Intervenções para fazer com que crianças com até cinco anos de idade comam mais frutas e legumes

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Introdução

O consumo insuficiente de frutas e legumes é um problema de saúde importante nos países desenvolvidos. O consumo de frutas e legumes diminui o risco de as pessoas terem doenças crônicas no futuro. A primeira infância é um período crítico para o estabelecimento dos hábitos alimentares. Intervenções para aumentar o consumo de frutas e legumes na primeira infância podem ser uma forma efetiva de reduzir as consequências dessas doenças.

Pergunta da revisão

Avaliar o impacto de intervenções que têm como objetivo aumentar o consumo de frutas ou legumes, ou os dois, por crianças de até cinco anos de idade.

Métodos

Pesquisamos várias bases de dados eletrônicas e revistas médicas relevantes para encontrar estudos. Entramos em contato com os autores dos estudos incluídos na revisão para encontrar mais pesquisas potencialmente relevantes. Incluímos qualquer estudo randomizado (em que os participantes têm a mesma chance de participar do grupo intervenção ou controle) que testasse intervenções para aumentar o consumo de frutas ou legumes, ou ambos, por crianças de até cinco anos. Dois revisores, trabalhando de forma independente, procuraram encontrar estudos relevantes e coletar dados dos estudos. A evidência é atual até setembro de 2017.

Resultados

Incluímos 55 estudos com 11.108 participantes. 33 estudos avaliaram intervenções de alimentação infantil, 13 avaliaram intervenções educativas nutricionais para os pais, 8 avaliaram intervenções que tinham vários componentes e 1 estudo avaliou uma intervenção educativa nutricional para crianças. Intervenções alimentares voltadas para as crianças (por exemplo, exposição repetida a legumes) foram efetivas no aumento do consumo de legumes no curto prazo (menos de 12 meses). A educação nutricional dos pais e intervenções com vários componentes (por exemplo, combinando mudanças nas práticas de alimentação para pré-escolares mais educação dos pais) não foram efetivas para aumentar o consumo de frutas e legumes. Não houve informação suficiente para avaliar a efetividade das intervenções no longo prazo, nem o custo-efetividade ou eventos adversos. Dentre os estudos que relataram ter recebido dinheiro de fontes externas, três foram financiados por indústrias e os outros receberam verbas de governos ou de doações.

Conclusões

A evidência sobre a efetividade das intervenções para aumentar o consumo de frutas e legumes por crianças de até cinco anos permanece escassa. Intervenções envolvendo alimentação infantil parecem aumentar o consumo de legumes (em 4,03 gramas). Mas essa conclusão é baseada em evidência de qualidade muito baixa e muito provavelmente pode mudar com pesquisas futuras.

Esta é uma revisão sistemática “viva”. Esse tipo de revisão usa uma nova forma de atualização contínua, incorporando novas evidências relevantes assim que elas se tornam disponíveis. Por favor, consulte a Cochrane Database of Systematic Reviews para saber a situação atual desta revisão.

Conclusões dos autores: 

Apesar de existirem 55 estudos elegíveis com várias intervenções diferentes, ainda existe pouca evidência sobre o que fazer para que as crianças aumentem seu consumo de frutas e legumes. Existe evidência de qualidade muito baixa de que intervenções nutricionais infantis sejam efetivas para aumentar o consumo de legumes por crianças de até 5 anos. Porém, o tamanho do efeito foi muito pequeno e é necessário fazer um seguimento no longo prazo. Existe evidência de qualidade muito baixa de que a educação nutricional dos pais e intervenções com múltiplos componentes não são efetivas para aumentar o consumo de frutas e legumes por crianças de até 5 anos. Todos os achados devem ser vistos com cautela, pois a maioria dos estudos incluídos não pôde ser combinada em metanálises. Como a evidência existente é de qualidade muito baixa, é muito provável que pesquisas futuras venham a mudar essas estimativas e conclusões. Esses futuros estudos deveriam adotar métodos mais rigorosos para podermos avançar neste campo.

Esta é uma revisão sistemática “viva”. Esse tipo de revisão sistemática usa uma nova abordagem de atualização em que a revisão é continuamente revisada, incorporando novas evidências relevantes assim que estas se tornam disponíveis. Por favor, consulte a Cochrane Database of Systematic Reviews para saber a situação atual desta revisão.

Leia o resumo na íntegra...
Introdução: 

O consumo insuficiente de frutas e legumes na infância aumenta o risco de doenças crônicas no futuro, incluindo problemas cardiovasculares.

Objetivos: 

Avaliar a efetividade, a relação custo-efetividade e os eventos adversos associados com intervenções destinadas a aumentar o consumo de frutas, legumes, ou ambos, entre crianças de até cinco anos de idade.

Estratégia de busca: 

Em 25 de setembro de 2017, fizemos buscas nas bases eletrônicas The Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL) na Cochrane Library, MEDLINE e EMBASE para identificar estudos elegíveis. Pesquisamos a Proquest Dissertations and Theses e duas plataformas de registros de ensaios clínicos em novembro de 2017. As referências dos estudos incluídos foram revisadas e também fizemos buscas manuais em três revistas internacionais de nutrição. Entramos em contado com todos autores dos estudos incluídos para identificar outros estudos potencialmente relevantes.

Critérios de seleção: 

Incluímos ensaios clínicos randomizados, inclusive dos tipos cluster (por conglomerado) e cross-over, que testassem qualquer tipo de intervenção para aumentar o consumo de frutas, legumes, ou ambos, em crianças com até cinco anos de idade e que tivessem alguma avaliação bioquímica ou dietética do consumo desses alimentos. Dois autores da revisão, trabalhando de forma independente, avaliaram os títulos e os resumos das citações identificadas; um terceiro autor foi consultado para resolver divergências quanto à elegibilidade dos estudos.

Coleta dos dados e análises: 

Dois revisores, trabalhando de forma independente, extraíram os dados e avaliaram o risco de viés dos estudos incluídos; um terceiro revisor resolveu as divergências. Quando encontramos estudos que pudessem ser combinados em metanálises para nossos desfechos primários, usamos o modelo de efeito randômico, devido à heterogeneidade entre os estudos. Devido às diversas formas usadas para medir o consumo de frutas e legumes, calculamos a diferença de média padronizada (DMP). Avaliamos o risco de viés dos estudos e a qualidade da evidência (ferramenta GRADE) seguindo as orientações da Cochrane.

Principais resultados: 

Incluímos 55 estudos com 154 intervenções e 11.108 participantes. Trinta e três estudos avaliaram o impacto de práticas alimentares específicas (por exemplo, exposição repetida a um alimento) no aumento do consumo de legumes pelas crianças. Treze estudos avaliaram o impacto da educação nutricional dos pais no aumento do consumo de frutas e legumes pela criança. Oito estudos avaliaram o impacto de intervenções com múltiplos componentes (por exemplo, educação nutricional dos pais e mudanças nas políticas de alimentação pré-escolar) no aumento do consumo de frutas e legumes pelas crianças. Um estudo avaliou o efeito de uma intervenção nutricional específica para crianças no aumento do consumo de frutas e legumes.

Dentre os 55 estudos incluídos, 14 foram considerados livres de alto risco de viés em todos os domínios. Todos os outros estudos tiveram alto risco de viés de desempenho (performance), detecção e atrito (perdas).

A metanálise comparando práticas de alimentação infantil versus nenhuma intervenção mostrou um efeito positivo da intervenção no consumo de legumes pelas crianças (DMP 0,38, IC 95% 0,15 a 0,61; n = 1.509; 11 estudos; evidência de qualidade muito baixa), o que significa uma diferença média de 4,03 gramas de legumes. Não houve diferença no consumo de frutas ou legumes no curto prazo na metanálise que avaliou educação nutricional dos pais versus nenhuma intervenção (DMP 0,11, IC 95% -0,05 a 0,28; n = 3.023; 10 estudos; evidência de qualidade muito baixa) ou intervenções com múltiplos componentes versus nenhuma intervenção (DMP 0,28, IC 95% -0,06 a 0,63; n = 1.861; 4 estudos; evidência de qualidade muito baixa).

Não houve dados suficientes para avaliar a efetividade das intervenções no longo prazo, o custo efetividade e os eventos adversos das intervenções. Exceto por três estudos que receberam verbas de indústrias, os outros estudos relataram terem sido financiados por governos ou fundos de doações.

Notas de tradução: 

Tradução do Cochrane Brazil (Rayanna Mara de Oliveira Santos Pereira e Carolina de Oliveira Cruz Latorraca). Contato: tradutores@centrocochranedobrasil.org.br

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