Inibidores seletivos da recaptação da serotonina para a síndrome da fibromialgia

Pesquisadores da Cochrane Collaboration conduziram uma revisão de pesquisas sobre os efeitos dos antidepressivos classificados como inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS) em fibromialgia. Depois de buscar por todos os estudos relevantes até Junho de 2014, eles encontraram sete estudos que compararam ISRSs com placebo. Esses estudos incluíam um total de 383 pessoas. A maioria dos participantes eram mulheres de meia-idade. O ISRSs que eles estudaram foram citalopram, fluoxetina e paroxetina. Cinco estudos foram financiados por empresas farmacêuticas, e dois estudos foram financiados por instituições públicas.

Os principais resultados
Não temos certeza da evidência dos desfechos da redução da dor, problemas de sono, fadiga, depressão, melhora global (proporção de pacientes que relataram estar muito ou muitíssimo melhor), tolerabilidade (taxas de abandono devido a eventos adversos) e segurança (eventos adversos graves).

Possíveis efeitos secundários de ISRSs podem incluir boca seca, náuseas/ vômitos e disfunção sexual. As complicações raras podem incluir alergias, doenças do sistema imunológico, danos no fígado e comprometimento da capacidade de uma pessoa para conduzir ou operar máquinas; efeitos colaterais graves, como pensamentos suicidas e insuficiência hepática, são muito raros.

O que é fibromialgia e quais são os inibidores da recaptação da serotonina?
Pessoas com fibromialgia sofrem de dor crônica generalizada, problemas de sono e fadiga. Não há cura para a fibromialgia no presente. Tratamentos objetivam aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de saúde da vida.

A serotonina é um produto químico produzido pelo corpo humano e está envolvido nas experiências de dor, sono e humor. Redução das concentrações de serotonina têm sido relatada em pessoas com fibromialgia. ISRSs são antidepressivos que aumentam a concentração de serotonina no cérebro. ISRSs não são aprovados para tratamento de fibromialgia, mas são aprovados para depressão e distúrbios de ansiedade.

Qualidade da evidência
A qualidade da evidência era muito baixa para cada desfecho. Rebaixamos a qualidade da evidência para muito baixa devido a preocupações sobre o risco de viés e estudos com poucos participantes. Por isso não temos certeza se tomar ISRSs por uma média de oito semanas melhora os sintomas da fibromialgia (número de pessoas que relataram que sua dor foi reduzida em pelo menos 30%, e o número de pessoas relatando uma melhora global clinicamente importante na intensidade da dor, fadiga, sono problemas e depressão).

Este é um Resumo e Sumário de Plano de Línguagem de Cochrane Review, preparada e mantida pela Cochrane Collaboration, atualmente publicado no The Cochrane Database of Systematic Reviews 2011 Edição X, Copyright© 2011 The Cochrane Collaboration. Publicado por John Wiley e Sons, Ltd. O texto completo da revisão está disponível em The Cochrane Library (ISSN 1464-780X).

Este registro deve ser citado como: Walitt B, Urrutia G, Nishishinya MB, Riera Lizardo RJ, Cantrell SE, Häuser W. Inibidores seletivos da recaptação da serotonina para síndrome da fibromialgia. Cochrane Database of Systematic Reviews [ano], Edição [Edição].

Conclusão dos autores: 

Não há evidência imparcial de que os ISRSs são superiores ao placebo no tratamento dos sintomas principais de fibromialgia, a saber, dores, fadiga e distúrbios do sono. ISRSs podem ser considerados para o tratamento de depressão em pessoas com fibromialgia. O aviso da tarja preta para o aumento da tendência suicida em adultos jovens com idades entre 18 a 24, com transtorno depressivo maior, que tomaram ISRSs, deve ser considerado quando apropriado.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

Fibromialgia é uma condição crônica clinicamente bem definida com uma etiologia biopsicossocial. A fibromialgia é caracterizada por dor crônica músculo-esquelética generalizada, problemas de sono, disfunção cognitiva e fadiga. Os pacientes frequentemente relatam altos níveis de disfunção e má qualidade de vida. Como não há tratamento específico que altera a patogênese da fibromialgia, a terapia de droga centra-se na redução da dor e melhoria de outros sintomas aversivos.

Objetivos: 

O objetivo foi avaliar os benefícios e malefícios dos inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS) no tratamento da fibromialgia.

Estratégia de busca: 

Buscamos na Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL; 2014, Edição 5), MEDLINE (1966 a Junho de 2014), EMBASE (1946 a Junho de 2014), e nas listas de referência de artigos revisados.

Critérios de seleção: 

Foram selecionados todos os ensaios clínicos randomizados, duplo-cegos de ISRSs utilizados para o tratamento de sintomas da fibromialgia em adultos participantes. Consideramos os seguintes ISRSs nesta revisão: citalopram, fluoxetina, escitalopram, fluvoxamina, paroxetina e sertralina.

Coleta dos dados e análises: 

Três autores extraíram os dados de todos os estudos incluídos e avaliaram os riscos de viés dos estudos. Resolvemos discrepâncias por discussão.

Resultados principais: 

A qualidade da evidência era muito baixa para cada desfecho. Rebaixamos a qualidade das evidências a muito baixa devido a preocupações sobre o risco de viés e estudos com poucos participantes. Foram incluídos sete estudos controlados com placebo, dois com citalopram, três com fluoxetina e dois com paroxetina, com um duração média de oito semanas (4 a 16 semanas) e 383 participantes, que foram agrupados juntos.

Todos os estudos têm uma ou mais fontes potenciais de viés. Houve uma pequena (10%) diferença de pacientes que relataram uma redução da dor em 30% entre os ISRSs (56/172 (32,6%)) e placebo (39/171 (22,8%)) diferença de risco (DR) 0,10, intervalo de confiança 95% (IC) 0,01 a 0,20; número necessário para tratar de um resultado benéfico adicional (NNTB) 10, IC 95% 5 a 100; e na melhoria global (proporção de pacientes que relataram melhorar muito ou muitíssimo: 50/168 (29,8%) dos pacientes com ISRSs e 26/162 (16,0%) dos pacientes com placebo) DR 0,14, IC 95% 0,06 a 0,23; NNTB 7, IC 95% 4 a 17.

ISRSs não reduziram estatisticamente ou clinicamente a fadiga: diferença média padrão (DMP) -0,26, IC 95% -0,55 a 0,03; 7,0% de melhoria absoluta em uma escala de 0 a 10, IC 95% 14,6% de melhoria em relação ao 0,8% de deterioração relativa; nem os problemas do sono: DMP 0,03, IC 95% -0,26 a 0,31; 0,8% de deterioração absoluta em uma melhoria relativa 0 a 100 escala, IC 95% 8,3% relativa deterioração para 6,9%.

ISRSs foram superiores ao placebo na redução da depressão: DMP -0,39, IC 95% -0,65 a -0,14; 7,6% de melhoria absoluta em uma escala de 0 a 10, IC 95% 2,7% a 13,8% de melhoria relativa; NNTB 13, IC 95% de 7 a 37. A taxa de abandono devido a eventos adversos não foi maior com o uso de ISRSs do que com o uso de placebo (23/146 (15,8%) dos pacientes com ISRSs e 14/138 (10,1%) dos pacientes com placebo) DR 0,04, IC 95% -0,06 a 0,14. Não houve diferença estatística ou clinicamente significante na diferença de eventos adversos graves entre uso de ISRSs e placebo (3/84 (3.6%) em pacientes com ISRSs e 4/84 (4.8%) em pacientes com placebo) DR -0,01, IC 95% -0,07 a 0,05.

Notas de tradução: 

Traduzido por: Vaniely Kaliny Pinheiro de Queiroz, Unidade de Medicina Baseada em Evidências da Unesp, Brazil. Contato: portuguese.ebm.unit@gmail.com

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