Tratamento das complicações dentárias em pessoas com doença falciforme

Pergunta da revisão

Planejamos revisar as evidências sobre o tratamento das complicações dentárias em pessoas com doença falciforme.

Introdução

A doença falciforme é um problema sanguíneo que afeta pelo menos 5,2% da população de vários países. A doença é causada por um defeito genético que faz com que a hemoglobina nos glóbulos vermelhos (um tipo de célula do sangue que transporta oxigênio) não seja normal. Os glóbulos vermelhos das pessoas com essa doença, em vez de terem a forma normal de um disco, ficam parecendo uma foice. Estas células em forma de foice podem se agrupar e obstruir a passagem de sangue dentro dos vasos sanguíneos de vários órgãos. Isso ocorre principalmente quando a pessoa passa por eventos estressores como falta de oxigênio, desidratação, exposição a temperaturas extremas, estresse, menstruação, e infecção. No curto prazo, o bloqueio dos vasos sanguíneos causa episódios repentinos de dor intensa. No longo prazo, esses bloqueios podem fazer com que a pessoa com doença falciforme desenvolva lesões crónicas nos seus órgãos.

A doença falciforme também leva a alterações e complicações na boca, mandíbula e no rosto. Porém, o tratamento destas complicações dentárias é muitas vezes negligenciado uma vez que as pessoas com doença falciforme concentram-se em preservar sua saúde geral que pode ser bastante afetada pelo grave problema sanguíneo. Essa negligência dos pequenos problemas dentários pode não só agravar o problema local como também causar uma dolorosa crise falciforme, levando até à necessidade de internação hospitalar de emergência. O tratamento das complicações orais destas pessoas precisa ser adaptado ao seu problema sanguíneo para não piorar ainda mais sua saúde geral.

Há falta de informação sobre o tratamento adequado para complicações dentárias em pessoas com doença falciforme e não há diretrizes claras sobre esse tratamento. Isso leva muitos dentistas a não querer tratar essas pessoas devido ao medo delas terem complicações. Portanto, planejamos investigar esta questão e disponibilizar a evidência existente nesta área para os profissionais de saúde e as pessoas com a doença.

Data da busca

A evidência está atualizada até: 01 de agosto de 2019.

Características do estudo

Não encontramos nenhum estudo controlado randomizado que avaliasse o tratamento de quaisquer complicações dentárias em pessoas com doença falciforme.

Principais resultados
Como não encontramos nenhum estudo, não podemos tirar conclusões ou destacar quaisquer implicações para a prática. São necessários estudos para estabelecer o melhor tratamento para problemas dentários em pessoas com doença falciforme.

Qualidade da evidência

Não há evidência proveniente de ensaios clínicos randomizados (onde as pessoas são sorteadas para um ou outro tratamento) sobre qualquer tratamento para complicações dentárias em pessoas com doença falciforme.

Conclusão dos autores: 

Esta Revisão Cochrane não identificou nenhum ensaio clínico randomizado controlado que avaliasse intervenções para o tratamento de complicações dentárias em pessoas com doença falciforme. Há uma necessidade importante de fazer ensaios clínicos randomizados controlados nesta área. Somente assim será possível saber qual é o método mais efetivo e seguro para tratar complicações dentárias em pessoas com doença falciforme.

Leia o resumo na íntegra...
Introdução: 

A doença falciforme é um problema genético causado por um único gene. É a hemoglobinopatia mais comum e tem alta prevalência em muitas populações do mundo. O tratamento das complicações dentárias em pessoas com doença falciforme requer uma atenção especial por três razões principais. Em primeiro lugar, o problema sanguíneo afeta os tecidos dentários e bucais e leva a diversas anomalias orofaciais graves. Em segundo lugar, por ter que viver com a hemoglobinopatia e lidar com suas graves consequências, muitos indivíduos negligenciam seus cuidados de saúde oral. Finalmente, o tratamento dessas complicações orais deve ser adaptado à condição sistêmica e às necessidades especiais desses indivíduos, para não exacerbar ou piorar sua saúde geral.

As diretrizes sobre o tratamento das complicações dentárias nesta população que requer cuidados especiais não são claras e até inexistentes em muitas áreas. Portanto, fizemos esta revisão para servir de base para os cuidados clínicos. Investigamos e analisamos as evidências existentes na literatura sobre o tratamento das complicações dentárias em pessoas com doença falciforme. Esta é uma atualização de uma revisão publicada anteriormente.

Objetivos: 

Avaliar os tratamentos das complicações dentárias em pessoas com doença falciforme.

Métodos de busca: 

Fizemos buscas no registro de ensaios clínicos de hemoglobinopatias do Cochrane Cystic Fibrosis and Genetic Disorders Review Group. Esse repositório de estudos compila os resultados de buscas eletrônicas em bases de dados e de buscas manuais em revistas e em anais de congressos.

Data da última busca: 01 de agosto de 2019.

Além disso, também fizemos buscas em nove bases de dados online (PubMed, Google Scholar, ClinicalTrials.gov, WHO International Clinical Trials Registry Platform, Literature in the Health Sciences in Latin America and the Caribbean, African Index Medicus, Index Medicus for South East Asia Region, Index Medicus for the Eastern Mediterranean Region, Indexing of Indian Medical Journals). Também pesquisamos as listas de referências de artigos e revisões relevantes e contatamos hematologistas, especialistas em odontologia, organizações, empresas farmacêuticas e pesquisadores que trabalham nesta área.

Data da última busca: 07 de novembro de 2019.

Critério de seleção: 

Procuramos ensaios clínicos randomizados e controlados, publicados ou não, sobre tratamentos para complicações dentárias em pessoas com doença falciforme.

Coleta dos dados e análises: 

Dois autores da revisão, trabalhando de forma independente, iriam extrair dados e avaliar o risco de viés dos estudos incluídos usando os métodos padrão da Cochrane. Porém, não identificamos nenhum estudo para inclusão na revisão.

Principais resultados: 

Não identificamos nenhum ensaio clínico randomizado controlado.

Notas de tradução: 

Tradução do Centro Afiliado Rio de Janeiro / Faculdade de Medicina de Petrópolis, Cochrane Brazil (Micael Stopa Pessata do Nascimento e Maria Regina Torloni). Contato: tradutores@centrocochranedobrasil.org.br

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