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Quais são os benefícios e os riscos de tratar com corticosteroides os bebés prematuros com risco de desenvolver displasia broncopulmonar?

Mensagens-chave

O tratamento com dexametasona após a primeira semana de vida é, atualmente, o único tratamento eficaz em bebés com elevado risco de displasia broncopulmonar.

A administração de corticosteroides diretamente na traqueia, juntamente com surfactante, pode ser um tratamento promissor no futuro.

O tratamento com dexametasona na primeira semana de vida e o tratamento com hidrocortisona em qualquer altura após o nascimento são ineficazes ou possivelmente inseguros.

O que é a displasia broncopulmonar (DBP)?

Os bebés que nascem demasiado cedo, ou seja, prematuros, têm um risco aumentado de lesão pulmonar, conhecida em termos médicos como displasia broncopulmonar (DBP). Os bebés com DBP têm maior probabilidade de morrer e, os que sobrevivem, tendem a ter piores resultados ao longo da vida (como problemas pulmonares, mais readmissões hospitalares e um desenvolvimento infantil mais comprometido) quando comparados com bebés sem DBP. Uma das causas da DBP é a inflamação dos pulmões. A inflamação é uma resposta comum do organismo a lesões.

Como é que o DBP é tratado?

Os corticosteroides são medicamentos que atuam contra a inflamação (ajudam a acalmar a resposta imunitária do bebé e a reduzir o inchaço) e são administrados a bebés prematuros para prevenir ou tratar a DBP. No entanto, os corticosteroides também podem ter efeitos graves indesejáveis (como perfuração intestinal (buraco no trato digestivo) e pior desenvolvimento infantil). São exemplos de corticosteroides utilizados em bebés prematuros a dexametasona e a hidrocortisona.

O que pretendíamos descobrir?

Queríamos descobrir que tipo de tratamento com corticosteroides funcionam melhor em bebés que nascem demasiado cedo e que estão em risco de desenvolver DBP. Também queríamos saber se os tratamentos têm efeitos secundários indesejáveis.

O que fizemos?

Procurámos revisões sistemáticas que incluíssem bebés pré-termo com risco de DBP e que tivessem sido tratados com corticosteroides. As revisões sistemáticas resumem todos os estudos sobre um determinado assunto.

Classificámos os diferentes tratamentos nas quatro categorias seguintes.

- Tratamento eficaz: quando os benefícios são maiores do que os riscos.

- Tratamento promissor: existem efeitos positivos, mas ainda não temos certeza suficiente para o usar em todas as pessoas. Estes tratamentos precisam de ser melhor estudados.

- Tratamento ineficaz ou possivelmente inseguro: não traz benefícios claros ou pode causar mais problemas do que vantagens.

- Não é possível tirar conclusões: não sabemos o suficiente sobre este tratamento.

O que encontrámos?

Encontrámos nove revisões sistemáticas que resumem 88 estudos. Os estudos utilizaram vários tipos de tratamento com corticosteroides em 9.419 bebés pré-termo. Os tratamentos diferiam nos seguintes aspetos: tipo de corticosteroide, idade do bebé no início do tratamento, dose de medicamento administrado e forma como o medicamento era administrado.

Resultados principais

Tratamento eficaz

O tratamento com dexametasona após a primeira semana de vida pode aumentar a sobrevivência dos bebés, diminuir a DBP e parece ser seguro em bebés com elevado risco de DBP.

Tratamento promissor

Administrar corticosteroides diretamente na traqueia, em conjunto com surfactante (uma substância que ajuda os pulmões a manterem-se abertos após cada respiração e que é frequentemente usada em bebés prematuros com problemas respiratórios nos primeiros dias de vida), parece ter um efeito positivo, mas ainda não foi suficientemente estudada. Este pode ser um tratamento promissor no futuro.

Tratamento ineficaz ou possivelmente inseguro

O tratamento com dexametasona na primeira semana de vida provavelmente aumenta a probabilidade de sobreviver sem DBP, mas tem efeitos indesejáveis graves (como perfuração intestinal e desenvolvimento de espasticidade (músculos rígidos ou contraídos)). O tratamento com hidrocortisona na primeira semana de vida pode resultar numa maior probabilidade de sobrevivência sem DBP, mas também tem demasiados efeitos secundários graves para ser utilizado. É provável que o tratamento com hidrocortisona após a primeira semana de vida não tenha qualquer efeito na sobrevivência ou na DBP.

Intervenções sem conclusão possível

Não existe informação suficiente para saber se o tratamento com corticosteroides por inalação é eficaz ou se poderá ser melhor do que a administração por perfusão ou por sonda de alimentação.

Quais são as limitações da evidência?

Temos uma confiança baixa a moderada nos resultados dos estudos incluídos nas revisões. Isto deve-se ao facto de os tipos de bebés incluídos e os tratamentos administrados variarem entre os estudos. Além disso, muitos dos estudos eram muito pequenos, com poucos participantes. Como resultado, não temos a certeza sobre a melhor forma de utilizar os corticosteroides para prevenir ou tratar a DBP.

Quão atualizada se encontra esta evidência?

A pesquisa encontra-se atualizada até abril de 2023.

Notas de tradução

Traduzido por: Patrícia Lipari Pinto, Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte. Revisão final: Ricardo Delgado, Knowledge Translation Team, Cochrane Portugal.

Citation
van de Loo M, van Kaam A, Offringa M, Doyle LW, Cooper C, Onland W. Corticosteroids for the prevention and treatment of bronchopulmonary dysplasia: an overview of systematic reviews. Cochrane Database of Systematic Reviews 2024, Issue 4. Art. No.: CD013271. DOI: 10.1002/14651858.CD013271.pub2.

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