Tratamentos para a calvície de padrão feminino

Pergunta da revisão

Quais tratamentos são eficazes e seguros para calvície padrão feminino?

Introdução

O tipo mais comum de queda de cabelo em mulheres é a calvície de padrão feminino, também conhecida como alopecia androgenética. Diferentemente dos homens, as mulheres não costumam ter calvície completa (não ficam carecas), mas sim uma diminuição dos fios de cabelo principalmente na região do alto e da frente da cabeça. Apesar de a calvície feminina poder ocorrer em qualquer época da vida, desde a adolescência até a velhice, ela acontece com maior frequência nas mulheres que já passaram pela menopausa.

O diagnóstico é feito através da história clínica (incluindo antecedentes familiares). Como existem outras causas para a calvície, um exame clínico e exames laboratoriais podem ser necessários. A calvície de padrão feminino pode ter um impacto significante na auto imagem da mulher, podendo afetar sua autoconfiança e sua qualidade de vida, levando-a a não se sentir atraente, ocasionando vergonha, desconforto, estresse emocional e baixa autoestima.

Características dos estudos

Nós examinamos as evidências disponíveis (estudos publicados) até 7 de julho de 2015. No total, 47 estudos, com 5290 mulheres, preencheram os critérios de inclusão desta revisão Cochrane. A idade das participantes variou de 27 a 57 anos. Mais da metade dos estudos incluídos tinham risco de viés incerto, 16 tinham alto risco de viés e apenas 5 estudos tinham baixo risco de viés. Apenas 26 dos 47 estudos declararam qual era a fonte de financiamento do estudo, sendo que as verbas para esses estudos vieram principalmente de fabricantes de remédios.

Resultados principais

Esta revisão Cochrane concluiu que o minoxidil é mais eficaz do que o placebo. Em 6 estudos, a proporção de mulheres que relataram pelo menos um crescimento moderado do cabelo foi duas vezes mais elevada no grupo do minoxidil quando comparado ao grupo do placebo. Em 7 estudos, este relato de melhora das próprias pacientes foi confirmado por avaliações feitas pelos investigadores. Em 8 estudos, houve um aumento importante na contagem total de cabelos por cm² no grupo do minoxidil em comparação com o grupo placebo. A qualidade de vida só foi avaliada em 1 estudo e os dados apresentados não deixam claro se houve uma melhora importante quanto a isso. O número de eventos adversos foi semelhante para ambos os grupos. A maioria dos eventos adversos foram leves e consistiam em coceira, irritação da pele, dermatite e crescimento de pelos em outras áreas que não o couro cabeludo.

Quatro estudos compararam concentrações diferentes de minoxidil (2% versus 5%), mas nenhum deles indicou qualquer benefício do uso do remédio mais concentrado comparado ao menos concentrado. O número de eventos adversos não diferiu entre os dois grupos. O minoxidil não deve ser utilizado por gestantes ou por mulheres que estão amamentando.

Três estudos compararam a finasterida ao placebo. A finasterida só é aprovada para uso em homens com perda de cabelo, bem como para o tratamento de casos de aumento da próstata. Apenas 1 desses estudos relatou a avaliação tanto das participantes como dos investigadores, e concluiu que a finasterida não foi melhor do que o placebo. Apenas 1 pequeno estudo (com 12 mulheres) relatou que a finasterida aumentou a contagem de cabelos, mas essa melhora não foi observada nos outros dois estudos (219 participantes). Apenas 1 estudo avaliou os eventos adversos desse remédio e estes foram semelhantes nos dois grupos. Esses estudos não avaliaram a qualidade de vida.

De acordo com as 141 participantes de 2 estudos, o uso de um pente a laser não pareceu ser mais eficaz do que o uso de um pente simulado. No entanto, um aumento importante no crescimento do cabelo foi relatado em ambos os estudos. A qualidade de vida não foi avaliada e os eventos adversos não foram relatados por grupo de intervenção, tornando estes dados pouco úteis.

Estudos isolados investigaram a maioria das outras intervenções e comparações, e não conseguimos chegar a conclusões definitivas quanto à eficácia ou a segurança dessas outras intervenções.

Embora seja geralmente reconhecido que pouco tempo depois de suspender o tratamento o cabelo novo começa a cair, nenhum estudo apresentou dados sobre a manutenção do efeito da intervenção. Nenhum estudo tampouco apresentou dados sobre o possível impacto da renovação capilar, que poderiam ser refletidos pela diminuição no tempo que as mulheres passam arrumando o cabelo ou usando perucas.

Qualidade da evidência

Nós avaliamos a qualidade da evidência como moderada ou baixa, para a maioria dos resultados. A qualidade da evidência foi considerada baixa principalmente devido ao risco de viés dos estudos (por exemplo, não houve mascaramento sobre qual tratamento que estava sendo usado) ou devido ao pequeno número de participantes nos estudos. Esses problemas tornam os resultados menos precisos.

Conclusão dos autores: 

Embora a maioria dos estudos incluídos tenha um risco de viés incerto a alto, existe evidência para apoiar a eficácia e segurança do minoxidil tópico no tratamento da alopecia androgenética (evidência de qualidade moderada a baixa). Além disso, não houve diferença de efeito entre o minoxidil 2% e 5% (evidência de qualidade moderada a baixa para a maioria dos desfechos). A finasterida não foi mais eficaz do que o placebo (evidência de baixa qualidade). Os resultados dos estudos que avaliaram dispositivos a laser foram inconsistentes (evidência de qualidade moderada a baixa), mas houve uma melhora na contagem total de cabelos medida a partir da linha de base.

São necessários mais ensaios clínicos randomizados de outros tratamentos amplamente utilizados, tais como espironolactona, finasterida (diferentes dosagens), dutasterida, acetato de ciproterona e terapia a laser.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

A calvície de padrão feminino, ou alopecia androgenética, é o tipo mais comum de queda de cabelo que afeta mulheres. É caracterizada pela redução progressiva da duração da fase de crescimento do cabelo nos sucessivos ciclos do cabelo. Além disso, ocorre miniaturização folicular progressiva, com conversão do pelo terminal (mais espesso e mais longo) em folículos pilosos velos (macios, finos e curtos). A linha de cabelo frontal pode ou não estar preservada. A perda de cabelo pode ter impacto psicológico importante sobre as mulheres afetadas.

Objetivos: 

Avaliar a eficácia e a segurança dos tratamentos disponíveis para a alopecia androgenética em mulheres.

Estratégia de busca: 

Nós atualizamos nossas buscas nas seguintes bases de dados eletrônicas, até julho de 2015: Cochrane Skin Group Specialised Register, CENTRAL na Cochrane Library (2015, Volume 6), MEDLINE (desde 1946), EMBASE (desde 1974), PsycINFO (desde 1872), AMED (desde 1985), LILACS (desde 1982), PubMed (desde 1947) e Web of Science (desde 1945). Também fizemos buscas em cinco plataformas de registros de ensaios clínicos e checamos as listas de referências de estudo incluídos e excluídos.

Critérios de seleção: 

Foram incluídos ensaios clínicos randomizados que avaliaram a eficácia das intervenções para alopecia androgenética em mulheres.

Coleta dos dados e análises: 

Dois autores avaliaram independentemente a qualidade dos estudos, extraíram os dados e realizaram as análises.

Resultados principais: 

Foram incluídos 47 estudos, com um total de 5290 participantes, sendo que 25 estudos novos foram incluídos nesta atualização. Apenas 5 tinham baixo risco de viés, enquanto 26 tinham um risco de viés ‘incerto' e 16 tinham um alto risco de viés.

Os estudos incluídos avaliaram uma ampla gama de intervenções, sendo que 17 estudos avaliaram o minoxidil. Os dados agrupados de 6 estudos indicaram que uma proporção maior de participantes (157/593) tratados com minoxidil (2% e 1% em um dos estudos) relataram um aumento moderado a acentuado no crescimento do cabelo quando comparado com o placebo (77/555): risco (RR) = 1,93, Intervalo de confiança 95% (IC) 1,51 a 2,47, evidência de qualidade moderada. Em 7 estudos (1181 participantes), estes resultados subjetivos foram confirmados por avaliações feitas pelos investigadores (RR 2,35, IC 95% 1,68 a 3,28, evidência de qualidade moderada). Apenas um estudo (260 mulheres) avaliou a qualidade de vida (QoL) das participantes, embora inadequadamente (evidência de baixa qualidade). O resultado combinado de 8 estudos (1242 mulheres), evidenciou um aumento importante na contagem total de cabelos por cm² no grupo minoxidil em comparação com o grupo placebo (13,18 cabelos IC 95% 10,92 a 15,44; evidência de baixa qualidade). O grupo que usou minoxidil a 2% duas vezes por dia teve 40/407 eventos adversos enquanto o grupo placebo teve 28/320 eventos adversos (RR 1,24, IC 95% 0,82 a 1,87, evidência de baixa qualidade). Também não houve diferença estatisticamente significativa na taxa de eventos adversos entre as diferentes concentrações individuais do medicamento comparadas ao placebo.

Quatro estudos (1006 participantes) avaliaram minoxidil 2% versus 5%. Em um estudo, 25/57 participantes no grupo de minoxidil a 2% tiveram crescimento de cabelo moderado a muito aumentado versus 22/56 no grupo de 5% (RR 1,12, IC 95% 0,72 a 1,73). Um outro estudo com 209 participantes não encontrou diferença nesse desfecho, avaliado usando uma escala analógica visual (P = 0,062, evidência de baixa qualidade). Três estudos (586 participantes) avaliaram esse desfecho de forma objetiva (por investigadores) e relatam resultados concordantes com os anteriores (evidência de qualidade moderada). Um estudo (209 participantes) avaliou a qualidade de vida e relatou dados limitados (evidência de baixa qualidade). Quatro estudos (1006 participantes) não mostraram diferença no número de eventos adversos entre as duas concentrações (RR 1,02; IC 95%: 0,91 a 1,20; evidência de baixa qualidade). Segundo 3 estudos (631 participantes), ambas as concentrações não mostraram diferença no aumento da contagem total de cabelos no final do estudo (diferença de média (MD) -2,12, IC 95% -5,47 a 1,23, evidência de baixa qualidade).

Três estudos investigaram o uso de 1 mg de finasterida versus placebo. No grupo da finasterida, 30/67 participantes tiveram melhora versus 33/70 no grupo placebo (RR 0,95; IC 95% 0,66 a 1,37; evidência de baixa qualidade). Isto foi consistente com a avaliação feita pelos investigadores (RR 0,77, IC 95% 0,31 a 1,90, evidência de baixa qualidade). A qualidade de vida não foi avaliada. Apenas 1 estudo (137 participantes) avaliou eventos adversos (RR 1,03, IC 95% 0,45 a 2,34, evidência de baixa qualidade). Em 2 estudos (219 participantes) não houve diferença clinicamente significativa na contagem de cabelos, enquanto 1 estudo (12 participantes) relatou resultados favoráveis à finasterida (evidência de baixa qualidade).

Dois estudos (141 participantes) avaliaram o uso de um pente com laser de baixa frequência em comparação com um pente placebo. Na avaliação dos participantes, o pente laser não foi mais efetivo do que o pente placebo (RR 1,54, IC 95% 0,96 a 2,49 e RR 1,18, IC 95% 0,74 a 1,89, evidência de qualidade moderada). No entanto, houve uma diferença a favor do pente laser quanto ao aumento na contagem de cabelo a partir da linha de base (DM 17,40, IC 95% 9,74 a 25,06 e DM 17,60, IC 95% 11,97 a 23,23; evidência de baixa qualidade). Estes estudos não avaliaram a qualidade de vida e não relataram eventos adversos por braço de tratamento e somente de uma forma genérica (evidência de baixa qualidade). Dois estudos individuais que compararam terapia a laser de baixa frequência contra dispositivos placebo também relataram aumento na contagem total de cabelo, mas com poucos dados adicionais.

Estudos isolados avaliaram as outras comparações e forneceram evidência limitada da eficácia ou segurança destas intervenções, ou eram improváveis de serem avaliadas em ensaios clínicos futuros.

Notas de tradução: 

Tradução do Centro Cochrane do Brasil (Natasha Ferret Segre). Contato: tradutores@centrocochranedobrasil.org.br

Tools
Information
Share/Save