Antidepressivos mais benzodiazepínicos na depressão maior

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Os revisores relataram que a combinação de benzodiazepínicos com antidepressivos funciona a favor do tratamento para a depressão porque diminui a desistência do tratamento e aumenta a resposta em curto prazo em quatro semanas. Entretanto, há desvantagens na terapia combinada porque os benzodiazepínicos podem causar dependência, estimada em ocorrer em um terço dos pacientes, assim como o declínio do efeito dos medicamentos com o decorrer do tempo. Os benzodiazepínicos têm sido associados a um aumento na propensão a acidentes.

Conclusão dos autores: 

Os benefícios potenciais de adicionar benzodiazepínicos aos antidepressivos devem ser criteriosamente balanceados com os possíveis danos, que incluem o desenvolvimento de dependência e propensão a acidentes, de um lado, e com o sofrimento contínuo seguido de resposta negativa, de outro.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

A ansiedade frequentemente coexiste com a depressão. A adição de benzodiazepínicos aos antidepressivos é comumente usada para tratar indivíduos com depressão, apesar de não haver evidências convincentes de que tal combinação seja mais eficaz do que o uso exclusivo de antidepressivos. Há sugestões de que benzodiazepínicos possam perder sua eficácia na administração de longo prazo e de que seu uso crônico possa trazer risco de dependência.

Objetivos: 

Avaliar os efeitos de adição de benzodiazepínicos aos antidepressivos em adultos com depressão maior.

Estratégia de busca: 

Pesquisas foram conduzidas no the Cochrane Depression, Anxiety and Neurosis Group Controlled Trials Register (CCDANCTR) (Março de 1999), na the Cochrane Library (fascículo 3, 1997), MEDLINE (1972 a Setembro de 1997), EMBASE (1980 a Setembro de 1997), em International Pharmaceutical Abstracts (1972 a Setembro de 1997), Biological Abstracts (1984 a Setembro de 1997), LILACS (1980 a Setembro de 1997), PsycLIT (1974 a Setembro de 1997), combinado com pesquisa manual, pesquisa de referências, SciSearch e contatos pessoais. Uma atualização do CCDANCTR foi feita em Dezembro de 2004.

Critérios de seleção: 

Todos os ensaios clíncos randomizados que compararam o tratamento combinado de antidepressivos e benzodiazepínicos com o uso exclusivo de antidepressivos em adultos com depressão maior. Os critérios de exclusão foram: dosagem de antidepressivo menor que 100 mg de imipramina, ou seu equivalente diário, e duração do estudo de menos de quatro semanas.

Coleta dos dados e análises: 

Dois revisores independentemente extraíram os dados e avaliaram a elegibilidade e qualidade dos estudos. Diferença de média padronizada (DMP) e risco relativo (RR) foram estimados com modelo de efeito randômico. As desistências foram consideradas como resultados menos favoráveis. Duas análises de sensibilidade examinaram o efeito desta hipótese assim como o efeito de incluir estudos de qualidade média. Três análises de subgrupos a priori foram realizadas no que diz respeito a pacientes com ou sem ansiedade e relacionadas ao tipo de benzodiazepínicos.

Resultados principais: 

Foram identificados 10 estudos envolvendo um total de 731 pacientes. A DMP para a terapia combinada em relação ao uso exclusivo de antidepressivos foi de 0,33 (intervalo de confiança (IC) de 95%) (IC -0,51 a 0,15) na primeira semana, e de -0,29 (IC -0,51 a -0,08) na quarta semana, mas não foi estatisticamente significante da sexta a décima segunda semana. Se um estudo qualitativamente periférico fosse excluído, pacientes na terapia combinada estariam menos favoráveis a desistir do que aqueles fazendo uso exclusivo de antidepressivo (RR 0,63, IC 0,49 a 0,81). Os pacientes destinados a terapia combinada foram menos propensos a desistir do tratamento devido aos efeitos colaterais do que aqueles que só receberam antidepressivos (RR 0,56, IC 0,34 a 0,91). Todavia, esses dois grupos de pacientes tiveram a mesma probabilidade de relatar pelo menos um efeito colateral (RR 1,05, IC 0,90 a 1,23).

Notas de tradução: 

Traduzido por: Cristiane de Cássia Bergamaschi, Universidade de Sorocaba- Uniso; Unidade de Medicina Baseada em Evidências da Unesp, Brasil Contato: portuguese.ebm.unit@gmail.com

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