Intervenções para tratamento de mal-formações arteriovenosas em adultos.

Essa tradução não está atualizada. Por favor clique aqui para ver a versão mais recente em inglês desta revisão.

Hemorragia no cérebro, conhecida como hemorragia intracraniana ou AVCH, é uma condição devastadora que mata 4 em cada 10 pessoas em um mês. Mal-formações arteriovenosas (MAV) cerebrais são a causa mais comum de AVCH em adultos jovens. MAVs cerebrais podem ainda deixar adultos jovens com incapacidade vitalícia e causar epilepsia. Como e se devem ser tratadas, é motivo de grande controvérsia. As principais opções são: (1) tratamento clínico das epilepsias e cefaléias (algumas vezes chamado de "conservador"); ou (2) um ou mais das seguintes intervenções: tratamento neurocirúrgico, embolização endovascular (cola, espiras ou partículas são colocadas dentro da MAV através de um cateter inserido temporariamente na virilha), ou radioterapia (uma modalidade de tratamento não invasivo envolvendo radiação). Nesta revisão sistemática da literatura, encontramos apenas um ensaio clínico controlado randomizado que decidirá sobre o uso ou não de tratamentos intervencionistas para MAVs cerebrais que nunca sangraram(www.arubastudy.org), mas nenhum ensaio clínico avaliou se MAVs que sangraram possuem algum tratamento melhor que o outro.

Conclusão dos autores: 

Não existe evidência de ensaios clínicos randomizados com desfechos bem delimitados comparando diferentes tratamentos intervencionistas para MAVs cerebrais, uns com os outros ou com tratamento clínico conservador em adultos. Um ensaio clínico (ARUBA) está em andamento

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

Mal-formações arteriovenosas (MAVs) cerebrais são a causa mais comum de hemorragia intracerebral (AVCH) em adultos jovens. MAVs cerebrais podem ainda causar convulsões e déficits neurológicos focais (na ausência de hemorragias, cefaléia ou convulsão epiléptica); aproximadamente um quinto dos achados são incidentais. Várias intervenções são utilizadas na tentativa de eliminar a MAV cerebral: excisão neurocirúrgica, radioterapia/'radiocirurgia' estereotáxica (utilizando gamma knife, acelerador linear, feixe de prótons ou 'Cyber Knife'), embolização endovascular (utilizando cola, partículas, fibras, molas ou balões) e a combinação destas intervenções, de maneira estagiada. Esta é uma atualização de uma revisão Cochrane inicialmente publicada em 2006.

Objetivos: 

Avaliar os efeitos clínicos de intervenções para tratamento das MAVs cerebrais em adultos (com objetivo de obliteração parcial ou eliminação total), utilizando dados publicados em ensaios clínicos controlados randomizados (ECCRs).

Estratégia de busca: 

Buscamos no Cochrane Stroke Group Trials Register (última busca em Novembro de 2009), o Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL) (The Cochrane Library Edição 4, 2009), MEDLINE (1966 a Novembro de 2009) e EMBASE (1980 a Novembro 2009). Nós buscamos registros internacionais de ensaios clínicos, índices de jornais relevantes e bibliografias de artigos relevantes (Novembro 2009). Ainda contactamos fabricantes de materiais para tratamento de MAVs cerebrais (Março de 2005).

Critérios de seleção: 

Buscamos ensaios clínicos randomizados sobre qualquer intervenção para MAVs cerebrais, comparando-as entre sí e contra o tratamento clínico convencional, com medidas de desfechos clínicos relevantes.

Coleta dos dados e análises: 

Dois autores aplicaram, independentemente, os critérios de inclusão e revisaram os estudos relevantes.

Resultados principais: 

Um ensaio clínico randomizado (ECR) em andamento preencheu os critérios de seleção para esta revisão: 'A Randomized trial of Unruptured Brain Arteriovenous malformations' (ARUBA, www.arubastudy.org), comparando tratamento intervencionista versus manejo clínico para MAVs cerebrais que nunca sangraram. Ainda encontramos dois ECR que testaram a equivalência de dois agentes embólicos para embolização pré-operatória de MAVs cerebrais (uma publicada, uma não publicada), mas nenhum destes possuía desfecho primário nem secundário que preenchessem nossos critérios. Nós ainda excluímos um terceiro ECR, o qual estudou três diferentes tratamentos hipotensores para induzir hipotensão deliberada durante ressecção cirúrgica de MAVs cerebrais, porque sua intervenção não estava no foco de nossa revisão.

Notas de tradução: 

Traduzido por: Roberto Bezerra Vital, Unidade de Medicina Baseada em Evidências da UNESP, Brasil. Contato: portuguese.ebm.unit@gmail.com

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