Como os efeitos na equidade da saúde são avaliados em revisões sistemáticas de efetividade

A saúde em todos os países do mundo é desigual e, até certo ponto, distribuída injustamente de acordo com a posição social. As condições de saúde em geral e a longevidade são maiores entre os mais ricos e vão piorando ou diminuindo conforme o nível socioeconômico fica mais baixo. “Desigualdade em saúde” é um termo que significa que existem diferenças evitáveis e injustas devidas a diferenças sociais entre as pessoas. A promoção da equidade em saúde vem ganhando importância política internacional, inclusive contando com o apoio da Assembleia Mundial da Saúde (2009). A deficiência de revisões sistemáticas em considerar os efeitos na equidade em saúde é citada por quem toma as decisões como uma limitação. Logo, há uma necessidade de diretrizes sobre as vantagens e desvantagens de como avaliar, em revisões sistemáticas, os efeitos da equidade em saúde.

Esta revisão encontrou 34 estudos que avaliaram os métodos usados em revisões sistemáticas para avaliar equidade em saúde.Esses estudos encontraram quatro tipos de abordagens metodológicas usadas nas revisões sistemáticas para avaliar a equidade em saúde: uma avaliação descritiva das revisões, uma avaliação descritiva dos estudos incluídos nas revisões, abordagens analíticas e avaliação da aplicabilidade dos achados levando em consideração a equidade em saúde. Entretanto, não foi possível concluir qual dessas abordagens seria melhor. Há uma necessidade de criar diretrizes metodológicas sobre como avaliar a equidade da saúde em revisões sistemáticas. A análise de grupos específicos de pessoas nas revisões sistemáticas precisa ser justificada e relatada em detalhes suficientes para que seja possível avaliar se isso teria credibilidade ou não. É necessário deixar bem claro e transparente como foram tomadas as decisões sobre a aplicabilidade e a relevância dos achados das revisões sistemáticas para as as populações menos favorecidas.

Conclusão dos autores: 

As revisões sistemáticas precisam melhorar suas definições do conceito de equidade em saúde, descrever em maior detalhes as abordagens analíticas usadas (incluindo as análises de subgrupos) e apresentar de forma transparente como foram tomadas as decisões para avaliar a aplicabilidade dos achados em relação à equidade em saúde.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

A promoção da equidade em saúde vem ganhando importância política internacional, inclusive contando com o apoio da Assembleia Mundial da Saúde (2009). Os responsáveis por tomar decisões apontam que as falhas das revisões sistemáticas em considerar os efeitos da equidade em saúde são um problema que limita sua capacidade de tomar decisões sobre políticas e programas de saúde.

Objetivos: 

Revisar, de forma sistemática, os métodos que as revisões sistemáticas usaram para avaliar os efeitos da equidade sobre a efetividade das intervenções.

Estratégia de busca: 

Foram realizadas pesquisas nas seguintes bases de dados, até 2 de julho de 2010: MEDLINE, PsychINFO, the Cochrane Methodology Register, CINAHL, Education Resources Information Center, Educational Abstracts, Criminal Justice Abstracts, Index to Legal Periodicals, PAIS International, Social Services Abstracts, Sociological Abstracts, na Digital Dissertations e na Health Technology Assessment Database. Pesquisamos também a base Scopus, para identificar artigos que citassem, qualquer um dos estudos incluídos em 7 de outubro de 2010.

Critérios de seleção: 

Foram incluídos estudos empíricos de coortes de revisões sistemáticas que avaliaram os métodos para medir os efeitos de desigualdades em saúde.

Coleta dos dados e análises: 

Os dados foram extraídos usando um formulário pré-testado por dois revisores independentes. O risco de viés dos estudos incluídos foi avaliado analisando o risco de viés de seleção e de detecção das revisões sistemáticas.

Resultados principais: 

Trinta e quatro estudos metodológicos foram incluídos. Os métodos usados por esses estudos foram: 1) abordagens direcionadas (n = 22); 2) abordagens que buscavam lacunas (n = 12) e abordagem gradativa (n = 1). O gênero ou sexo foi avaliado em 8 dos 34 estudos, a condição socioeconômica em 10 estudos, a raça/etnia em 7 estudos, a idade em 7 estudos, os países de baixa e média renda em 14 estudos, e 2 estudos avaliaram múltiplos fatores que podem existir no que diz respeito à desigualdade na saúde.

Somente três estudos forneceram uma definição de equidade em saúde. Identificamos quatro abordagens metodológicas para avaliar os efeitos da equidade em saúde: 1) avaliação descritiva do relato e das análises apresentadas nas revisões sistemáticas (todos os 34 estudos usaram algum tipo de método descritivo); 2) avaliação descritiva dos relatos e das análises nos estudos primários incluídos nas revisões (12/34 estudos); 3) abordagens analíticas (10/34 estudos); e 4) avaliação de aplicabilidade (11/34 estudos).Não foi possível avaliar a credibilidade, as abordagens analítica e de aplicabilidade porque elas não foram relatadas de forma transparente ou suficientemente detalhada.

Notas de tradução: 

Tradução do Centro Cochrane do Brasil (Arnaldo Alves da Silva). Contato: tradutores@centrocochranedobrasil.org.br

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