Remdesivir no tratamento de pessoas com COVID-19

O remdesivir (um medicamento antivírico) é um tratamento eficaz para a COVID-19?

Mensagens-chave

• Em adultos hospitalizados com COVID-19, o remdesivir tem provavelmente pouco ou nenhum efeito nas mortes por qualquer causa até 28 dias após o tratamento em comparação com placebo ou com os cuidados habituais.

• Estamos incertos sobre se o remdesivir melhora ou piora o estado clínico dos doentes, baseados na sua maior ou menor necessidade de ajuda com a respiração.

• Os investigadores devem chegar a acordo sobre os principais outcomes a serem utilizados na investigação da COVID-19, e estudos futuros devem investigar estas áreas. Isto permitiria que futuras atualizações desta revisão tirassem mais conclusões acertadas sobre a utilização do remdesivir no tratamento da COVID-19.

O que é o remdesivir?

O remdesivir é um medicamento que combate vírus. Foi demonstrado que impede a reprodução do vírus que causa a COVID-19 (SARS-CoV-2). Os reguladores médicos aprovaram o remdesivir para uso de emergência no tratamento de pessoas com COVID-19.

O que pretendíamos descobrir?

Pretendíamos perceber se o remdesivir é um tratamento eficaz nos doentes hospitalizados com COVID-19 e se causa efeitos indesejados em comparação com placebo ou com os cuidados habituais.

Os doentes com COVID-19 recebem diferentes tipos de suporte ventilatório, dependendo de quão grave é a dificuldade respiratória. Utilizámos os tipos de suporte ventilatório recebidos pelos doentes como medida do sucesso terapêutico do remdesivir no tratamento da COVID-19. Tipos de suporte ventilatório incluídos:

• para dificuldade respiratória grave: ventilação mecânica invasiva, quando um tubo de ventilação é colocado nos pulmões dos doentes, e uma máquina (ventilador) respira por eles. É administrada medicação sedativa aos doentes enquanto estão sob um ventilador.

• para dificuldade respiratória moderada a grave: ventilação mecânica não-invasiva através de uma máscara sobre o nariz e/ou boca, ou de um capacete. Ar ou oxigénio é fornecido com recurso a máscara facial. Geralmente, os doentes encontram-se vígeis durante o tratamento.

• para dificuldade respiratória moderada: oxigénio via máscara facial ou cânula nasal. Os doentes mantêm a capacidade de respirar ar ambiente.

Foram considerados os seguintes resultados:

• mortes por qualquer causa nos 28 dias após tratamento;

• resposta favorável ao tratamento, medida com base na duração da utilização de ventilação mecânica ou de oxigénio;

• se o estado clínico dos doentes agravou ao ponto de necessitarem de oxigénio ou ventilação mecânica;

• qualidade de vida;

• quaisquer efeitos indesejados; e

• efeitos indesejados graves.

O que realizámos?

Pesquisámos por estudos sobre o uso de remdesivir no tratamento de adultos com COVID-19 em comparação com placebo ou tratamento padrão. Foram considerados doentes hospitalizados com COVID-19 de qualquer género ou etnia.

Comparámos e sumarisámos os resultados dos estudos e classificámos a nossa confiança na evidência, baseados em fatores como os métodos de estudo e o tamanho amostral.

O que encontrámos?

Identificámos 5 estudos com 7452 doentes hospitalizados com COVID-19. Destes, 3886 foram tratados com remdesivir. A idade média dos doentes era de 59 anos. Os estudos decorreram a nível global, maioritariamente em países de rendimento alto e médio-alto.

Resultados principais

Os estudos incluídos compararam remdesivir a placebo ou cuidados habituais em pessoas hospitalizadas com COVID-19 durante até 28 dias.

Mortes por qualquer causa

• O remdesivir provavelmente causa pouca ou nenhuma diferença nas mortes por qualquer causa (4 estudos, 7142 pessoas). Em 1000 pessoas, menos 8 pessoas morrem com remdesivir em comparação com placebo ou cuidados padrão.

Os pacientes melhoraram com o remdesivir?

• O remdesivir pode ter pouco ou nenhum efeito sobre o tempo que os pacientes passaram em ventilação mecânica invasiva (2 estudos, 1298 pessoas).

• Não sabemos se o remdesivir aumenta ou diminui o tempo com o oxigénio suplementar (3 estudos, 1691 pessoas).

Os pacientes pioraram com o remdesivir?

• Não sabemos se é mais ou menos provável que os pacientes necessitem de qualquer tipo de ventilação mecânica (invasiva ou não-invasiva) com remdesivir (3 estudos, 6696 pessoas).

• Os pacientes podem estar menos propensos a necessitar de ventilação mecânica invasiva (2 estudos, 1159 pessoas).

• Não sabemos se é mais ou menos provável que os pacientes necessitem de ventilação mecânica não invasiva com remdesivir (1 estudo, 573 pessoas).

• Não sabemos se é mais ou menos provável que os pacientes necessitem de oxigénio por máscara ou cânula nasal (1 estudo, 138 pessoas).

Qualidade de vida

• Nenhum dos estudos incluídos na revisão reportou sobre a qualidade de vida.

Efeitos indesejados

• Não sabemos se o remdesivir conduz a mais ou menos efeitos indesejados de qualquer nível (3 estudos, 1674 pessoas).

• Os pacientes estão provavelmente menos propensos a experimentar efeitos indesejáveis graves com remdesivir do que com placebo ou cuidados padrão (3 estudos, 1674 pessoas). Em 1000 pessoas, menos 63 pessoas experienciariam um efeito indesejável grave em comparação com placebo ou cuidados padrão.

Quais são as limitações da evidência?

Estamos moderadamente confiantes na evidência sobre mortes por qualquer causa e efeitos indesejáveis graves; contudo, a nossa confiança na restante evidência é limitada porque os estudos utilizaram métodos diferentes para medir e registar os seus resultados, e não encontrámos muitos estudos para alguns dos nossos outcomes de interesse.

Quão atualizada está esta evidência?

Esta evidência encontra-se atualizada até 16 de abril de 2021.

Notas de tradução: 

Traduzido por: João Cruz Araújo, Unidade de Saúde Familiar Gualtar, ACeS Cávado I; Pedro Pereira Peixoto, Unidade de Saúde Familiar do Mar, ACeS Grande Porto IV; Ricardo-Manuel Delgado, Serviço de Psiquiatria e Saúde Mental da Infância e da Adolescência, Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, com o apoio da Cochrane Portugal.

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