Intervenções para tratamento de litíase do aparelho urinário infantil

Pergunta de revisão

Qual é a evidência no tratamento de litíase renal ou ureteral em crianças?

Contexto

Os cálculos urinários ocorrem em até 5 em cada 100 crianças, nos países de elevado rendimento. Estas taxas têm crescido notoriamente. Para tratar os cálculos urinários em crianças, os urologistas usam medicamentos, terapia por ondas de choque, cirurgia aberta e pequenos endoscópios que se inserem pela bexiga ou pela pele. O benefício de cada um destes tratamentos e os seus efeitos secundários não são claros.

Características dos estudos

Incluímos 14 estudos com um total de 978 crianças aleatorizadas, com cálculos no rim ou no uréter (que conecta o rim à bexiga). O número de participantes em cada um dos estudos variou entre 22 a 221 crianças. Sete ensaios clínicos foram sobre diferentes tipos de cirurgia, seis ensaios eram sobre terapêuticas médicas e um estudo comparou a terapêutica médica e cirúrgica. O tempo de seguimento dos participantes durante os ensaios clínicos variou entre uma semana e um ano.

Resultados chave

Litotrícia por ondas de choque versus medicamentos para dissolução de cálculos intra-renais: não estamos seguros do efeito na remoção bem-sucedida dos cálculos, nas complicações graves e na necessidade de um segundo procedimento para tratamento dos cálculos.

Litotrícia por ondas de choque de administração rápida versus lenta, para cálculos renais: não estamos seguros do efeito das ondas de choque administradas lentamente na remoção bem sucedida de cálculos. Também não temos a certeza quanto ao seu efeito em termos de complicações graves e necessidade de outros procedimentos.

Litotrícia por ondas de choque versus tratamento endoscópico (com laser ou pneumático) pela bexiga para fragmentação de cálculos renais ou do uréter distal: não estamos seguros do efeito das ondas de choque na remoção bem sucedida dos cálculos comparativamente ao tratamento endoscópico. Também não temos a certeza quanto ao seu efeito em termos de complicações graves e necessidade de outros procedimentos.

Litotrícia por ondas de choque versus tratamento endoscópico mini-percutâneo (através da pele para o rim) nos cálculos renais: as ondas de choque são menos eficazes na remoção bem sucedida de cálculos. A litotrícia por ondas de choque parece associar-se a menor número de eventos adversos graves mas está mais frequentemente associada à necessidade de procedimentos secundários para remoção de cálculos residuais.

Tratamento endoscópico percutâneo de cálculos renais com ou sem cateter de drenagem: não estamos seguros do efeito na remoção eficaz dos cálculos, nas complicações graves e na necessidade de procedimentos subsequentes.

Tratamento endoscópico percutâneo convencional versus tratamento endoscópico percutâneo por uma pequena incisão ("mini") e sem cateter de drenagem: taxas de sucesso similares na remoção eficaz dos cálculos. Não encontrámos dados relativos a complicações graves. Não estamos seguros do efeito na eventual necessidade de procedimentos subsequentes.

Alfa-bloqueadores versus placebo com ou sem ibuprofeno em cálculos no uréter distal: os alfa-bloqueadores podem aumentar o sucesso da remoção de cálculos. Não temos a certeza do seu efeito em termos de complicações graves e necessidade de outros procedimentos.

Qualidade da evidência.

A qualidade da evidência para a maioria dos resultados foi muito baixa. Isto significa que estamos pouco seguros quanto ao efeito de praticamente todas as intervenções médicas e cirúrgicas para tratamento da litíase renal infantil.

Notas de tradução: 

Notas de tradução: Tradução por Mariana Antunes Morgado, Serviço de Cirurgia Pediátrica do Hospital de Santa Maria, Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, com o apoio da Cochrane Portugal

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