Lentes artificiais com filtro azul para proteção da mácula (pólo posterior do olho) após cirurgia de catarata

Qual é o objetivo desta revisão?
O objetivo desta Revisão Cochrane foi perceber se lentes artificias com filtro azul, também conhecidas com lentes intra-oculares (LIO) protegem o pólo posterior do olho. Os autores da Revisão Cochrane reuniram e analisaram todos os estudos relevantes para esta questão e encontraram 51 estudos.

Mensagens-chave
Existe pouca evidência de haja diferenças significativas entre LIO que filtrem a azul e LIO que não filtrem esta luz. No entanto, os estudos eram de reduzida dimensão e de curto prazo para poderem responder a esta questão.

O que foi estudado nesta revisão?
Especialmente quando as pessoas envelhecem, o cristalino pode perder a transparência. A cirurgia de catarata envolve a remoção do cristalino opaco do olho e sua substituição por uma lente artificial. A lente artificial é conhecida como lente intra-ocular (LIO). Estas LIO contêm um filtro para bloquear a luz ultra-violeta que é perigosa. Algumas LIO também têm um filtro para bloquear luz azul do espectro do visível. Em teoria, altos níveis de luz azul podem danificar o pólo posterior do olho que é responsável pela visão central (mácula). Foi sugerido que LIO que bloqueiam a luz azul podem ajudar a proteger a mácula e impedir uma causa comum de perda visual em pessoas idosas, a degeneração macular da idade.

Quais são os principais resultados da Revisão?
Os autores da Revisão Cochrane incluíram 51 estudos de 17 países diferentes. Esta revisão mostrou que:

- provavelmente não existem diferenças significativas na visão para a distância entre LIO que bloqueiam luz azul e as que não bloqueiam decorridos 12 após a cirurgia (temos certeza moderada desta evidência);
- não existem dados relevantes sobre a sensibilidade ao contraste (capacidade de uma pessoa diferenciar um objeto do seu fundo) e discriminação de cores, sendo ambas medidas da saúde da mácula;
- nenhum dos indivíduos que fez parte destes estudos desenvolveu degeneração macular relacionada com a idade durante o período de seguimento (temos muita incerteza sobre esta evidência);
- não existe evidência sobre efeitos adversos que possam estar relacionados com LIO que filtram luz azul (por exemplo, alterações do ciclo de sono)

Quando foi atualizada esta Revisão?
Os autores desta Revisão Cochrane procuraram estudados publicados até 25 de Outubro 2017.

Notas de tradução: 

Traduzido por: Inês Leal, Serviço de Oftalmologia, Hospital de Santa Maria, Centro Hospitalar de Lisboa Norte, com o apoio da Cochrane Portugal.

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