Nesta revisão Cochrane sobre o efeito dos AINEs para pessoas com axSpA (incluindo espondilite anquilosante e axSpA não-radiográfica (nr-)axSpA), incluímos 39 estudos com 4.356 pessoas (pesquisa até 18 de junho de 2014). Um estudo analisou pessoas com artrose cervical anterior.
Em pessoas com axSpA:
Os AINEs tradicionais e os AINEs COX-2 melhoram a dor, a atividade da doença e a funcionalidade (evidência de alta qualidade) e provavelmente não resultam em mais desistências devido a eventos adversos ou eventos adversos graves em comparação com o placebo a curto prazo (evidência de qualidade moderada, uma vez que alguns resultados sofreram imprecisão potencial). Muitas vezes não dispomos de informações exatas sobre os efeitos secundários, em especial no caso de efeitos secundários raros mas graves. Os efeitos secundários possíveis podem incluir queixas gastrointestinais. As complicações raras podem incluir hemorragia gastrointestinal ou problemas no coração ou nos vasos sanguíneos.
O que é a axSpA e o que são os AINEs?
A AxSpA é uma forma de artrite que envolve as articulações da pélvis ou da coluna vertebral, ou ambas. Causa dor e rigidez nessas regiões e pode resultar em deformações da coluna vertebral e mau funcionamento.
Os AINEs são normalmente utilizados para reduzir a dor e a inflamação e são considerados tratamento de primeira linha para as pessoas com axSpA. Os AINEs COX-2 são um subgrupo de AINEs que potencialmente levam a menos queixas gastrointestinais do que os AINEs tradicionais, embora exista evidência de que podem levar a outras complicações, como um maior risco de eventos cardiovasculares.
O que acontece às pessoas com axSpA que tomam AINEs após seis semanas:
As pessoas que utilizaram um AINE tradicional classificaram a sua dor como sendo 16,5 pontos mais baixa numa escala de 0 a 100 (uma pontuação mais baixa significa menos dor) (17% de melhoria absoluta).
- As pessoas que utilizaram um AINE tradicional classificaram a sua dor em 44 pontos; as pessoas que utilizaram o placebo em 60,5 pontos.
As pessoas que utilizaram um AINE tradicional classificaram a sua atividade da doença como sendo 17,5 pontos mais baixa numa escala de 0 a 100 (uma pontuação mais baixa significa menos atividade da doença) (melhoria absoluta de 18%).
- As pessoas que utilizaram um AINE tradicional classificaram a sua atividade da doença em 37,2 pontos; as pessoas que utilizaram um placebo em 54,7 pontos.
As pessoas que utilizaram um AINE tradicional classificaram o seu funcionamento como sendo 9,1 pontos mais baixo numa escala de 0 a 100 (pontuação mais baixa significa melhor funcionamento) (9% de melhoria absoluta).
- As pessoas que utilizaram um AINE tradicional classificaram o seu funcionamento em 40,9 pontos; as pessoas que utilizaram um placebo em 50,0 pontos.
Treze pessoas a menos em cada 1.000 deixaram de tomar um AINE tradicional antes do final do estudo devido a efeitos secundários (0% de diferença absoluta).
- 39 pessoas em 1.000 que receberam um AINE tradicional pararam, em comparação com 52 em 1.000 que receberam placebo.
Mais uma pessoa em cada 1.000 teve um acontecimento adverso grave enquanto tomava um AINE tradicional durante o estudo (0% de diferença absoluta).
- 3 pessoas em cada 1.000 que receberam um AINE tradicional tiveram um evento adverso grave durante o estudo, em comparação com 2 em cada 1000 que receberam placebo.
As pessoas que utilizaram um AINE COX-2 classificaram a sua dor como sendo 21,7 pontos mais baixa numa escala de 0 a 100 (22% de melhoria absoluta).
- As pessoas que utilizaram um AINE COX-2 classificaram a sua dor em 42,3 pontos; as pessoas que utilizaram placebo em 64 pontos.
As pessoas que utilizaram um AINE COX-2 classificaram a sua atividade da doença como sendo 22 pontos mais baixa numa escala de 0 a 100 (22% de melhoria absoluta).
- As pessoas que utilizaram um AINE COX-2 classificaram a sua atividade da doença em 32,7 pontos; as pessoas que utilizaram placebo em 54,7 pontos.
As pessoas que utilizaram um AINE COX-2 seletivo classificaram o seu funcionamento como sendo 13,4 pontos inferior numa escala de 0 a 100 (13% de melhoria absoluta).
- As pessoas que utilizaram um AINE COX-2 classificaram o seu funcionamento em 36,6 pontos; as pessoas que utilizaram placebo em 50,0 pontos.
Mais 13 pessoas em cada 1.000 deixaram de tomar um AINE COX-2 antes do final do estudo devido a efeitos secundários (2% de diferença absoluta).
- 24 pessoas em 1.000 que receberam um AINE tradicional pararam, em comparação com 2 em 11 que receberam placebo.
O mesmo número de pessoas teve um evento adverso grave enquanto tomava um AINE COX-2 ou um placebo durante o estudo (0% de diferença absoluta).
- 2 pessoas em cada 1.000 que receberam um AINE COX-2 tiveram um evento adverso grave durante o estudo, em comparação com 2 em cada 1.000 que receberam placebo.
Tradução e revisão final por: Ricardo Manuel Delgado, Knowledge Translation Team, Cochrane Portugal.