Como melhorar a implementação de políticas para alimentação saudável, atividade física e/ou prevenção da obesidade em creches.

A pergunta de revisão
Nosso objetivo foi analisar os efeitos de estratégias para que as creches melhorem a implementação (colocar em prática) de políticas, práticas ou programas que promovam a alimentação saudável, a atividade física e/ou a prevenção da obesidade das crianças. Também analisamos se essas estratégias melhorariam os conhecimentos, habilidades ou atitudes dos funcionários das creches. Além disso, procuramos descobrir qual seria o custo, ou a relação custo-eficácia, de fornecer apoio à implementação, se essas estratégias de apoio poderiam causar efeitos adversos e se elas teriam algum impacto na nutrição, atividade física ou no peso das crianças.

Histórico
Existem estudos mostrando que várias intervenções realizadas em creches conseguiram melhorar a alimentação, aumentar a atividade física e prevenir o ganho ponderal excessivo das crianças. Apesar dessas evidências e de recomendações de boas práticas para que as creches implementem essas políticas e práticas, muitas delas não o fazem. Sem uma implementação adequada, as crianças não se beneficiarão dessas políticas e práticas direcionadas à sua saúde.

Características do estudo
Identificamos 10 ensaios clínicos randomizados: oito estudos compararam estratégias de implementação versus prática habitual e dois compararam diferentes tipos de estratégias de implementação. Seis estudos avaliaram intervenções para melhorar a implementação de políticas e práticas que visavam promover alimentação saudável e atividade física de crianças em creches, dois estudos avaliaram intervenções voltadas apenas para alimentação saudável,e dois estudos avaliaram intervenções voltadas apenas para aumentar a atividade física das crianças. No geral, as estratégias de implementação testadas nos 10 estudos incluíram materiais educacionais, reuniões educacionais, auditoria e feedback, líderes de opinião, pequenos incentivos ou bolsas, e visitas educacionais aos profissionais que trabalham nas creches por pessoas treinadas, sem vínculo comercial, para orientar sobre as práticas. As estratégias testadas foram apenas um pequeno número das que poderiam ser usadas para melhorar a implementação nas creches.

Data da busca
Buscamos por estudos que houvessem sido publicados até agosto de 2015.

Principais achados
Nenhuma das intervenções avaliadas nos estudos incluídos na revisão melhorou a implementação de todas as políticas ou práticas visadas. No entanto, a maioria das estratégias relatou melhora para pelo menos uma política ou prática. Existe evidência fraca e inconsistente sobre os efeitos dessas estratégias para melhorar a implementação das políticas, práticas e programas, o conhecimento ou as atitudes dos funcionários, ou a dieta, atividade física ou peso das crianças que frequentam as creches. Como não existe uma terminologia padronizada nesta área de pesquisa, é possível que nossa busca tenha deixado de encontrar alguns estudos relevantes. No entanto, os poucos estudos identificados sugerem que as pesquisas sobre a implementação dessas políticas e práticas nas creches ainda são incipientes.

Qualidade das evidências
A qualidade das evidências para todos os resultados foi muito baixa.Isso significa que não podemos ter muita certeza quanto aos resultados.

Conclusão dos autores: 

Na atualidade, existe evidência fraca e inconsistente da efetividade dessas estratégias para melhorar a implementação de políticas e práticas, o conhecimento ou atitudes dos funcionários, ou a alimentação, atividade física ou peso das crianças atendidas em creches. É necessário fazer mais estudos nessa área.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

Apesar de existirem intervenções efetivas e diretrizes de boas práticas clínicas recomendando que as creches implementem políticas, práticas e programas para promover a alimentação saudável, atividade física e prevenção do ganho ponderal excessivo das crianças, muitas creches não o fazem.

Objetivos: 

O objetivo principal da revisão foi avaliar a efetividade de estratégias para melhorar a implementação de políticas, práticas ou programas que promovam a alimentação saudável, atividade física e/ou a prevenção da obesidade de crianças atendidas em creches.

Os objetivos secundários da revisão foram:

1. descrever o impacto dessas estratégias sobre os conhecimentos, habilidades ou atitudes dos funcionários das creches;
2. descrever o custo ou a relação custo-efetividade dessas estratégias;
3. descrever quaisquer efeitos adversos dessas estratégias nos serviços da creche, nos funcionários ou nas crianças;
4. avaliar o efeito dessas estratégias sobre a alimentação, atividade física ou peso das crianças.

Estratégia de busca: 

Fizemos buscas nas seguintes bases de dados eletrônicas em 3 de agosto de 2015: Cochrane Central Register of Controlled trials (CENTRAL), MEDLINE, MEDLINE In Process, EMBASE, PsycINFO, ERIC, CINAHL e SCOPUS. Também pesquisamos as listas de referências dos estudos incluídos, fizemos buscas manuais em duas revistas científicas internacionais sobre implementação e fizemos buscas em duas plataformas de registros de ensaios clínicos (www.who.int/ictrp/ e www.clinicaltrials.gov).

Critérios de seleção: 

Incluímos qualquer estudo (randomizado ou não-randomizado) com um grupo de controle paralelo que comparou qualquer estratégia (dirigida a creches) para melhorar a implementação de uma política, prática ou programa de alimentação saudável, atividade física ou prevenção de obesidade infantil versus nenhuma intervenção, ´cuidados habituais´ ou uma estratégia alternativa.

Coleta dos dados e análises: 

Os autores da revisão, trabalhando de forma independente, avaliaram os resumos e os títulos, extraíram os dados e avaliaram o risco de viés dos estudos. Resolvemos discrepâncias através de consenso. Devido à heterogeneidade entre os estudos, não foi possível combinar seus dados e fazer metanálises para produzir um resumo quantitativo dos efeitos. No entanto, apresentamos um resumo narrativo dos resultados dos estudos descrevendo o tamanho do efeito para o desfecho primário implementação da política ou prática. Para os estudos que não tinham um único desfecho primário, apresentamos a estimativa de efeito mediano.

Resultados principais: 

Identificamos 10 estudos elegíveis e que foram incluídos na revisão. Seis estudos avaliaram intervenções para melhorar a implementação de políticas e práticas que visavam promover alimentação saudável e atividade física de crianças em creches, dois estudos avaliaram intervenções voltadas apenas para alimentação saudável,e dois estudos avaliaram intervenções voltadas apenas para aumentar a atividade física das crianças. No geral, as estratégias de implementação testadas nos 10 estudos incluíram materiais educacionais, reuniões educacionais, auditoria e feedback, líderes de opinião, pequenos incentivos ou bolsas, e visitas educacionais aos profissionais que trabalham nas creches por pessoas treinadas, sem vínculo comercial, para orientar sobre as práticas. Um total de 1053 creches participaram em todos os estudos. Dos 10 estudos, oito compararam estratégias de implementação versus cuidados habituais e dois compararam estratégias alternativas de implementação entre si. Houve bastante heterogeneidade entre os estudos. Todos estudos tinham alto risco de viés para pelo menos um domínio.

É incerto se as estratégias testadas melhoraram a implementação de políticas, práticas ou programas que promovam a alimentação saudável, a atividade física e/ou a prevenção da obesidade das crianças. Nenhuma intervenção melhorou a implementação de todas as políticas e práticas visadas pelas estratégias de implementação, na comparação com o grupo controle. Sete dos oito estudos que compararam uma estratégia de implementação versus cuidados habituais ou controle sem intervenção relataram melhorias na implementação de pelo menos uma das políticas ou práticas específicas. Para estes estudos, o efeito sobre o desfecho primário de implementação foi o seguinte: nos três estudos que relataram medidas de implementação baseadas em pontuação, as pontuações variaram de 1 a 5,1; nos quatro estudos que relataram a proporção de funcionários ou de serviços que implementaram uma política ou prática específica este valor variou de 0% a 9,5%; nos três estudos que relataram o tempo (em dias ou semanas) gasto pelos funcionários ou serviços para implementar uma política ou prática, esse valor variou de 4,3 minutos até 7,7 minutos. Os resultados da revisão também indicam que é incerto se essas intervenções melhoram o conhecimento ou as atitudes dos funcionários da creche (dois estudos), a atividade física das crianças (dois estudos), o peso (dois estudos) ou a alimentação das crianças (um estudo), Nenhum dos estudos avaliou o custo ou custo-efetividade da intervenção. Um estudo avaliou os efeitos adversos de uma intervenção de atividade física e não encontrou diferença entre os grupos na taxa de lesão nas crianças. A qualidade da evidência foi muito baixa para todos os desfechos da revisão. A principal limitação da revisão foi a falta de uma terminologia padronizada para a ciência da implementação, o que pode ter levado nossa busca a deixar de identificar estudos potencialmente relevantes.

Notas de tradução: 

Tradução do Centro Cochrane do Brasil (THIAGO SOUZA COELHO) - contato: tradutores@centrocochranedobrasil.org.br

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