Estratégias de seguimento de pacientes tratados para cancro colorretal não-metastático

Qual é a questão?

O cancro colorretal afecta cerca de 1 em cada 20 pessoas, em países desenvolvidos (HIC, high-income countries). A maioria dos pacientes (cerca de dois terços) tem doença curável. O acompanhamento após a ressecção cirúrgica, associada ou não a quimioterapia, implica, geralmente, múltiplas visitas ao médico, bem como a realização de alguns exames complementares. Muitas pessoas acreditam que o seguimento salva vidas, mas não estamos certos quanto à frequência com que o doente deve consultar o médico e quanto a que exames deve fazer, nem quando.

Porque é que isto é importante?

O acompanhamento é dispendioso, pode causar ansiedade nos doentes e pode ser inconveniente. Além disso, os exames têm um custo e podem ter efeitos secundários. Se um exame detetar o reaparecimento do cancro numa pessoa que se sente bem, mas para a qual não existe tratamento eficaz, o diagnóstico da recorrência poderá não ter ajudado o doente ou a sua família.

O que tentámos perceber...

Procurámos saber se o seguimento (isto é, exames e visitas médicas), após o cancro colorretal ter sido tratado com intenção curativa, é útil. Analisámos todos os diferentes tipos de acompanhamento: algum versus nenhum; mais exames versus menos exames; e follow-up feito por cirurgiões, clínicos gerais ou enfermeiros.

O que encontrámos...

Encontrámos 19 estudos, envolvendo 13,216 participantes. Os nossos resultados são apresentados juntamente com um juízo de qualidade que reflete a nossa certeza quanto aos resultados. Verificámos que o seguimento não melhorou a sobrevivência global (evidência de alta qualidade), a sobrevivência específica do cancro colorretal (evidência de qualidade moderada) ou a sobrevivência sem recidiva (evidência de alta qualidade). Se os doentes forem acompanhados, é muito mais provável que sejam operados se o cancro for detetado novamente (evidência de alta qualidade). Com o seguimento, é provável que se encontrem mais recidivas "silenciosas" assintomáticas (evidência de qualidade moderada). Os efeitos secundários nocivos (danos) dos exames não são comuns, mas um acompanhamento mais intensivo pode aumentar a sua frequência (reportado em dois estudos; evidência de muito baixa qualidade). Os custos podem aumentar com um acompanhamento mais intensivo (evidência de baixa qualidade). Um acompanhamento mais intensivo fará, provavelmente, pouca ou nenhuma diferença na qualidade de vida (evidência de qualidade moderada).

Isto significa que...

Esta informação sugere que há poucos benefícios em intensificar o acompanhamento, embora haja também pouca evidência sobre a qualidade de vida, os danos e os custos. Não sabemos qual é a melhor forma de seguir os doentes tratados por cancro colorretal não-metastático, ou se devemos, de todo, seguir estes doentes. Sabemos pouco sobre os custos de seguimento neste contexto. As necessidades e as preocupações dos doentes no que respeita ao valor do acompanhamento exigem mais investigação.

Notas de tradução: 

Traduzido por: João Pedro Bandovas, Serviço de Cirurgia Geral, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, com o apoio da Cochrane Portugal.

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