Antibióticos para prevenção de infecção após cirurgia maxilar

Todos os anos, muitas pessoas se submetem à cirurgia nos maxilares para corrigir malformações. Existe o risco da pessoa desenvolver uma infecção após esse tipo de cirurgia. Porém, não existe consenso quanto ao uso de antibióticos para prevenir essas infecções, nem quanto ao melhor tipo ou a dose ideal de antibiótico a ser empregada.

Realizamos uma busca abrangente para encontrar pesquisas sobre esse assunto. Coletamos dados de todos os estudos que avaliaram essa questão e resumimos os achados para saber se os antibióticos podem prevenir a infecção após a cirurgia, se esse tipo de tratamento tem efeitos adversos, se ele reduz o número de dias que o paciente precisa ficar internado no hospital e se ele melhora o estado geral de saúde das pessoas.

Encontramos 11 estudos. No geral, o uso de antibióticos por um período prolongado reduz o risco de infecção no local cirúrgico. Existem dúvidas quanto aos efeitos de usar uma dose de antibióticos imediatamente antes da cirurgia versus usar antibióticos por um curto período de tempo. Esses estudos não avaliaram os efeitos colaterais dos antibióticos. Os estudos que avaliaram isso, não encontraram efeitos colaterais. Os estudos não avaliaram nenhum dos outros efeitos de interesse para clínicos ou pacientes. Não há dados suficientes para mostrar se um determinado antibiótico é melhor que os outros.

Conclusão dos autores: 

A profilaxia antibiótica de longo prazo é mais efetiva do que a profilaxia de curto prazo na redução do risco de infecção no local cirúrgico em pessoas submetidas à cirurgia ortognática. Existem dúvidas se o uso de profilaxia antibiótica de curto prazo diminui o risco de infecção no local cirúrgico em comparação com o uso de uma dose única pré-operatória de antibióticos profiláticos.

Leia o resumo na íntegra...
Contexto: 

O termo cirurgia ortognática (OS) designa muitas técnicas cirúrgicas eletivas para correção de deformidades faciais e os problemas de má oclusão e distúrbios funcionais relacionados ao sistema estomatognático. Embora essa cirurgia seja classificada como "limpa-contaminada", ainda existem controvérsias acerca da utilidade e do regime mais adequado de profilaxia antibiótica nesses pacientes.

Objetivos: 

Avaliar os efeitos da profilaxia antibiótica para prevenir infecção no local cirúrgico (SSI) em pessoas submetidas à cirurgia ortognática.

Estratégia de busca: 

Em junho de 2014 fizemos buscas nas seguintes bases de dados: Cochrane Wounds Group Specialized Register; Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL) (The Cochrane Library); Ovid MEDLINE; Ovid MEDLINE (In-Process & Other In-Indexed Citations); Ovid EMBASE; e EBSCO CINAHL. Também fizemos buscas no Google Scholar, além de buscas manuais em revistas relevantes, em anais de congressos e nas listas de referências dos artigos potencialmente elegíveis para inclusão. Não houve restrições quanto ao idioma, data de publicação ou local onde o estudo foi conduzido.

Critérios de seleção: 

Incluímos ensaios controlados randomizados (ECRs) envolvendo pessoas submetidas à cirurgia ortognática que compararam um regime de profilaxia antibiótica versus outro regime ou placebo. O desfecho primário foi SSI. Os desfechos secundários foram infecções sistêmicas, eventos adversos, duração da internação e qualidade de vida relacionada à saúde. Dois autores, trabalhando de forma independente, selecionaram os artigos.

Coleta dos dados e análises: 

Dois autores, trabalhando de forma independente, extraíram os dados. A concordância entre eles foi verificada. O risco de viés de cada estudo foi avaliado usando a ferramenta de risco de viés da Cochrane. Os regimes antibióticos foram classificados como profilaxia antibiótica pré-operatória (uma dose antes da cirurgia), de curto prazo (antes ou durante a cirurgia e/ou no mesmo dia da cirurgia) e de longo prazo (antes ou durante a cirurgia e por mais de um dia após a cirurgia). Sempre que possível, fizemos metanálises com o modelo de efeitos aleatórios com o método da variância inversa. Calculamos o risco relativo (RR) e os respectivos intervalos de confiança (IC) de 95%,

Resultados principais: 

Incluímos nesta revisão um total de 11 estudos. A maioria dos estudos teve um risco de viés incerto o que nos levou a rebaixar a qualidade da evidência dos nossos desfechos. Combinamos os resultados dos 7 estudos que apresentaram dados para a comparação principal e para os desfechos primários. No geral, a profilaxia antibiótica de longo prazo provavelmente reduz o risco de infecção SSI. Os efeitos plausíveis da profilaxia antibiótica variaram entre uma redução relativa do risco de SSI de 76% a 0,26%: RR 0,42, IC 95% 0,24 a 0,74, 472 participantes, evidência de qualidade moderada. Existem dúvidas acerca dos efeitos do uso da profilaxia antibiótica de curto prazo versus dose única: RR 0,34, IC 95% 0,09 a 1,22, 220 participantes, evidência de baixa qualidade. Os estudos que avaliaram esse desfecho não relataram nenhum efeito adverso associado ao uso de antibióticos. Nenhum dos estudos avaliou ou apresentou dados relativos a outros desfechos.Não há dados suficientes para saber se um antibiótico específico é melhor que outro.

Notas de tradução: 

Tradução do Centro Cochrane do Brasil (Izabel Cristina Vieira de Oliveira). Contato: tradutores@centrocochranedobrasil.org.br.

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