Exercícios na prevenção e tratamento de ansiedade e depressão entre crianças e jovens

O exercício é promovido como uma estratégia ativa para prevenir e tratar depressão e ansiedade. Descobrimos que os dados de pesquisa são escassos e realizados principalmente por estudantes de graduação. Seis pequenos ensaios clínicos indicam que o exercício diminui os escores de ansiedade relatados em crianças saudáveis quando comparado com nenhuma intervenção. Cinco pequenos ensaios clínicos indicam que o exercício diminui os escores da depressão relatados quando comparado com nenhuma intervenção. A base de pesquisa para crianças em tratamento é escassa; apenas três pequenos ensaios clínicos investigaram o efeito do exercício sobre a depressão.

Conclusão dos autores: 

Enquanto parece haver um pequeno efeito a favor do exercício na redução dos escores de depressão e ansiedade na população geral de crianças e adolescentes, o pequeno número de estudos incluídos e a diversidade clínica dos participantes, intervenções e métodos de medição limitam a conclusão desta revisão. Faz pouca diferença se o exercício é de alta ou baixa intensidade. O efeito do exercício para as crianças em tratamento para ansiedade e depressão é desconhecido, pois a base das evidências são escassas.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

Depressão e ansiedade são distúrbios psicológicos comuns para crianças e adolescentes. Tratamentos psicológicos (por exemplo, a psicoterapia), psicossociais (por exemplo, a terapia cognitiva comportamental) e biológicas (por exemplo, os inibidores seletivos do uso da recaptação de serotonina ou os tricíclicos) são os mais comuns que estão sendo oferecidos aos pacientes. A grande variedade de intervenções terapêuticas faz surgir questões sobre a efetividade clínica e efeitos colaterais. Os exercícios físicos são baratos, com poucos efeitos colaterais, se é que existe algum.

Objetivos: 

Avaliar os efeitos de intervenções de exercícios na redução e prevenção da ansiedade ou depressão em crianças e pessoas jovens de até 20 anos de idade.

Estratégia de busca: 

Procurou-se no the Cochrane Controlled Trials Register (a última edição disponível), MEDLINE, EMBASE, CINAHL, PsycINFO, ERIC e Sportdiscus até Agosto de 2005.

Critérios de seleção: 

Ensaios clínicos randomizados de intervenções de exercícios vigorosos para crianças e jovens de até 20 anos de idade, com medidas de resultado para depressão e ansiedade.

Coleta dos dados e análises: 

Dois autores selecionaram independentemente os ensaios clínicos para inclusão, avaliaram a qualidade metodológica e extraíram os dados. Os ensaios clínicos foram combinados utilizando métodos de metanálise. Uma síntese narrativa foi realizada quando os dados relatados não permitiam a aplicação de método estatístico.

Resultados principais: 

16 estudos com um total de 1.191 participantes entre 11 e 19 anos de idade foram incluídos.

11 ensaios clínicos compararam o exercício vigoroso com nenhuma intervenção em uma população genérica de crianças. Seis estudos reportando escores de ansiedade mostraram uma tendência não significativa a favor do grupo que praticou os exercícios (diferença de média padronizada (DMP)) (modelo de efeito randômico) de 0,48, intervalo de confiança (IC) 95% (IC -0,97 a 0,01). Cinco estudos reportando escores de depressão mostrou uma diferença estatisticamente significante em favor do grupo que praticou exercícios (DMP 0,66 IC -1,25 a -0,08). Contudo, todos os ensaios clínicos apresentaram uma qualidade metodológica baixa e muito heterogênea em relação à população, intervenção e instrumentos de medida utilizados. Um pequeno ensaio clínico investigando crianças em tratamento demostrou nenhuma diferença significante nos escores de depressão a favor do grupo de controle (DMP 0,78 IC -0,47 a 2,04). Nenhum estudo reportou escores de ansiedade para crianças em tratamento.

Cinco ensaios clínicos comparando os exercícios vigorosos com exercícios de baixa intensidade não mostraram diferença estatisticamente significante nos escores de depressão e ansiedade na população geral de crianças. Três ensaios clínicos relataram escores de ansiedade (DMP -0,14 IC -0,41 a 0,13). Dois ensaios clínicos relataram escores de depressão (DMP -0,15 IC -0,44 a 0,14). Dois ensaios clínicos pequenos não encontraram diferença nos escores de depressão para crianças em tratamento (DMP -0,31 IC -0,78 a 0,16). Nenhum estudo relatou escores de ansiedade para crianças em tratamento.

Quatro ensaios clínicos comparando exercícios com intervenções psicossociais não mostrou diferença significante nos escores de depressão e ansiedade na população geral de crianças. Dois ensaios clínicos relataram escores de ansiedade (DMP -0,13 IC -0,43 a 0,17). Dois ensaios clínicos relataram escores de ansiedade (DMP 0,10 IC: 0,21 a 0,41). Um ensaio clínico não encontrou diferença nos escores de depressão para crianças em tratamento (DMP -0,31 IC -0,97 a 0,35). Nenhum dos estudos relatou escores de ansiedade para crianças em tratamento.

Notas de tradução: 

Traduzido por: Cristiane de Cássia Bergamaschi, Universidade de Sorocaba- Uniso; Unidade de Medicina Baseada em Evidências da Unesp, Brasil Contato: portuguese.ebm.unit@gmail.com

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