Intervenções em saúde para reduzir o risco futuro de acidente vascular cerebral em pessoas com acidente vascular cerebral ou acidente isquémico transitório (AIT)

Pergunta de revisão

Quão eficazes são as intervenções em saúde para a prevenção de um acidente vascular cerebral (AVC) recorrente ou outros eventos cardiovasculares em pessoas que tiveram um acidente vascular cerebral ou um acidente isquémico transitório (AIT: também conhecido como um mini-AVC)?

Contexto

AVC e AIT são doenças causadas por interrupções no fornecimento de sangue ao cérebro. Pessoas que sofreram um AVC ou AIT correm o risco de ter um AVC no futuro. Vários medicamentos e mudanças de estilo de vida podem ser usados para diminuir o risco de AVC, através da melhoria do controlo de fatores de risco modificáveis, tais como pressão arterial, gorduras no sangue, excesso de peso, açúcar elevado no sangue e o uso de medicamentos preventivos. Estes fatores de risco muitas vezes não são geridos de forma eficaz após um AVC ou AIT. É importante identificar as intervenções em saúde que podem ajudar a prevenir o AVC através da melhoria do controlo destes fatores de risco. As intervenções avaliadas nesta revisão são direcionadas aos doentes ou aos clínicos, ou ambos (destinadas a educação ou mudança de comportamento, ou ambos); e organizações (por exemplo, mudando a maneira como os serviços foram prestados).

Esta é uma atualização de uma revisão prévia, publicada em 2014.

Data da pesquisa

Pesquisámos estudos até abril de 2017.

Características dos estudos

Esta atualização da revisão sistemática anterior incluiu 16 novos estudos, que envolveram um total de 25.819 participantes, resultando num total de 42 estudos, com 33.840 doentes com AVC ou AIT, cuja idade média variou de 60 a 74,3 anos. A maioria dos estudos decorreu em contexto clínico de cuidados de saúde primários ou na comunidade. Dezasseis estudos envolveram intervenções educacionais ou comportamentais para os participantes e 26 estudos envolveram principalmente intervenções organizacionais. A maioria das intervenções duraram entre 3 e 12 meses, com seguimento de três meses até três anos.

Resultados principais

Alterações aos serviços de saúde que olharam apenas para a educação do doente ou comportamento, sem qualquer alteração na organização da assistência ao doente, não mostraram nenhuma evidência clara de melhoria nos fatores de risco para ter um AVC. Mudanças na organização dos serviços de saúde resultaram em melhorias no controlo da pressão arterial. O efeito destas intervenções na alteração das gorduras no sangue, do açúcar no sangue, do peso corporal ou do uso de medicamentos não foi conclusivo.

Identificámos 24 estudos em curso, sugerindo que a investigação nesta área está a aumentar.

Qualidade da evidência

A evidência científica disponível foi avaliada como apresentando qualidade moderada a baixa, devido a variações nos métodos utilizados e resultados reportados.

Notas de tradução: 

Traduzido por: Mariana Alves, Médica do Internato de Formação Específica de Medicina Interna, Centro Hospitalar de Lisboa Norte, Lisboa, Portugal. Com o apoio da Cochrane Portugal.

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