Antibióticos para pessoas com dor de garganta

Questão

Esta revisão queria saber se os antibióticos são efetivos para tratar os sintomas e diminuir as possíveis complicações associadas à dor de garganta.

Introdução

As dores de garganta surgem devido a infecções causadas por bactérias ou vírus. As pessoas geralmente se recuperam rapidamente (normalmente em três ou quatro dias) da dor de garganta. Porém algumas pessoas podem ter complicações. Uma complicação rara mas grave, é a febre reumática, uma doença que afeta o coração e articulações Os antibióticos reduzem as infecções bacterianas, mas podem causar diarreia, vermelhidão na pele (exantema) e outros efeitos adversos. Além disso, o uso de antibióticos pode levar ao surgimento de bactérias resistentes a eles.

Características do estudo

A revisão incluiu estudos publicados até julho de 2013. Foram incluídos 27 estudos com 12.835 casos de dor de garganta. Todos os estudos incluídos eram randomizados, controlados com grupo placebo. Eles avaliaram se o uso de antibióticos reduzia os sintomas de dor na garganta, febre, ou dor de cabeça, ou o risco de ter complicações mais graves. Os estudos incluíram adultos e crianças.

Principais resultados

Os antibióticos diminuíram a duração dos sintomas de dor em média em um dia. Eles também reduziram o risco de febre reumática em mais de dois terços em comunidades em que esta complicação é comum. O uso de antibióticos também reduziu outras complicações associadas à dor de garganta O uso de antibióticos também reduz outras complicações associadas à dor de garganta.

Qualidade da evidência

A qualidade dos estudos incluídos foi moderada a alta. Porém, poucos estudos recentes foram incluídos na revisão (apenas três estudos publicados depois de 2000). Portanto, não podemos ter certeza se mudanças na resistência bacteriana poderia afetar a efetividade atual dos antibióticos.

Conclusão dos autores: 

Os antibióticos trazem benefícios relativos no tratamento de pessoas com dor de garganta. Porém, os benefícios absolutos são pequenos. Em países de alta renda, para evitar complicações supurativas e não supurativas em pacientes com dor de garganta, é necessário tratar muitas pessoas com antibióticos para beneficiar um paciente. O NNTB pode ser menor em países de baixa renda. No geral, os antibióticos diminuem a duração dos sintomas em cerca de 16 horas.

Leia o resumo na íntegra...
Introdução: 

A dor de garganta é um motivo comum de procura por serviços de saúde. Apesar de o problema ser autolimitado, é frequente a prescrição de antibióticos por médicos da atenção primária.

Objetivos: 

Avaliar os benefícios do uso de antibióticos para dor de garganta em pacientes atendidos na rede de atenção primária.

Métodos de busca: 

Fizemos buscas nas seguintes bases de dados: CENTRAL 2013, Issue 6, MEDLINE (de janeiro de 1966 à primeira semana de julho de 2013) e Embase (de janeiro de 1990 a julho de 2013).

Critério de seleção: 

Incluímos ensaios clínicos randomizados (ECRs) e quasi-randomizados que compararam antibióticos versus controle, para sintomas típicos e complicações da dor de garganta.

Coleta dos dados e análises: 

Dois autores da revisão, trabalhando de forma independente, selecionaram os estudos para inclusão e extraíram os dados. As diferenças de opinião foram resolvidas por discussão. Contatamos os autores de três estudos para informações adicionais.

Principais resultados: 

Incluímos na revisão 27 estudos com 12.835 casos de dor de garganta. Não identificamos qualquer estudo novo na atualização de 2013.

1. Sintomas
A dor de garganta e a febre foram reduzidas pela metade com o uso dos antibióticos. A maior diferença foi observada no terceiro dia. O número de pessoas necessário tratar para obter um benefício (NNTB) foi menor do que seis no terceiro dia de dor de garganta. O NNTB na primeira semana foi 21.

2. Complicações não supurativas
Houve uma tendência de redução de glomerulonefrite aguda no grupo que usou antibióticos. Porém, o número de casos foi insuficiente para se ter certeza desse efeito. Diversos estudos apontaram que os antibióticos reduzem os casos de febre reumática aguda em mais de dois terços em um mês: risco relativo (RR) 0,27, intervalo de confiança (IC) de 95% 0,12 a 0,60.

3. Complicações supurativas
Em comparação com os participantes do grupo placebo, as pessoas que tomaram antibiótico tiveram menor incidência de otite média aguda em 14 dias (RR 0,30; IC 95% 0,15 a 0,58), sinusite aguda em 14 dias (RR 0,48; IC 95% 0,08 a 2,76) e abcesso na garganta em dois meses (RR 0,15; IC 95% 0,05 a 0,47).

4. Análises de subgrupos para redução dos sintomas
Os antibióticos foram mais efetivos na redução dos sintomas no terceiro dia nos pacientes com esfregaços positivos (RR 0,58, IC 95% 0,48 a 0,71) do que nos pacientes com esfregaços negativos (RR 0,78, IC 95% 0,63 a 0,97) para Streptococcus. Semelhantemente, os antibióticos foram mais efetivos na redução dos sintomas na primeira semana para os casos com esfregaço positivo (RR 0,29, IC 95% 0,12 a 0,70) do que para os casos com esfregaço negativo (RR 0,73, IC 95% 0,50 a 1,07) para Streptococcus.

Notas de tradução: 

Tradução do Centro Afiliado Amazonas (Pedro Luis Iwasaka-Neder e Maria Regina Torloni). Contato: tradutores@centrocochranedobrasil.org.br

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