Intervenções farmacológicas para prevenir a coagulação de circuito extracorporal durante terapêutica substitutiva renal contínua

Qual é o problema?
A lesão renal aguda (LRA) é uma comorbilidade grave em doentes hospitalizados. Doentes com LRA grave necessitam de terapêutica substitutiva renal. A terapêutica substitutiva renal contínua é um tipo de tratamento de hemodiálise que é geralmente usada para doentes críticos em unidades de cuidados intensivos. Devido à remoção lenta das substâncias tóxicas, a terapêutica substitutiva renal é realizada habitualmente de modo continuo durante 24h. A formação de coágulos no circuito de diálise implica alterações imediatas do circuito e conduz a interrupção do tratamento e tratamento inadequado. O objetivo desta revisão foi avaliar a efetividade e segurança de diferentes medicamentos para prevenir a coagulação do circuito de terapêutica substitutiva renal contínua.

O que fizemos?
Pesquisámos a base de dados Cochrane Kidney and Transplant Specialised Register até 12 de setembro de 2019. Nesta revisão resumimos os resultados de 34 ensaios aleatorizados controlados com 1960 participantes.

O que descobrimos?

O citrato reduz provavelmente a hemorragia grave (ex.: necessidade de transfusões de sangue ou de cirurgia) comparativamente à heparina, sem originar alteração do funcionamento do filtro ou morte. Relativamente aos outros medicamentos, apenas estavam disponíveis dados inadequados ou de reduzida qualidade.

Conclusões

As opções mais efetivas para evitar formação de coágulos na terapêutica substitutiva renal permanecem incertas. No entanto, a utilização de citrato ou de ausência de anticoagulação parecem ser opções razoáveis para prevenir coagulação de circuito na terapêutica substitutiva renal continua.

Notas de tradução: 

Tradução por Miguel Bigotte Vieira, Serviço de Nefrologia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, com o apoio da Cochrane Portugal

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