Porque é que esta revisão foi importante?
A perturbação de stress pós-traumático, ou PSPT, é uma doença mental comum que pode surgir após um acontecimento traumático grave. Os sintomas incluem a revivência do trauma sob a forma de pesadelos, flashbacks e pensamentos angustiantes; evitamento de memórias do evento traumático; vivenciar alterações negativas nos pensamentos e no humor; e hiperexcitabilidade, que inclui sentir-se nervoso, assustadiço, irritado, ter dificuldades no sono e de concentração. A PSPT pode ser tratada eficazmente com psicoterapia centrada no trauma. Algumas das terapias mais eficazes são as baseadas na terapia cognitivo-comportamental (TCC). Infelizmente, existe um número limitado de terapeutas qualificados habilitados a realizar estas terapias. Existem ainda outros fatores que limitam o acesso ao tratamento, tais como a necessidade de faltar ao trabalho para ir às consultas e dificuldades no transporte.
Uma alternativa é a realização de psicoterapia pela Internet, com ou sem a orientação por um terapeuta. As terapias cognitivo-comportamentais baseadas na Internet (I-C/BT) têm sido objeto de grande foco e são atualmente utilizadas por rotina para o tratamento da depressão e da ansiedade. Existem menos estudos sobre I-C/BT dirigido à PSPT. No entanto, a investigação científica encontra-se em expansão, com uma evidência crescente quanto à sua eficácia.
Quem poderá estar interessado nesta revisão?
- Pessoas com PSPT e as suas famílias e amigos.
- Profissionais que trabalham em serviços de saúde mental.
- Clínicos gerais.
- Comissários.
A que questões pretendeu esta revisão responder?
Em adultos com PSPT, tentámos descobrir se o I-C/BT:
- foi mais eficaz do que a ausência de terapia (lista de espera);
- foi tão eficaz quanto as psicoterapias realizadas por um terapeuta;
- foi mais eficaz do que outras psicoterapias realizadas online; ou
- foi mais eficaz do que a psicoeducação online sobre a doença na redução dos sintomas de PSPT e na melhoria da qualidade de vida; ou
- foi custo-efetivo, em comparação com a terapia presencial?
Quais os estudos incluídos na revisão?
Procurámos ensaios controlados e aleatorizados (estudos clínicos em que as pessoas são colocadas aleatoriamente num de dois ou mais grupos de tratamento), publicados entre 1970 e 5 de junho de 2020, que examinaram o uso de I-C/BT em adultos com PSPT.
Incluímos 13 estudos com 808 participantes.
O que é que a evidência desta revisão nos diz?
- Análises incluindo 10 estudos concluíram que a I-C/BT foi mais eficaz do que a ausência de terapia (lista de espera) na redução da PSPT. No entanto, o grau de certeza desta evidência foi considerado muito baixo, o que significa que temos muito pouca confiança nesta conclusão.
- Análises incluindo dois estudos concluíram que não existia diferença entre a I-C/BT e outro tipo de psicoterapia realizada online. No entanto, o grau de certeza desta evidência foi considerado muito baixo, o que significa que temos muito pouca confiança nesta conclusão.
- Um estudo concluiu que a psicoterapia não cognitivo-comportamental presencial era mais eficaz do que I-C/BT. No entanto, os níveis basais dos sintomas de PSPT não estavam controlados e o grau de certeza desta evidência foi muito baixo, o que limita a nossa confiança neste resultado.
- Não encontrámos estudos que utilizassem medidas de aceitabilidade estandardizadas ou validadas que nos permitissem saber se as pessoas que receberam I-C/BT sentiram que foi um tratamento aceitável.
- Não encontrámos nenhum estudo que avaliasse a relação custo-eficácia de I-C/BT.
O que deveria acontecer a seguir?
A evidência atual encontra-se em crescimento, mas ainda é pequena. São necessários mais estudos para decidir se a I-C/BT deve ser utilizado por rotina no tratamento da PSPT.
Traduzido por: Tania Rebelo Clemente, Serviço de Psiquiatria e Saúde Mental da Infância e Adolescência, ULS Santa Maria, e por Bárbara Mouta Pereira, Serviço de Psiquiatria e Saúde Mental da Infância e Adolescência, ULS Santa Maria. Revisão final: Ricardo Manuel Delgado, Knowledge Translation Team, Cochrane Portugal.