Medicamentos para ajudar a reduzir a ansiedade em pessoas próximas ao fim da vida devido a doenças

Pergunta da revisão

Queríamos responder à seguinte pergunta: "qual é a eficácia dos remédios que controlam a ansiedade para pessoas que estão no último ano de sua vida devido a uma doença terminal?"

Contexto

É comum as pessoas que sofrem com uma doença terminal e que estão no último ano de suas vidas ficaram ansiosas ou preocupadas. Existem muitas razões para essa ansiedade. Por exemplo, as pessoas podem ficar preocupadas com a dor e com o tratamento, com o fato de terem que depender de outras pessoas e de terem que enfrentar a morte. A ansiedade pode dificultar a forma como as pessoas lidam com sua doença. A ansiedade pode piorar outros problemas e dificultar o manejo da dor ou da sensação de falta de ar. Por isso, se possível, é importante tentar reduzir as preocupações das pessoas que estão na fase final de suas vidas devido a uma doença. Alguns medicamentos podem ajudar a reduzir a ansiedade. No entanto, há poucos estudos sobre a ansiedade que acomete as pessoas que se aproximam do fim da vida. Muitas vezes, o tratamento oferecido para as pessoas que sofrem de ansiedade não é adequado.

Procuramos encontrar estudos que tivessem avaliado qual era a eficácia dos remédios para reduzir a ansiedade de adultos na fase final de suas vidas. Estávamos interessados em estudos que comparassem o uso de um remédio para ansiedade versus qualquer dos seguintes: não usar nenhum remédio, usar outro tipo de remédio, usar uma dosagem diferente do mesmo remédio, fazer terapia de relaxamento ou terapias que envolviam conversar com alguém. Procuramos por estudos que tivessem medido a ansiedade dos participantes. Queríamos achar pesquisas projetadas para garantir que os participantes tivessem a mesma chance de cair em um dos grupos de tratamento testados em cada estudo. Esta revisão foi feita pela primeira vez em 2004 e atualizada em 2012. Esta é a segunda atualização. Incluímos nesta revisão todos estudos que tivessem sido publicados até maio de 2016.

Principais resultados

Não encontramos nenhum estudo que pudesse ser incluído nesta revisão. Não havíamos encontrado estudos para incluir na revisão original de 2004 ou na atualização de 2012. Existe uma carência de estudos que avaliem o efeito dos remédios para reduzir a ansiedade dos adultos que estão na fase final de suas vidas. Encontramos dois estudos relevantes que talvez possam ser incluídos em uma futura atualização dessa revisão. Porém, precisamos ter mais informações sobre esses estudos para tomarmos essa decisão. A ansiedade pode ter um grande impacto sobre como uma pessoa lida com sua doença. Portanto, precisamos saber como reduzir esta ansiedade. Estudos de boa qualidade sobre esse tema são necessários.

Conclusão dos autores: 

Existe uma carência de evidências para se chegar a uma conclusão sobre a efetividade da terapia medicamentosa para o tratamento da ansiedade em adultos em cuidados paliativos. Até esta data, não encontramos estudos que preencham os critérios de inclusão desta revisão. Estamos aguardando mais informações de dois estudos que poderão ser incluídos em uma futura atualização da revisão. Estudos randomizados controlados que avaliem o manejo da ansiedade como desfecho primário são necessários para estabelecer os benefícios e riscos da terapia medicamentosa para o tratamento da ansiedade em pacientes em cuidados paliativos.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

Esta é a atualização de uma revisão Cochrane publicada originalmente em 2004 (Issue 1) e que já foi atualizada em 2012 (Issue 10). A ansiedade é comum em pacientes em cuidados paliativos. Ela pode ser uma resposta natural diante da incerteza que cerca o diagnóstico de uma doença terminal ou da morte iminente. Entretanto, a ansiedade por si só pode se tornar um problema clínico significativo.

Objetivos: 

Avaliar a efetividade da terapia medicamentosa para tratar sintomas de ansiedade em adultos com doença terminal progressiva, que estão no último ano de vida.

Estratégia de busca: 

Para esta atualização, rodamos a busca em maio de 2016. Pesquisamos as seguintes bases de dados: CENTRAL, MEDLINE (Ovid), Embase (Ovid), CINAHL (EBSCO), PsychLIT (Silver Platter) e PsycINFO (Ovid). Fizemos buscas em sete plataformas de registros de ensaios clínicos e em outras sete plataformas de registros de ensaios clínicos da industria farmacêutica. Fizemos buscas manuais nos livros de resumos das conferências da European Association of Palliative Care.

Critérios de seleção: 

Selecionamos ensaios clínicos randomizados que avaliaram o efeito da terapia medicamentosa para o tratamento de sintomas de ansiedade em adultos em cuidados paliativos, ou seja, pessoas com uma doença progressiva terminal que não respondia mais a tratamento curativo de longo prazo. Os participantes podiam também ter doença cardíaca respiratória e neurológica avançadas (e até demência). O grupo de comparação podia ser um placebo, outra terapia medicamentosa, diferentes doses do mesmo remédio, ou uma intervenção não medicamentosa, como aconselhamento, terapia cognitivo-comportamental ou terapias de relaxamento.

Coleta dos dados e análises: 

Dois revisores independentes selecionaram os títulos e resumos para identificar artigos potencialmente relevantes para inclusão na revisão. Dois revisores independentes leram esses artigos e avaliaram se preenchiam os critérios de inclusão da revisão. Pretendíamos extrair os dados dos artigos relevantes, incluindo informações sobre eventos adversos, e fazer a avaliação da qualidade metodológica (risco de viés) desses estudos. Pretendíamos avaliar a qualidade da evidência usando o GRADE e criar uma tabela de “sumário dos achados”.

Resultados principais: 

Nesta atualização, identificamos 707 citações potencialmente relevantes e selecionamos 10 artigos para leitura na íntegra. Após avaliarmos esses textos completos, excluímos oito estudos, e dois (em andamento) estão aguardando classificação, pois não oferecem informações suficientes para tomarmos uma decisão. Portanto, nessa atualização, não encontramos nenhum estudo que preenchesse nossos critérios de inclusão. Na versão original da revisão, identificamos seis estudos potencialmente relevantes. Porém, após a leitura na íntegra desses estudos, todos foram excluídos. Na atualização de 2012, selecionamos dois estudos potencialmente relevantes para leitura na íntegra, porém ambos foram excluídos. Portanto, não encontramos estudos sobre a efetividade de medicamentos para tratar ansiedade em pacientes sob cuidados paliativos.

Notas de tradução: 

CD004596.pub3. Tradução do Cochrane Brasil. Liliane de Abreu Rosa,Centro Afiliado Minas Gerais.Contato: tradutores@centrocochranedobrasil.org.br

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