Intervenções para aumentar o consumo de frutas e vegetais em crianças com até 5 anos de idade

Introdução

O consumo insuficiente de frutas e vegetais é um importante problema de saúde nos países desenvolvidos. O consumo de frutas e vegetais está associado à redução do risco de doenças crônicas no futuro (tais como doenças cardiovasculares). A primeira infância representa um período crítico para que as crianças criem hábitos alimentares. Portanto, intervenções para aumentar o consumo de frutas e vegetais na primeira infância podem ser estratégias efetivas para reduzir esse problema.

Pergunta da revisão

O objetivo desta revisão foi avaliar o impacto de intervenções destinadas a aumentar o consumo de frutas ou vegetais, ou ambos, em crianças de até cinco anos.

Métodos

Fizemos buscas em diversas bases de dados, e em revistas médicas, para encontrar ensaios clínicos randomizados (um tipo de estudo) relevantes sobre o assunto. Entramos em contato com os autores dos estudos incluídos na revisão para identificar mais ensaios clínicos relevantes. Incluímos na revisão todos ensaios clínicos randomizados (estudos onde os participantes têm a mesma chance de serem sorteados para o grupo tratado ou controle) que avaliaram intervenções para aumentar o consumo de frutas ou vegetais, ou ambos, em crianças com até cinco anos de idade, Os estudos deveriam medir a ingestão desses alimentos. Dois autores, trabalhando de forma independente, fizeram as buscas e extraíram os dados dos estudos. A evidência está atualizada até janeiro de 2018.

Resultados

Incluímos 63 ensaios clínicos randomizados (ECRs) envolvendo um total de 11.698 participantes. 39 ECRs avaliaram intervenções práticas alimentares com as crianças (por exemplo, exposição repetida à vegetais), 14 avaliaram intervenções educativas nutricionais com os pais, 9 avaliaram intervenções com vários componentes (por exemplo, mudança nas políticas pré-escolares mais educação dos pais) e 1 avaliou uma intervenção educativa nutricional infantil. As intervenções práticas alimentares com as crianças e as intervenções com vários componentes podem aumentar discretamente a ingestão de frutas e vegetais em crianças, no curto prazo (menos que 12 meses). Não está claro se as intervenções educativas nutricionais dos pais são efetivas para aumentar o consumo de frutas e vegetais das crianças. Não havia informação suficiente para que pudéssemos avaliar a efetividade das intervenções no longo prazo, nem sua relação custo-efetividade ou os possíveis danos decorrentes dessas intervenções. Alguns estudos receberam recursos financeiros governamentais ou de organizações sem fins lucrativos. Quatro estudos receberam financiamento da indústria.

Conclusões

Intervenções práticas alimentares com crianças e intervenções com vários componentes podem fazer com que as crianças aumentem sua ingestão de frutas e de vegetais (em 3,50 g e 0,37 xícaras por dia, respectivamente). Esta conclusão é baseada em evidências de qualidade muito baixa e baixa. Isso indica que é muito provável que a conclusão mude quando novos estudos forem realizados. Não está claro se intervenções educativas nutricionais com os pais aumentam a ingestão de frutas e vegetais das crianças.

Esta é uma revisão sistemática “viva”. Este tipo de revisão é atualizada continuamente, assim que surgem novas evidências. Por favor entre na Cochrane Database of Systematic Reviews para verificar o status atual desta revisão.

Conclusão dos autores: 

Apesar de identificarmos 63 ECRs elegíveis que avaliaram vários tipos de intervenções, ainda há pouca evidência a respeito de como aumentar o consumo de frutas e vegetais das crianças. Existe evidência de qualidade muito baixa e baixa, respectivamente, de que intervenções práticas alimentares infantis e intervenções multicomponentes podem levar a um aumento muito pequeno no consumo de frutas e vegetais de crianças com até 5 anos de idade. Não está claro se intervenções educativas nutricionais com os pais são efetivas para aumentar o consumo de frutas e vegetais nestas crianças. Como a qualidade da evidência é muito baixa ou baixa, novos estudos provavelmente irão mudar as estimativas dos efeitos e as conclusões desta revisão. Para o avanço científico neste campo, é necessário que os novos estudos sejam mais rigorosos do ponto de vista metodológico e que acompanhem os participantes no longo prazo.

Esta é uma revisão sistemática “viva”. Este tipo de revisão é atualizada continuamente, assim que surgem novas evidências. Por favor entre na Cochrane Database of Systematic Reviews para verificar o status atual desta revisão.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

O consumo insuficiente de frutas e vegetais na infância aumenta o risco de doenças crônicas não transmissíveis no futuro, incluindo doenças cardiovasculares. As intervenções para aumentar o consumo de frutas e vegetais na primeira infância, tais como estratégias específicas de alimentação infantil e intervenções educativas nutricionais dos pais, podem ser efetivas para reduzir a carga dessas doenças.

Objetivos: 

O objetivo desta revisão foi avaliar a efetividade, a relação custo-efetividade e os eventos adversos de intervenções para aumentar o consumo de frutas, vegetais ou ambos em crianças de até 5 anos.

Estratégia de busca: 

Em 25 de janeiro de 2018, fizemos buscas nas bases de dados: CENTRAL, MEDLINE e Embase e em duas bases de registros de ensaios clínicos para identificar estudos elegíveis. Em novembro de 2017, fizemos buscas na Proquest Dissertations and Theses. Revisamos as listas de referências dos estudos incluídos e fizemos buscas manuais em três periódicos internacionais de nutrição. Entramos em contato com os autores dos estudos incluídos para identificar outros estudos potencialmente relevantes.

Critérios de seleção: 

Incluímos ensaios clínicos randomizados (ECRs), incluindo cluster e cross over, que avaliaram qualquer intervenção para aumentar a ingestão de frutas, vegetais, ou ambos em crianças de até cinco anos de idade. Os ECRs deveriam incluir uma avaliação bioquímica ou dietética do consumo desses alimentos. Dois autores da revisão, trabalhando de forma independente, avaliaram os títulos e os resumos dos estudos identificados; um terceiro autor resolveu qualquer discordância quanto à elegibilidade dos estudos.

Coleta dos dados e análises: 

Dois autores da revisão, trabalhando de forma independente, extraíram os dados e avaliaram o risco de viés dos estudos incluídos; um terceiro autor resolveu as eventuais discordâncias. Devido à heterogeneidade entre os estudos, utilizamos o modelo de efeitos aleatórios nas metanálises. Calculamos as diferenças médias padronizadas (SMD) devido à heterogeneidade das medidas usadas para avaliar o consumo de frutas e vegetais nos diferentes estudos. Usamos os métodos habituais da Cochrane para avaliar o risco de viés dos estudos e a qualidade da evidência (GRADE).

Resultados principais: 

Incluímos 63 ECRs, com 178 braços, envolvendo um total de 11.698 participantes. Dentre esses estudos, 39 avaliaram o impacto de práticas alimentares infantis (por exemplo, exposição repetida a alimentos) no aumento da ingestão de vegetais das crianças, 14 avaliaram o impacto da intervenções educativas nutricionais com os pais no aumento da ingestão de frutas e vegetais das crianças, 9 avaliaram o impacto de intervenções multicomponentes (por exemplo, educação nutricional dos pais e mudanças nas políticas pré-escolares) no aumento do consumo de frutas e vegetais das crianças, e 1 ECR avaliou o efeito de uma intervenção educativa nutricional com as crianças no aumento da sua ingestão de frutas e vegetais.

Dentre os 63 ECRs, 14 não tinham alto risco de viés em nenhum dos domínios avaliados. Todos outros estudos tinham alto risco de viés em diversos domínios; mais frequentemente para viés de desempenho, de detecção e de atrito.

Existe evidência de qualidade muito baixa de que práticas alimentares infantis, comparadas com nenhuma intervenção, podem ter um pequeno efeito positivo no consumo de vegetais das crianças. Essas intervenções levaram a um aumento de 3,50 g no consumo desejado de vegetais (SMD 0,33, IC 95% 0,13 a 0,54; 1741 participantes, 13 estudos). Existe evidência de baixa qualidade de que intervenções multicomponentes, comparadas com nenhuma intervenção, têm um efeito extremamente pequeno no consumo de frutas e vegetais das crianças. Essas intervenções produziram um aumento médio de 0,37 xícaras de frutas e vegetais por dia (SMD 0,35, IC 95% 0,04 a 0,66; 2009 participantes, 5 estudos). Não está claro se a educação nutricional dos pais, comparada com nenhuma intervenção, produz alguma diferença no consumo no curto prazo de frutas e vegetais das crianças (SMD 0,12, IC 95% -0,03 a 0,28, 3078 participantes, 11 estudos; evidência de qualidade muito baixa).

Os dados disponíveis foram insuficientes para avaliar a efetividade das intervenções no longo prazo, a relação custo-efetividade e os eventos adversos das mesmas. Alguns estudos relataram ter recebido fomento de entidades governamentais ou de organizações sem fins lucrativos. Quatro estudos declararam ter recebido recursos financeiros da indústria.

Notas de tradução: 

Tradução do Centro Cochrane do Brasil (Rayanna Mara de Oliveira Santos Pereira e Ana Carolina P. N. Pinto). Contato: tradutores@centrocochranedobrasil.org.br

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