risco de diagnosticar incorretamente um pneumotórax traumático com CUS é baixo (3,6% dos diagnósticos ecográficos) e pode levar à colocação desnecessária de um dreno torácico.

Em comparação, o risco de falhar o diagnóstico de um pneumotórax traumático com radiografia torácica (CXR) é alto (18,6% dos pneumotórax não têm radiografia sugestiva), sugerindo que um grande número de doentes pode não receber uma drenagem torácica imediatamente. O risco de diagnosticar erroneamente um pneumotórax traumático usando radiografia torácica é baixo (0% daqueles cuja ecografia era falsamente sugestiva de pneumotórax).

Quão atualizada é esta revisão?

Os autores desta revisão pesquisaram e incluíram publicações de 1900 a 10 de abril de 2020.

Notas de tradução: 

Traduzido por: Mariana Morgado, Cirurgiã Pediátrica, Centro Hospitalar de Lisboa Norte, Lisboa, Portugal. Com o apoio da Cochrane Portugal.

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