Tratamento com ferro destinado a adultos e crianças com diminuição da função renal

Qual é o problema?

A anemia (redução do número de glóbulos vermelhos circulantes) ocorre frequentemente em doentes que têm doença renal, especialmente os que necessitam de realizar diálise. A anemia pode originar cansaço, diminuição da tolerância ao exercício e aumento da dimensão do coração. Uma causa comum de anemia é a diminuição da produção de uma hormona, a eritropoetina. A deficiência de ferro pode agravar a anemia e reduzir a resposta a medicamentos que estimulam a produção de eritropoetina. O ferro pode ser administrado por via oral (pela boca) ou endovenosa (injetado na veia). O ferro endovenoso é administrado sob supervisão no hospital. Existe incerteza sobre se deve ser usado ferro endovenoso ou ferro oral.

O que fizemos?

Revimos 39 estudos (3852 participantes) nos quais foi comparada a suplementação com ferro oral com ferro endovenoso em doentes com doença renal crónica.

O que descobrimos?

Detetámos que a utilização de ferro endovenoso pode aumentar o valor de hemoglobina e ferro comparativamente à utilização de ferro oral. No entanto, a utilização de ferro endovenoso pode aumentar o número de reações alérgicas apesar de poder reduzir os efeitos adversos como obstipação, diarreia, náuseas e vómitos observados com o ferro oral. Não detetámos evidência suficiente para determinar se o ferro endovenoso, comparativamente ao ferro oral, aumenta a qualidade de vida, altera a taxa de mortalidade ou a mortalidade devido a doença cardíaca.

Conclusões

Apesar dos resultados sugerirem que o ferro endovenoso, comparativamente ao ferro oral, poder ser mais eficaz a aumentar o valor de ferro e de hemoglobina, não detetámos evidência suficiente para determinar se o ferro endovenoso melhora a qualidade de vida ou a mortalidade.

Notas de tradução: 

Traduzido por: Miguel Bigotte Vieira, Serviço de Nefrologia e Transplantação Renal, Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte; Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa, com o apoio da Cochrane Portugal

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